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Estado de Minas CASA

Do lixo ao luxo

Usar móveis restaurados ou reformados na decoração é uma forma de dar um toque único ao ambiente


postado em 27/05/2012 08:00 / atualizado em 25/05/2012 15:02

(foto: Estúdio Gl´ria/Divulgação)
(foto: Estúdio Gl´ria/Divulgação)

Lixo para algumas pessoas, um verdadeiro tesouro para outras. Os móveis antigos podem ser restaurados para ficar com cara nova. Com uma única peça ou vários móveis, é possível mudar um ambiente. Os mais antigos, defendem os especialistas, são os de melhor qualidade e podem durar uma vida inteira.

A artista plástica Nina Coimbra estudou fora do Brasil e trouxe a paixão por móveis antigos e uma bagagem cultural diversificada, que imprime em cada uma das peças que restaura. Desde a época de estudante em Nova York, ela coleta, no lixo, móveis e artigos de decoração para reformar e restaurar. Das viagens por diversos países, inclusive pela Índia, trouxe tecidos variados e de qualidade refinada, que usa nas restaurações. A artista defende a renovação das peças para modificar os ambientes. “Hoje em dia, as casas parecem hotéis, basicamente com a mesma decoração. Com o uso dessas peças restauradas, que são únicas e personalizadas, dá para mudar um pouco esse formato”, aposta.

A designer de interiores Karina Vargas também tira os móveis do “anonimato”. Ela começou a restaurar móveis há 20 anos, primeiro para ela mesma e, depois para a família e os amigos. O hobby se estendeu para a profissão. “As pessoas têm consciência de que os móveis contam muitas histórias. E elas sabem que, além disso, restaurar é sustentável e dá personalidade à decoração. Essa é uma abertura para cada um ter sua casa com um toque de exclusividade.”

(foto: Nina Coimbra/Divulgação)
(foto: Nina Coimbra/Divulgação)

Basta apenas um olhar para que Alessandro Ferreira da Silva, restaurador há 11 anos,  reconheça uma peça de determinado período histórico. Ele destaca diversas técnicas e defende que, ainda que sejam as mesmas para todas as peças, cada móvel é único e requer cuidados especiais. “Não existem móveis antigos idênticos. Pelas características de entalhe, por exemplo, dá para saber que são da mesma época, mas exatamente iguais, nunca são.” O profissional só usa ferramentas manuais e trabalha com diversos materiais, inclusive folhas de ouro. “É preciso desmontar a peça, modelar, entalhar, lixar, envernizar. Para tudo isso, são exigidas muita precisão e segurança para manter o simbolismo que a peça carrega. Se você usar o verniz errado, por exemplo, pode esconder os veios da madeira, que são bonitos em móveis antigos”, completa.

Nina Coimbra defende que, para dar uma nova cara a objetos antigos, é preciso ter respeito por eles. “Valorizo muito a originalidade das peças. Eu mantenho até algum pequeno defeito, desde que não afete a funcionalidade, porque aquilo faz parte da peça.” A artista plástica tem facilidade em identificar peças assinadas por designers famosos e a reforma varia de acordo com a intuição dela. “Se não consigo saber de cara se o móvel tem assinatura, eu pesquiso. Demoro alguns dias para ver o que a peça precisa, limpo e aí vou mudando de acordo com a minha inspiração”, relata Nina.

(foto: Iano Andrade/CB/D.A.Press)
(foto: Iano Andrade/CB/D.A.Press)

Diferentemente do trabalho de criação, o restaurador Alessandro Ferreira da Silva, lida com peças que precisam conservar ao máximo a originalidade. “Depois de avaliar e identificar o estilo da peça, o trabalho tem que ser feito de maneira que nem se note onde estavam os defeitos. Meu trabalho é muito preciso, por isso eu necessito ter certeza que a restauração vai dar certo, se não a peça se perde.” Sobre decoração e design, o restaurador dá opinião. “Para mim, decoração mais refinada que a antiga não existe. Mas se misturar com o moderno, o contemporâneo, dizem que fica bacana também, mas isso aí eu não sei direito”, diverte-se.

Entenda a diferença

Restaurar: é quando a peça recebe melhorias para restabelecer o antigo esplendor.
Reformar: é quando você modifica uma peça para usá-la com outra função.

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