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Estado de Minas BICHOS

Verdadeiros anjos da guarda

Há aqueles que, tal qual Francisco de Assis, se doam em nome do bem-estar de animais e se tornam protetores


postado em 05/02/2012 08:00 / atualizado em 07/02/2012 16:15

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)
Um protetor não escolhe cuidar dos animais: ele nasce assim. O amor pelos bichinhos vem do berço e o chamado dos que sofrem é alto, não passa despercebido. E essas pessoas dedicam a vida não só a salvar vidas, mas a tentar mobilizar a sociedade a favor dos animais. “Proteção animal tem uma visão global quanto ao uso de peles, de animais em circo e em rodeios, de animais em testes de laboratório — e a tentativa de mudar tudo isso. Alguns, inclusive, mudam os hábitos alimentares e passam a ser veganos ou vegetarianos”, explica o professor Marcelo Cardador, 48 anos, protetor que fundou sua própria ONG. No sentido mais prático, os protetores são aqueles que procuram animais abandonados, em situação de risco, doentes, machucados ou torturados.

“Há alguns anos, entrei em uma rede de e-mails e recebi uma mensagem que me tocou, falando da situação de um cão. Fui conhecendo gente e me envolvendo, conheci o trabalho de outros protetores e comecei a fazer resgates”, lembra o professor. Com o tempo e alguma experiência, Marcelo criou uma organização que reúne alguns protetores independentes. Além de tentar conscientizar a população acerca dos maus tratos sofridos pelos bichos, a ONG serve como espaço de discussão, troca de experiências e busca de doações, convênios e descontos. O objetivo é arrecadar o suficiente para pagar os tratamentos, construir um ambulatório e melhorar os lares temporários. “A verba tem que ser usada. Se não precisarmos, doaremos para outros protetores”, afirma.

A estudante de veterinária Léia Araújo, 36 anos, sempre adorou os animais. Ao tê-los em casa, passou a amar ainda mais. “Convivendo, a gente começa a ver os bichos de um jeito diferente. Assim, passei a prestar atenção nos animais de rua, nos maus-tratos, no abandono, e, quando fiquei mais velha, deu vontade de fazer alguma coisa”, relata. Léia passou então a ser voluntária, mas nunca teve um abrigo de verdade em casa. Há três anos os cães da estudante foram assassinados a pauladas e, ao levá-los para a necrópsia, conheceu Antônia Correia, 66 anos. A aposentada cuida de animais abandonados há 26 anos, e conta que também nasceu amando os bichos. “Sempre gostei, mas só quando meus filhos cresceram comecei a me dedicar. A chama reacendeu ao cuidar da Lassie”, revela.

Dona Antônia ofereceu o espaço de que a estudante precisava e, hoje, as duas cuidam de quase 40 bichinhos. Elas contam com a ajuda de alguns voluntários, como a professora Heloísa Helena, 48 anos, que faz o que pode para ajudar a divulgação nas redes sociais e já fez dois resgates, e a especialista em comportamento animal Malu Bernardes, 41 anos, que dá uma mãozinha para ajudar a ambientação dos bichinhos no novo lar e a organizá-los no abrigo.

As duas recebem muitas denúncias. “Já resgatei cães atropelados, baleados, esfaqueados, violentados e muito doentes”, conta Léia. Depois de resgatá-los da situação de risco, correm para o veterinário. Lá, eles recebem todas as vacinas, são castrados e, se preciso, passam por cirurgias. A conta nunca é barata. “A cada resgate, divulgamos os valores nas redes sociais para conseguir doações, fazemos rifas, vaquinhas e pagamos o que podemos. Mesmo assim, a dívida ainda é grande”, lembra a estudante. Já a ONG de Marcelo conta com alguns doadores cadastrados, mas também está com o caixa negativo. “Tem gente que acha que ONGs são superestruturas, mas não é bem assim. Infelizmente, não conseguimos atender todos os casos”, reconhece.

Ao receber alta, os animais vão para um lar temporário. Marcelo leva seus resgatados para uma chácara. Léia conta com a ajuda e o espaço oferecidos por dona Antônia. Uma vez abrigados, os animais ficam aguardando a adoção. Enquanto o novo dono não chega, o custo com ração, vasilhas, cobertores e camas se acumula. “Vivemos assim, mas costumo dizer que Deus ajuda na última hora. Quando acaba a ração, aparece alguém para ajudar a pagar”, conta Léia. E não é só com dinheiro que os voluntários podem ajudar. Os animais também precisam de carinho, atenção, banho e de um espaço limpo. “Costumo chamar quem quer ajudar e tem tempo a passar um dia conosco”, explica a estudante. Toda a ajuda é bem-vinda.

É importante lembrar que os animais não são doados para qualquer pessoa que aparecer. Como já passaram por muita coisa, eles precisam de um lar fixo, que ofereça todo o conforto e o carinho de que necessitam. E os protetores fazem questão de achar a família ideal, com gente disposta a cuidar e a amar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. “O trabalho é muito gratificante. A partir do momento em que o animal está bem, ele mostra com o olhar a gratidão. Não falam, mas agradecem a todo o momento”, afirma Léia.

Exemplo comovente
Há duas semanas, Marcelo se deparou com uma situação inusitada. Ao passar por uma região muito pobre para alertar dois homens sobre um cão que estava acorrentado perto da casa, eles o levaram para conhecer Jade, uma cadelinha que teve as duas patas de trás amputadas. “Eles contaram que, quando ela chegou, dava para sentir o cheiro ruim, os ossos estavam para fora e bichos saíam da carne da pobrezinha”, conta o protetor. Os dois homens, mesmo sem condições financeiras, ignoraram os vizinhos, que queriam sacrificar a cadelinha, cuidaram dela com remédios caseiros e conseguiram acelerar a cicatrização da área. Jade foi encaminhada para uma clínica, ganhou botinhas para apoiar as patas traseiras e, agora, aguarda adoção em um lar temporário. “É tanto um exemplo lastimável de maus-tratos, como também um exemplo positivo de solidariedade e envolvimento. É comovente”, afirma Marcelo.

Quer ajudar?

www.anjosprotetoresdf.org

Léia Aráujo: 8429-1643

 

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