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Estado de Minas REPORTAGEM DE CAPA

Breve manual de sobrevivência a reformas

Renovar a casa é uma aventura para a família inteira. Por isso, selecionamos dicas e experiências que, se não servem de modelo, ao menos fornecem uma bússola


postado em 13/11/2011 08:00 / atualizado em 11/11/2011 18:35

A lojista Rosângela Fonseca, 51 anos, arrumou as malas, lacrou as caixas e chamou o elevador. Em vez de acionar o botão que a levaria ao térreo, apertou o do playground. Descarregou a mudança e começou a desenrolar folhas grandes e grossas de papel pardo pelo chão. Com a ajuda dos filhos, colou-as, uma a uma, nas vidraças do salão de festas do prédio, na tentativa de manter algum tipo de privacidade. Com a permissão do condomínio, o espaço se tornou sua moradia pelos quatro meses seguintes, tempo em que seu apartamento ficou em obras. Foi a solução para a família, que não tinha um plano B quando decidiu encarar a reforma. Ali, entre colchonetes, malas e caixas, Rosângela, o marido e seus três filhos viveram alguns dos dias mais estressantes e engraçados de suas vidas. Protegidos pelas vidraças cobertas de papel e fita crepe, passaram o Natal, o Ano-Novo e aprenderam que, quando se trata de reparos do lar, a tragicomédia faz parte do pacote.

Mesmo que certo drama esteja implícito no ato de reformar a casa ou o apartamento, algumas atitudes podem evitar desdobramentos mais nocivos: que vão desde estourar o orçamento até atritos familiares. “Já entreguei tanto apartamento pronto direto para a venda porque as pessoas não seguraram a onda. Quando um casal de clientes me procura, querendo um projeto de reforma, eu já aviso: vocês estão preparados para querer o divórcio?”, conta, em tom de piada, o arquiteto Hélio Albuquerque. “Não só pelos percalços comuns à obra, mas pelas divergências de gosto, de opinião e de comprometimento com esse projeto de vida”, explica. O melhor é preparar o espírito para que, no fim, somente paredes venham ao chão, e não a saúde do proprietários. Nas páginas a seguir, contamos histórias de quem encarou essa aventura, com níveis variáveis de sucesso, mas sempre com jogo de cintura.

REGRA Nº 1

Tudo demanda tempo
Há vários bons motivos para se iniciar uma reformar. Necessidades estruturais inadiáveis; valorização do imóvel; melhor aproveitamento do espaço; beleza, simplesmente. Todos são válidos e demandam a mesma coisa: calma. Obra e rapidez são duas palavras que não combinam, mas que insistem em aparecer na mesma frase, proferida geralmente pelo proprietário. “É comum chegar novembro e as pessoas me procurarem porque querem reformar a casa para receber os familiares no Natal. Mas é difícil fazer milagres em um mês. Em geral, o cliente sempre precisa da obra para ontem. E essa pressa, essa tensão, acaba se refletindo na obra”, lembra Hélio Albuquerque. “Em primeiro lugar, por melhores que sejam os profissionais envolvido, certas etapas são mais lentas, como a fiação, a tubuluação, a iluminação, a marcenaria, o gesso, a parte elétrica e, especialmente, o acabamento. Trata-se da fase pós-demolição de paredes e pisos, que dá a impressão que a obra não evolui”, completa a arquiteta Roberta Portella. É natural essa desaceleração — e é natural essa agonia. Por isso, antes de reformar, saiba que a chance de a obra durar mais que o esperado é grande, então planeje-se. “Em geral, recomendo trabalhar com uma equipe fechada. Porque as chances de as coisas funcionarem são muito maiores. Quando se contrata um de cada lugar, é comum que eles estejam envolvidos em outras obras e faltem, ou trabalhem só meio período, o que atrasa muito o processo”, indica a arquiteta.

CASO 1

Quem casa quer casa

(foto: Maria Fernanda Seixas/CB/D.A.Press)
(foto: Maria Fernanda Seixas/CB/D.A.Press)
Primeiro, o namoro, seguido pela compra do apartamento ainda em construção. Depois, o noivado e, finalmente, o casamento, marcado para depois da data de entrega do apartamento e da suposta data de entrega da reforma. Tudo como manda o figurino. Mas, após a lua de mel, o sonho do lar doce lar ficou mais para amargo. A relações públicas Cinthia Peixoto, 30 anos, e o marido Guilherme Carvalho, 30, administrador, voltaram da viagem romântica e, em vez de estrear a vida a dois na nova casa, foram de mala e cuia para o antigo quarto de Cinthia, na casa da mãe dela. De bom grado, Delma Peixoto ainda redecorou o quarto para que o casal não ficasse tão abatido. Arrumou a cama com uma colcha bonita, pintou alguns móveis antigos e tentou deixar tudo mais leve. Mesmo que sua casa estivesse abarrotada de presentes de casamento e móveis ainda sem uso. E a obra foi longe, viu?

Frustrado, o casal passou a monitorar a obra com punho de ferro. “Foram tantos contratempos que é difícil enumerar. E por maior que fosse a boa-vontade da minha mãe, era uma situação chata, a casa dela ficou atolada de coisas. A nossa cama nova encostada de pé na parede da sala de jantar, aquele bando de caixas. Nossa ceia de Natal, eu lembro, foi no meio daquela bagunça toda”, diz Cinthia. A sensação de que estava incomodando era tamanha que Guilherme levava a trouxa de roupas sujas dele para a casa da mãe. “Tinha que dar uma folga para sogra”, comenta.

O primeiro problema foi com a marcenaria. Contrataram e fecharam negócio antecipadamente, antes mesmo de a reforma começar, com a esperança de agilizar o processo. Mas a promessa do marceneiro não vingou, e só quando a reforma estava nos finalmente que ele decidiu começar a execução dos móveis. Depois, houve problemas de alvará. E aí entra na história um gesseiro descompromissado. “Viajamos por uma semana, e ele combinou que faria o teto inteiro nesse período. Quando voltamos, descobrimos que ele também tinha resolvido entrar de férias. Não fez absolutamente nada. E isso com a obra parada à espera do gesso, com os pedreiros e mestre de obras lá, recebendo a diária sem ter o que fazer”, lembra.

O sofá veio com defeito, até hoje não resolvido, e alguns armários também. A empresa que vendeu a cortina faliu e não entregou a compra. Enfim, mil aborrecimentos. O maior deles, além do atraso, foi o saldo final. Os gastos ficaram 20% maiores que o previsto. “Gastamos R$ 10 mil a mais do que o planejado. A instalação da parte elétrica foi uma das maiores surpresas. Toda hora tinha que comprar uma coisa nova, e um detalhe mais caro que o outro”, rezingam. O fim da obra foi comemorado com uma segunda lua de mel, e o desejo de voltar de viagem direto para a casa nova. “Lembro que no fim da viagem eu só queria voltar para Brasília e, finalmente, ver a casa pronta. Acabar com a aflição, viver uma vida de casada normal”, confessa Cinthia. Dessa vez, pelo menos, tudo deu certo. Chegaram em casa e ainda se depararam com tudo limpo, arrumado, cama feita, geladeira cheia, tudo armado pela dona Delma. Mas a marcenaria até hoje traz dor de cabeça. Para eles, “reforma, nunca mais”.

REGRA Nº 2

O barato sai caro
Tudo bem querer economizar. É prudente, já que a tendência é ultrapassar o orçamento inicial. “Mas o ditado ‘o barato sai caro’, no caso, é lei”, afirma o arquiteto Hélio Albuquerque. Tudo começa com o indica-indica. O vizinho indica um marceneiro ma-ra-vi-lho-so; o amigo, um pedreiro superveloz; a sogra garante que o mestre de obras vale por um arquiteto. E assim, a prestações módicas, adquire-se uma bela dor de cabeça. Também é arriscado confiar demasiadamente na própria criatividade e na competência do mestre de obras em executar o serviço. “Há pouco, uma senhora me ligou pedindo ajuda.Ela havia comprado dois apartamentos e julgou que seria caro contratar um arquiteto. Sem um profissional, ela acabou gastando muito e a obra ainda está pela metade”, exemplifica a arquiteta Juliana Maia.

Um bom projeto deve ser encarado como investimento. Melhor ainda se o profissional puder acompanhar a obra. Segundo Roberta, vale mais pechinchar com materiais de construção do que na contratação de serviços. “Mas procure pela relação custo-benefício, porque material muito barato pode ser sinal de má qualidade. Por exemplo, um porcelanato muito barato pode vir a quebrar com mais facilidade”, indica a arquiteta. Faça pelo menos três orçamentos, procure saber quais lojas cobrem ofertas. “Um fator que complica é a mão de obra em Brasília, que é realmente muito cara”, opina Juliana. Outra dica é com relação à forma de pagamento. Feche diárias no caso de trabalhos curtos, rápidos. Os projetos maiores, muitas vezes, saem mais em conta quando o preço é fechado por serviço. Menos surpresas e mais agilidade. Em geral, o preço de um projeto é cobrado por metro quadrado, variando entre R$ 40 e R$ 150. Quanto maior o espaço a ser reformado, menor se torna esse valor.

REGRA Nº 3

Organização é fundamental
Muitas vezes, o ritmo de uma obra é ditado pelo planejamento prévio. Antes de derrubar paredes, tenha um projeto de reforma muito claro. Se possível, desenhado com a ajuda de um profissional, de modo a prever, por exemplo, eventuais mudanças elétricas e de tubulação. Os cuidados com a documentação também são importantes. Ampliação de área, reformas estruturais e mudança de fachada demandam uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), registrada no Crea-DF e assinada por um engenheiro civil ou um arquiteto. “Um engenheiro pode avaliar com mais exatidão problemas estruturais que merecem atenção, e indicar soluções que evitem problemas futuros. Às vezes, você muda uma coisa de lugar e não percebe as consequências, como infiltrações e problemas elétricos”, ensina o engenheiro civil Murilo Morais.

Além disso, fique atento aos termos do contrato, inclusive à possibilidade de multas com atrasos. “Já vi gente pagando as três primeiras parcelas para um profissional, e o camarada desaparecer com o dinheiro”, conta a arquiteta Juliana Maia. Na compra do material, atenção dobrada com os prazos de entrega e com a inclusão do frete no preço final. Confira tudo na entrega. A data da obra também pode influenciar o valor total. Segundo Juliana, quando o Natal se aproxima, a demanda por reformas cresce, jogando os preços lá pra cima.

REGRA Nº 4

Saia de casa
É um erro crasso achar que é possível morar com conforto em uma casa em obras. É perigoso para a saúde familiar, inclusive. Os sintomas vão da tosse crônica a brigas exaltadas. “Lembro de uma cliente que insistiu em continuar morando no apartamento. Tentei conversar, expliquei, mas ela estava irredutível. No fim, ela foi parar no hospital, e o cachorro, moribundo, no veterinário. É muita poeira e sujeira para quem não está acostumado. É realmente perigoso”, indica Hélio Albuquerque. “Agora, se a obra for por etapas, é até possível continuar — a pessoa vira nômade na própria casa. Mas alérgicos e crianças devem passar longe”, alerta a arquiteta Juliana Maia. O ideal é que a família procure um outro lugar para ficar. Se o orçamento permitir, alugue um pequeno apartamento ou fique em um hotel. Senão, procure abrigo na casa de parentes solidários. Mas nada de tentar morar no salão de festas do prédio.

CASO 2

O precavido termina obra no prazo

(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)
Quando engravidou do segundo filho, a publicitária Paula Fuzeto resolveu que reformaria o sobrado onde morava para deixar a casa mais espaçosa. Precavidos, Paula e o marido planejaram cada detalhe da obra. Paula passou dias em pesquisas exaustivas na internet: de dicas de como tocar uma obra à pesquisa de preço de materiais. Montou um projeto e, com a indicação de familiares e amigos, contratou uma equipe. Depois, tocou a obra sozinha. Tudo com dia certo para acabar e orçamento fechado.

O plano inicial era continuar morando na casa durante a obra. Ela fecharia a porta dos quartos. Vedaria as saídas de ar e daria tudo certo. “Já na primeira noite após início da reforma, eu desisti da ideia. Não dava para respirar direito, muita poeira. Fora que, de manhã, virou aquele entra e sai de funcionários, o que não deixa condições para tocar a vida normalmente”, lembra. Todos foram, então, para a casa da sogra, “Que, graças a Deus, é um anjo”, diz Paula.

A obra seguiu com a presença quase constante de Paula no local. “Virei mestre de obras. Checava tudo, ficava em cima, perturbava os rapazes. Saía todo dia para comprar o que faltava, pechinchava com todo mundo, não perdia tempo. Porque, se deixar, todo mundo tenta te levar na conversa”, diverte-se. Tanta organização com os preparativos e no acompanhamento da reforma deu resultados: não só a obra acabou no dia certo, como abaixo do orçamento esperado. Tanto que, no meio da reforma, Paula comprou um novo sobrado —“uma oportunidade imperdível” — e começou a tocar uma nova obra simultaneamente. Dividiu a equipe em duas e mandou cada qual para uma casa diferente. Mãe de uma menina de 8 anos, grávida, e com duas obras para administrar. “Eu realmente quase enlouqueci, não posso nem ver uma furadeira na minha frente hoje em dia que me dá uma sensação ruim!”

Hoje, ela e a família moram na segunda casa, que sofreu bem menos reformas que a primeira. Qual é o segredo para cumprir o orçamento? “Bom senso. Tivemos muito cuidado. Busquei balancear preço e qualidade. O vendedor indica um porcelanato que custava R$ 200 o metro quadrado, mas na mesma loja, tinha um idêntico por R$ 50. Eu não só levava o mais barato, como pechinchava um preço ainda melhor. Ao ponto de fazer vários orçamentos para ver quem cobria”, explica.
Outro detalhe importante foi o olho no material. Tudo era comprado na medida exata, para evitar desperdício. Se precisasse de mais, ela ia na loja e comprava. “Tem que ficar atento porque existe uma tendência grande ao desperdício de material em uma obra. E vale também reaproveitar o que estiver bom. Por exemplo, reformamos o banheiro todo, mas os vasos originais eram ótimos, não tinha por que descartar, então ficamos com ele. Têm várias coisas que merecem ser reutilizadas. É uma questão de saber o que realmente vai agregar valor, e o que vai ser desnecessário. A experiência valeu a pena, mas Paula jura que na próxima mudança, quer entrar na casa nova só com a roupa do corpo. “Quero tudo pronto, sem trabalho nenhum. Duas obras foram o suficiente para mim.”

REGRA Nº5

Se conselho fosse bom…
Todo mundo se acha um pouco arquiteto. Eis um problemão. As visitas que acompanham os donos do imóvel são um verdadeiro terror para os profissionais do Autocad. “Eu vi um negócio lindo na revista, porque você não faz isso aqui também?”, ou “Se eu fosse você, instalava de outra forma, como eu vi na Casa Cor”. “Taí coisa que qualquer arquiteto detesta. Porque as amigas nunca acham bom. Pura inveja”, brinca Hélio Albuquerque. Fica a dica: afaste-se dos palpiteiros e siga seus instintos. A casa é sua e, ali, é a sua opinião que importa.

REGRA Nº6

Vizinho feliz, obra feliz
Não é só o dono da reforma que sofre com a obra. Os vizinhos são alvos diretos desse enorme incômodo. Barulheira o tempo todo, poeira que invade a casa, entra e sai de gente estranha na prumada etc. “Já vi tanto problema com vizinho que é até difícil enumerar. Teve uma vez que um vizinho estava tentando assistir a um jogo de futebol e ficou incomodado com o barulho da obra. Subiu no apartamento com uma arma na mão, ameaçando atirar se não parassem”, conta Hélio. Não custa nada avisar o vizinho, com delicadeza, que tipo de trabalho será realizado. Vale até levar um bolo de agrado.

CASO 3

Os vizinhos palpiteiros ou “Brasília não faz calor”

(foto: Breno Fortes/CB/D.A.Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A.Press)
O casal Maurício Medeiros, 40 anos, e Everson Brum, 35, decidiu fazer uma reforma simples no apartamento em que viviam. Uma sala ampliada com a derrubada de uma parede e a instalação do sonhado ar condicionado. Mas, em uma conversa rápida com o porteiro do prédio, descobriram que não só nenhum morador tinha ar-condicionado (isso em 2007), como provavelmente, não gostariam da ideia. A questão é que a saída do aparelho ficaria ligado ao terraço do prédio e, para a instalação, eles precisariam da autorização do condomínio.

Uma reunião foi marcada com os moradores e o resultado foi desastroso. Não só os vizinho vetaram a colocação do ar condicionado, como tentaram convencer os dois de que Brasília era fresquinha, não fazia calor. Logo, a presença do ar condicionado era assim, dispensável. Chegaram a dizer que eles conheciam o “tipo” de moradores que eles eram e que não morariam ali por muito tempo, logo, não valia o esforço. Seguindo a “profecia que se autorrealiza”, os rapazes não aguentaram a pressão e se mudaram no ano seguinte.

Instalaram-se em um quitinete de 30m² sem divisórias. Eles, o cachorro, a empregada doméstica e o caos de caixas e bagunças da casa antiga. Os móveis foram guardados em um depósito, ao preço de cento e pouco reais ao mês. A situação no “apertamento” seria provisória, e só duraria o tempo de ambos encontrarem o imóvel ideal. Mas a busca se mostrou complicada. “Chegamos a fechar a compra, assinar cheques e tudo. Mas esse mercado em Brasília funciona como um leilão velado. Toda a hora o corretor desistia da venda, depois de tudo acertado, porque alguém decidiu pagar mais”, lembra Maurício. “Era bem frustrante esse processo, porque ficávamos de mãos atadas”, completa Everson. O negócio só deu certo quando conseguiram negociar direto com o comprador. Mas, antes de se livrar da situação desconfortável na quitinete, resolveram reformar todo o apartamento.

O arquiteto escolhido, um amigo de confiança, teve que aguentar a dupla: “Somos o pesadelo dos arquitetos. Damos palpite em absolutamente tudo”, divertem-se. Decidiram por uma cozinha americana e pela integração da sala com o escritório. As paredes começaram a ser derrubadas, e lá estavam as temidas colunas. Uma readaptação do projeto e um novo problema, durante a troca das janelas de ferro por novas de PVC, uma chuva torrencial alagou o apartamento. “Parecia piada.” No fim, tudo deu certo, sem grandes traumas. “Quando você vê o resultado final e sai de uma quitinete infernal para a sua casa pronta, decorada, é um alívio tão grande que você até esquece do sofrimento”, fecha Maurício.

REGRA Nº 7

Todas as regras, têm exceções

Nada do que aconteceu na obra do seu amigo, ou mesmo na obra dos personagens dessa reportagem, é uma verdade absoluta. Cada caso e por mais que você faça tudo igual a fulano, os resultados podem ser completamente diferentes. Mas sim, vale conhecer o máximo de experiências possíveis sempre.

CASO 4

Dividir as angústias e descobrir um novo mundo

(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)
Quando a designer Bianca Marotta, 30, e o ex-marido compraram seu primeiro apartamento, tudo precisou ser reformado. Não só por questões estéticas, mas porque ele é cadeirante, e a casa merecia acessos mais largos e pequenas adpatações que facilitariam a vida dos dois. Para dividir as agruras da futura jornada, criaram o blog A Reforma do Pequeno Apê. Entre as encrencas comuns a qualquer reforma, um post novo. E a brincadeira de blogar foi virando tão séria quanto a própria reforma da casa. “São tantas situações cômicas que uma pessoa que toca uma reforma sem um arquiteto passa, que tudo virava motivo para um postagem”, relata Bianca. Enquanto a obra andava, o blog reunia mais e mais seguidores, atentos nas confusões do casal, e nas dicas de reformas. A fama foi tanta que um grande site de decoração convidou Bianca a hospedar o blog no portal.

Mesmo com toda a agitação cibernética, as lições aprendidas no convívio com o mestre de obras, o pedreiro e os demais trabalhadores que transformavam seu espaço foram o detalhe mais surpreendente. Primeiro, porque para encarar o dia a dia de uma obra, a vaidade é completamente mal quista. “Você mal entra na obra e já fica com o cabelo completamente duro com a poeira. Fora que faz mal à pele, à respiração, estraga as roupas. Um banho depois de uma visita à reforma não era suficiente”, conta. Depois da primeira visita, estava sempre preparada: aposentou a unha feita, adotou um boné que segurava o coque improvisado, roupa velha e máscara para proteger as vias respiratórias.

A reforma foi um sucesso, mesmo estourando cerca de 20% do orçamento inicial e sofrendo um atraso de dois meses. Com direito a todas as trapalhadas comuns: janela que não coube no buraco, pedreiro levantando parede sem mesmo usar um esquadro. “Achei incríveis essas pequenas descobertas que a gente faz. Coisas que você não imagina como funciona. Por exemplo, a forma como eles fazem certas medições. Para medir encontrar pontos separados na mesma altura, usam uma mangueira transparente e água. Para nivelar uma parede, um peso e uma cordinha, ferramentas tão simples, que você jamais imaginaria”, explica.

O casamento acabou e Bianca comprou um novo apartamento, pronta para encarar uma nova reforma. Com direito a novo blog (reformareforma.blogspost.com) e novas aventuras por esse mundo tão turbulento e tão viciante. “Eu achei que não animaria tão cedo para reformar de novo. Mas quando passa e tudo fica pronto, você se esquece dos perrengues. É muito gostoso acompanhar essa fase demolição e reconstrução”, opina. Na experiência pessoal, tocar uma reforma sozinha, sem marido nem namorado, é mais fácil. Primeiro pela inexistência de divergência de opinião, segundo porque você não acaba descarregando o estresse da obra no outro.

Em voga
- Porcelanato
- Fazer a sanca de gesso sem muitos detalhes. Quanto mais simples melhor.
- Cozinha americana
- Projetos de iluminação de acordo com o layout
- Espelhos cobrindo toda uma parede
- Os velhos tacos de madeira no chão, renovados
- Revestimentos cerâmicos na parede
- Madeira na parede
- Janelas de PVC

Em baixa
- Texturas na parede como o grafiato
- Paredes de tijolos de vidro
- Blindex na janela
- Gesso muitos trabalhados
- Cerâmica no chão
- Carpete

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