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Estado de Minas BICHOS

Uma bela amizade

A convivência entre crianças e pets sob o mesmo teto não só é possível como costuma ser benéfica aos pequenos


postado em 29/04/2012 08:00 / atualizado em 30/04/2012 11:41

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)
Quem cresceu na companhia do animal de estimação provavelmente leva essa experiência para a vida toda. Além da amizade com o cão, os benefícios desse convívio durante a infância são inúmeros. O principal deles é a noção de responsabilidade, de cuidar da sobrevivência de outro ser vivo. “A presença de um cão na infância ou na adolescência estimula a socialização, a troca de afetos. A responsabilidade desenvolve os movimentos corporais, o raciocínio e deixa as pessoas mais calmas e equilibradas”, reforça o médico veterinário Júlio César Alvarenga, especialista em comportamento canino. Além disso, ele acredita que a presença dos cães na vida das pessoas pode prevenir o aparecimento de doenças, como a depressão e o câncer.

A advogada Aline Bicalho tem um pastor alemão de 4 anos, Ringo, e uma boxer de 2 anos e 3 meses, Kyra. Ela é apaixonada por cães desde pequena e acabou repassando esse sentimento para as duas filhas, Giulia, 6 anos, e Nina, 1 ano e meio. Desde que nasceram, ambas convivem com pets dentro de casa. “Fizemos a aproximação aos poucos. No caso da Nina, logo que ela chegou da maternidade, a gente já deixou a Kyra cheirá-la para ir se acostumando”, relembra a mãe. Quando Giulia nasceu, outro cão já ocupava o lar e as atenções de Aline, mas, ainda sim, o ciúme canino, geralmente observado nesses casos, não deu sinais. “Na época da Giulia, eu recebi orientações sobre como tratar os cachorros nessa situação. Me explicaram sobre a importância de não deixar o cão de lado, e dar atenção aos dois”, conta.
Outro cuidado importante é com a higienização, pois verminoses e bactérias podem provocar doenças e alergias na criança. Alguns estudos, no entanto, concluem que, quanto mais cedo a criança se relaciona com um animal, melhor o organismo dela reage para combater e prevenir doenças futuras. Ainda assim, pais e mães devem ficar alertas para impedir o contato das mãos da criança com olhos e órgãos genitais do animal. Aline sempre fica atenta com as filhas: “Só tenho um cuidado: brincou com o animal, depois vai lavar as mãos”, ensina.

Antes de criar um cão, o futuro dono deve conhecer as principais características da raça do animal para tornar o relacionamento tranquilo e evitar imprevistos. “Algumas raças são mais dóceis que outras, mas é importante entender que, independentemente disso, cada cão tem sua personalidade. Mesmo a raça mais calma pode se estressar ou morder”, explica a médica veterinária Barbara Lopes. Buscar ajuda de um profissional para aprender a lidar com essa fase é importante. “Se o animal tem ciúmes do proprietário, significa que há um erro de comportamento e a hierarquia está mal definida. O cuidado principal que o dono deve ter é impor uma escala hierárquica bem definida, que deve ser iniciada aos 2 ou 4 meses de idade, e mostrar com clareza quais são as regras da casa”, orienta Júlio César Alvarenga.

O funcionário público Cláudio Ferreira procurou um veterinário especialista em comportamento animal para saber como adequar a vida de Tag, seu yorkshire de 12 anos, à chegada do filho, Pedro Petry, hoje com cinco anos. Assim que o bebê nasceu, Cláudio foi orientado a levar alguma roupa com o cheiro da criança para que o cachorro farejasse. E, no momento em que o bebê chegasse em casa, nem o pai nem a mãe deveria segurá-lo. Depois desse ritual, desde o primeiro instante que Tag viu Pedro, ele não saiu mais do lado do berço. Passou a protegê-lo, como fazia com Cláudio. A convivência e a lealdade com o filho é muito tranquila. “Eles passam o tempo todo brincando. Tag é muito tranquilo e dócil”, conta Ferreira.

Não há uma regra que determine qual cachorro é adequado para cada faixa etária. Os pais devem, porém, ficar atentos às brincadeiras, pois as crianças muito pequenas podem puxar pelos, orelhas e outras partes sensíveis dos animais. “Crianças abaixo de sete anos não têm noção de perigo, portanto podem acabar maltratando os animais, que vão se defender com mordedura. Deve-se evitar deixar a criança sozinha com o animal”, destaca Alvarenga.

 

Leia na edição impressa a íntegra da matéria e descubras quais as raças são mais "amigas" das crianças

 

Agradecimentos:
Clínica Veterinária Dogs e Mirtzi
Clinipet

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