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Estado de Minas BRASÍLIA

A presidente e a capital

Um tour pelos locais que Dilma Rousseff frequentava antes de assumir o mais alto posto de comando do país


postado em 23/10/2011 08:00 / atualizado em 21/10/2011 20:05

(foto: Kleber Sales/CB/D.A Press)
(foto: Kleber Sales/CB/D.A Press)

Há quase uma década, a presidente Dilma Rousseff mora em Brasília. Ela chegou a cidade no fim de 2002 para fazer parte do equipe de transição do governo Lula. Ao assumir o posto de presidente do Brasil, no início de 2011, tornou-se oficialmente moradora por pelo menos quatro anos. Na última década, ela acabou criando um vínculo com a cidade. Frequentando lojas, médicos, espaços culturais e contratando serviços. Além de conviver com as comunidades das cinco residências que ocupou em Brasília.

Mesmo quando ministra, Dilma não era do tipo que voava para casa a cada sexta-feira. Apesar de manter um apartamento em Porto Alegre, passava muitos fins de semana em Brasília. Recebia mais a visita da filha e da mãe do que as visitava. Não era de sair muito ou frequentar lugares muito caros. A rotina dela era uma combinação de eventos culturais com serviços básicos da cidade. Ia a shows de artistas de MPB, livrarias, cortava o cabelo e passeava com o cachorro Nego — labrador preto herdado de José Dirceu. As saídas pararam em 2010 durante a campanha presidencial.

Após a eleição e a posse, Dilma tenta manter a rotina de quando era ministra. Desde que assumiu a presidência, foi para Porto Alegre apenas uma vez. Poucas vezes saiu pela cidade para passear. Passou a receber os amigos em casa. Serviços como acupuntura e a maquiagem são feitos no Palácio da Alvorada. O cachorro, agora, é tratado no canil da Polícia de Exército, batalhão responsável pela guarda presidencial. Até os almoços são feitos religiosamente no Palácio da Alvorada, às 13h — abre-se exceções quando a rotina está muito puxada no Planalto.

Quando tem tempo livre, gosta de ver TV e ler. Em um fim de semana, é capaz de devorar um livro de 500 páginas. Aos sábados, tinha o costume de assistir à novela Insensato Coração. Quando abre uma brecha na agenda, assiste a programas antigos da Globo no canal Viva como Sai de Baixo. O seu último vício foi a série norte-americana da HBO Game of Thrones, que já encerrou a sua primeira temporada no Brasil e nos Estados Unidos.

A rotina da presidente é de uma pessoa discreta. Por isso, ela também se cercou de pessoas discretas. Quem convive com Dilma todos os dias não gosta de falar sobre produtos que ela gosta de usar, da maneira como ela é ou de como é a sua rotina. Não apenas por uma questão de segurança, mas também por lealdade. “Ela não gosta desse tipo de exposição”, é o que se costuma ouvir de quem a cerca.

Lago Sul
O bairro mais nobre da capital foi o lugar, em Brasília, que Dilma morou durante mais tempo. Ela passou pela residência oficial da Casa Civil que fica na Península dos Ministros. Depois montou seu QG de campanha à presidência na QI 7 do Lago Sul. Só saiu do bairro quando ganhou a eleição e ficou hospedada na Granja do Torto para estruturar a transição de governo. Após a posse, mudou-se para o Palácio da Alvorada.

Teatro Nacional e Centro de Convenções
Dilma sempre foi participativa na vida cultural da cidade. Principalmente quando o assunto é música popular brasileira. Ela é uma apreciadora das artes e adora música brasileira. Alguns dos espetáculos que prestigiou na capital foi o show do Caetano Veloso no Centro de Convenções e o da Mônica Salmaso no Teatro Nacional.

Livraria Cultura
Uma das características marcantes da presidente é ser uma leitora compulsiva. Por isso, antes da campanha, um lugar comum de encontrá-la era na Livraria Cultura do Casa Park. Ela andava pelos corredores e passava horas olhando os livros, principalmente os romances. Em uma ida ao local, costumava levar vários títulos de um mesmo autor. Entre suas últimas compras, estava a coleção de livros do escritor japonês Yasunari Kawabata e uma caixa de CDs da banda inglesa The Beatles.

Agiafatto
A loja de sapatos na QI 11 do Lago Sul sempre teve Dilma como cliente. A então ministra da Casa Civil passava lá e comprava dois pares de sapato. Normalmente, pretos ou brancos. Quando começou a ficar mais conhecida e requisitada, passou a ser atendida diretamente em casa. Alguns sapatos eram separados pela vendedora favorita e enviados para ela, por meio de assessoras. A presidente escolhia os modelos que gostava mais e devolvia os outros. Desde que assumiu a presidência, ela parou de comprar sapatos na loja.

Rose Paz Instituto de Beleza
O salão de escolha de Dilma era o salão Metamorphose, que havia no Metropolitan. Foi só com o início da campanha presidencial que ela mudou de cabeleireiro. A pedido dos marqueteiros, o famoso penteado de Dilma foi feito por Celso Kamura. Ele vem de São Paulo para fazer o corte e a pintura do cabelo dela. Mas em outros eventos era maquiada por Rose Paz. Até hoje, quando chamada, Rose atende Dilma e a mãe dela em casa.

Centro de Medicina Oriental de Brasília
Desde que chegou a Brasília, o acupunturista Dr. Gu Hangu tem conquistado uma longa lista de cliente ilustres. Entre ministros, governadores, deputados e senadores, o mais famoso foi o ex-presidente Lula. Foi por meio dele que, a partir de 2004, Dilma passou a frequentar o consultório do médico na Asa Norte. Na época do câncer de Dilma, o doutor continuou tratando dela. Desde que tomou posse, por uma questão de segurança, Dr. Gu faz consultas de manutenção no Palácio da Alvorada. Às quartas de manhã e/ou aos sábados à tarde.

CCBB
O último passeio de Dilma pela cidade — que veio a público — foi a ida ao teatro no Centro Cultural Banco do Brasil em abril. A peça era A Lua Vem da Ásia, um monólogo baseado na obra do escritor mineiro Walter Campos e interpretada por Chico Diaz. A segurança fez a varredura discretamente antes do público entrar na sala e presidente apareceu por lá sem fazer alarde. Foi recebida com aplausos pela plateia e depois foi parabenizar o ator e os produtores no camarim.

Parque da Península dos Ministros
Em diversas entrevistas, Dilma disse que engordou 10kg desde que chegou em Brasília até assumir a Casa Civil. Quando ela se mudou para a residência oficial do ministério, resolveu perder os quilos extras caminhando. O local escolhido foi o Parque perto de casa na QI 11. E o companheiro de caminhada era o labrador preto, Nego. Ela ficou com o cachorro após José Dirceu sair da residência e não ter para onde levá-lo. A cena dela com Nego se exercitando pelo parque foi replicada em programas eleitorais de campanha e registrada diversas vezes pelos fotógrafos de plantão.

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