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Estado de Minas FITNESS & NUTRIÇÃO

Acerte o alvo

Fortalecer a região central do corpo, chamada core, protege a coluna e previne deformidades. Diante dessa necessidade, o velho abdominal, feito com flexões repetitivas, está com os dias contados


postado em 16/09/2012 08:00 / atualizado em 14/09/2012 13:10

Os abdominais, como conhecemos hoje, devem deixar as academias em breve. Estudos de biomecânica propõem o fim dos movimentos repetitivos de flexões para fortalecer a musculatura da barriga. No lugar das aulas de abdominal, entra o core training. A proposta é focar em movimentos que visam sustentar e estabilizar a coluna vertebral.

 
Nos exercícios tradicionais são realizadas flexões repetitivas, freando o movimento. O problema é que, na maioria das atividades, os músculos abdominais, seja nos esportes ou no dia a dia, não trabalham flexionando a coluna. É como treinar o corpo para atividades que ele não realiza. Além disso, os abdominais tradicionais provocam desgaste da coluna. “As evidências científicas mostram que os abdominais funcionais deixarão de ser praticados em futuro próximo. O que acontece hoje em dia é passar a prescrever exercícios com a filosofia de sustentar a coluna”, afirma Eduardo Netto, especialista em motricidade humana.
 
Na prática de core training, os músculos abdominais são trabalhados exatamente com essa função. Core é o nome da região central do corpo, responsável pela estabilidade do organismo. Os principais músculos são os abdominais e os lombares. Além da sustentação, eles protegem os órgãos internos da região do tronco. “Em todo movimento realizado pelo membro inferior, se não houver um abdominal forte, não se consegue transferir energia. O centro do corpo é que faz o movimento ocorrer”, explica Eduardo Netto.
 
Nos treinos de 30 minutos, são realizados exercícios de estabilização da coluna, como a ponte, o quatro apoios — em que o aluno, com os joelhos e cotovelos apoiados no chão, estica a perna e o braço contrário — e o uso da prancha de barriga para baixo, que suporta o peso da coluna. São experimentadas distintas intensidades durante a aula. Para quem adere à modalidade, os benefícios são o fortalecimento da musculatura e a melhora da performance, além de evitar dores. “Pesquisas apontam que pessoas com dores nas costas têm atraso na ativação do transverso abdominal”, afirma Eduardo Netto. O músculo,  com o reto abdominal e os oblíquos internos e externos, são os principais da região abdominal.
 
A metodologia do core training também é usada em outras atividades. É o caso do circuito funcional. Na aula, os movimentos visam o alongamento, o equilíbrio e o fortalecimento de músculos. Primeiro, são realizados alongamentos das costas e pernas com foco no equilíbrio e na postura. Em seguida, o objetivo é a estabilização do core, por meio de exercícios de força. “Todo o movimento é voltado para a estabilização do centro do corpo”, afirma Frederico Nobre, professor da modalidade.
 
Alguns exercícios de core
 
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

 

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

 

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

 


Atenção aos músculos
 
Os 28 pares de músculos do core são responsáveis pela sustentação do corpo. Pedro Negreiros, professor de fisioterapia da Universidade Católica de Brasília, detalha a função dessa parte do organismo: “A região abdominal, por fazer conexão com o tórax e os membros inferiores, é importante para o equilíbrio e a boa postura”. A coluna vertebral atua também na vocalização. Os músculos abdominais cuidam da saída de ar pelos pulmões. Trabalham também para movimentos de tosse, protegendo as vias aéreas contra agentes infecciosos.
 
Fortalecer a musculatura evita desvios na coluna e protege contra deformidades. “O exercício físico é fundamental para manter a coluna reta, evitar desvios laterais e antroposteriores”, afirma Pedro Negreiros. Esses desvios são as cifoescoliose, hiperlordose cervical e lombar e hipercifose torácica. Quanto mais fortes os músculos, menor as chances de ocorrerem pequenas lesões também. “Quando a pessoa se machuca pegando um objeto no chão, o fator causador não foi a flexão em si da coluna. A culpa é da falta de treinamento da musculatura”, complementa Eduardo Netto.
 
Realizar exercícios a partir do abdome não é novidade. A centralização é um dos seis fundamentos do pilates, desenvolvido na década de 1920. “Trabalhamos todos os exercícios voltados para o centro. A região do abdome e lombar, que seria o centro de força, o core, serve para estabilizar a coluna. Com força centralizada você pode realizar os movimentos com menos energia”, explica Marlon Costa, instrutor de pilates.
 
A atividade é realizada de forma individualizada, dentro dos limites de cada um, de acordo com os conceitos de sistematização e hierarquia. “Primeiro, de forma sistemática, com os aparelhos a gente leva à centralização e maior estabilização do quadril. A pessoa faz movimentos até ter certa estabilidade motora”, explica Marlon Costa. A hierarquia é relativa à graduação das dificuldades das atividades, baseadas na capacidade do praticante. O método prioriza os enrolamentos, o endireitamento e, depois, trabalha as laterais e as rotações.
 
Os benefícios de treinar a região do core no pilates são fortalecer essa musculatura e estabilizar a coluna, o que evita seu desgaste. “As maiores patologias ocorrem por causa da falta de estabilização”, afirma Marlon Costa. Algumas lesões que podem ser  prevenidas com o fortalecimento dos músculos do core são hérnia de disco, artrose, problemas de joelho e ombro, tendinite e bursite. O exercício também contribui para a qualidade de vida de outras formas. Mulheres com falta de força de assoalho pélvico podem recorrer aos exercícios para evitar problemas urinários. Já os atletas, ganham maior agilidade.
 
Benefícios do core training
 
Prevenção de lesões articulares e musculares.
Melhora da consciência e controle postural.
Melhora do equilíbrio estático e dinâmico.
Minimização da perda de energia, o que proporciona maior eficiência motora.
 
Fonte: Eduardo Netto, especialista em motricidade humana

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