Jornal Correio Braziliense

Revista

Sopro de luz

Texto e foto por Zuleika de Souza

Um elemento que ajudasse a ventilar e a iluminar ambientes. Partindo dessa necessidade, os engenheiros Amadeu Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio Góis criaram um tijolo vazado de cimento. Foi na quente e iluminada Recife dos anos 1930 do século passado. As iniciais dos três juntos formam o nome que virou um dos ícones da arquitetura modernista: o cobogó! Na capital de todos os brasileiros, o tijolo vazado era quase uma regra na época da construção dos primeiros blocos residenciais. Nas 104, 106, 107, 108, 206, 208 e 304 da Asa Sul, os edifícios projetados por Niemeyer têm as áreas de serviço iluminadas pelos quadradinhos. Poucas casinhas do fim das quadras 700 da Asa Sul conservam o elemento; na 715 Sul, ainda tem uns fofos, de bolinha.

Os mais comuns na cidade são brancos ou os da cor do cimento. Os desenhos são variados, quadrados, de flor, de triângulos e outras composições. Na 305 e 105 Sul, os vermelhos chamam atenção, fazem parte do projeto do arquiteto Hélio Uchôa, que trabalhou no escritório de Lucio Costa. Parecem com o Conjunto Residencial do Parque Guinle, no Rio de Janeiro, projetado pelo mestre. Cobogós ficaram esquecidos e foram maltratados por décadas. Há prédios que taparam os buracos; outros construíram janelas por cima, sem contar outros tipos de maldade. Agora, junto a onda retrô, e pensando em uma arquitetura mais sustentável, eles foram reabilitados. Vários prédios novos e de arquitetos famosos apareceram com os brasileiríssimos cobogós!