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Estado de Minas FITNESS & NUTRIÇÃO

Soltando os bichos

Sobre os benefícios da modalidade que faz pessoas imitarem animais, muita gente já ouviu falar. Mas como você se sentiria numa aula assim?


postado em 13/05/2012 08:00 / atualizado em 17/05/2012 17:36

(foto: Kleber Soares/CB/D.A.Press)
(foto: Kleber Soares/CB/D.A.Press)

Em Brasília, a modalidade ainda é pouco conhecida, apesar de ter chegado em 2002. Os poucos professores que ministram aulas não bastam para a crescente demanda. “Há uma aceitação por ser uma proposta diferente, fazemos a aula descalços, rolamos no chão. Mas há quem tenha um bloqueio, ache que ‘não é para mim’. Mas quem tenta, normalmente gosta”, explica Leonardo.

A nossa estagiária Juliana Contaifer também achou que não era para ela. Foi a deixa para despacharmos a moça para uma aula. Depois, ela nos contou um pouco da sua experiência animal. Reproduzimos seu relato aqui.

Fala, garota!
“Confesso que não estava muito animada para a minha aventura em uma aula de bioginástica. A ideia de imitar animais ou fazer qualquer movimento que simule a natureza me pareceu muito estranha — e o fato de ser superpreguiçosa não ajudou nem um pouco a me levantar da cama e participar da aula. No dia marcado, resolvi pesquisar para descobrir exatamente o que me esperava. Melhor se não tivesse descoberto. Não era jeito de falar, metáfora ou qualquer outra figura de linguagem. A aula era exatamente o que eu temia.

Mesmo atrasada, cheguei à academia. Pela janela, vi uma sala cheia de pessoas vestidas de preto, de cabeça para baixo, com uma perna para cima. Era ali. Entrei com uma camisa rosa que me denunciava como a intrusa. Depois, descobri que o preto é a cor oficial da bioginástica. Encontrei ainda uma amiga de infância, para aumentar minha vergonha. Me apresentei, tirei os sapatos e fui direto para o fundo da sala lotada.

Descobri então que os anos de ginástica olímpica e dança não deixaram nenhum tipo de elasticidade e equilíbrio. Com as mãos no chão, eu precisava flexionar os cotovelos e os joelhos a fim de parecer uma aranha e andar para frente. Nem me dei ao trabalho de olhar minha performance no espelho. Ainda nessa parte imitamos um caranguejo, andando para os lados, um tigre que dava patadas no vento e um escorpião — certamente a cena mais engraçada da aula. Com a perna simulamos o rabo do bicho e fizemos movimentos de ataque — minha presa imaginária deve ter se divertido um bocado e saído ilesa do meu desajeitado ferrão. Ainda nessa parte da aula, imitamos uma cobra, uma árvore que se mexia ao sabor do vento e mais animais da selva. As respirações pesadas indicavam que alguns alunos estavam realmente encarnando seu lado animal.

No breve intervalo para água, dois colegas desistiram da aula. Realmente, é puxada — estávamos suando bastante. Na segunda parte, nos reunimos em um lado da sala e o objetivo era chegar ao outro lado fazendo os movimentos de um animal. Os alunos mais acostumados foram juntos, se intercalando. Como boa novata, fui a última. Um dos exercícios envolvia andar como um tigre na ida, voltar como um macaco, ir como um sapo e voltar como um gorila. O professor Leonardo me explicava como caminhar como um tigre enquanto a turma ia fazendo o exercício — o que, claro, me deixou por último mais uma vez. Enquanto eu voltava, todos já tinham terminado. Tínhamos que andar com os braços soltos e fazendo cara de mau.

Um dos exercícios mais diferentes imitava o ataque de uma águia. Voando, avistávamos a presa e vrum! Mergulhávamos a 360 km/h com um pé para cima até encostar as mãos no chão. Como caloura, só fiz voar calmamente até o outro lado da sala. Achei essa parte bastante parecida com o balé — os movimentos dos braços, o cruzar de pernas e o equilíbrio remetiam à dança. Acho que saí uma águia graciosa, enquanto meus colegas atacavam ferozmente suas presas.
E não só movimentos de animais são simulados. Por exemplo, jogar uma pedrinha para cima e pegá-la mais para frente (segundo o professor Leonardo, minha pedrinha devia ser um diamante, tamanho o cuidado que eu tinha para recapturá-la). Simulamos a ação de pegar um copo d’água, tirar o pé do chão e devolvê-lo ao seu lugar de origem sem derramar (a água era imaginária, ufa!).

Durante toda a aula, curiosos paravam em frente às janelas para espiar o que acontecia dentro da pequena sala. Alguns riam de nós, outros ficaram algum tempo assistindo e outros olhavam com certo desdém. Talvez antes da aula, eu me encaixasse no primeiro grupo, iria achar bem engraçado aquilo tudo. Mas, agora, começo a achar quase normal. É um exercício bem puxado, cansa mesmo, e, de quebra, ainda esvazia a mente. Nos 45 minutos da aula, não lembrei nem por um minuto dos compromissos do dia seguinte. Estava tentando me concentrar para não passar vergonha, para fazer os movimentos direito, respirar no tempo certo e entender o animal que estava simulando — o que torna o exercício muito mais fácil, inclusive.

No fim, fizemos uma roda e demos as mãos. Segurando firme o colega, nos sustentamos nos alongamentos, sentamos sem apoio das mãos e levantamos só com a força conjunta. Claro que as mãos e os braços suados não ajudaram muito. Na última ação do dia, uma tradição das aulas de bioginástica de Brasília, juntamos as pontas dos dedos formando um círculo de mãos e giramos o conjunto. O professor Leonardo me explicou mais tarde que o círculo representa uma canalização de energias positivas e serve como um agradecimento ao professor pela aula e aos alunos por se disporem a participar. Saí da aula de bom humor. Me diverti bastante, achando graça da minha falta de jeito total, abstraí os problemas e não estava nem um pouco dolorida. Aliás, também não senti dor no dia seguinte, mesmo estando parada na academia.

Agradecimento: Academia Isac Rocha

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