postado em 07/10/2012 08:00
Em tese, os suplementos alimentares existem para garantir aos atletas o nível adequado de vitaminas, minerais, fibras, ácidos graxos e aminoácidos para a prática desportiva. Alguns produtos são termogênicos, ou seja, aceleram o metabolismo. Eles ajudam na perda de gordura e aumentam o rendimento físico. Mas aqueles à base da substância dimetilamilamina (DMAA) apresentam uma série de perigos, incluindo efeitos sobre o sistema nervoso central, alterações cardíacas, insuficiência renal e falência do fígado, podendo levar à morte. Atenta a esses riscos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) baniu recentemente os suplementos das marcas Jack3D, Oxyelite Pro e Lipo-6 Black. Além do uso, estão proibidos o comércio, a distribuição e a divulgação desses rótulos.
A decisão da agência é mais um capítulo no debate sobre a necessidade do uso de suplementos alimentares por quem pratica atividade física. Mesmo que a maior parte deles não traga danos à saúde, os educadores físicos se preocupam com esse consumo desenfreado, já que isso pode trazer frustração ao aluno que busca resultados muito rápidos. Para o instrutor Ricardo Rambo, a suplementação dificilmente é necessária para quem acabou de começar na academia.
Ele critica os jovens que, na esperança de ganhar músculos rapidamente, acreditam que, antes mesmo de fazer a inscrição, já devem comprar seus produtos suplementares. "Suplementação não é exigência para quem quer perder gordura e ganhar massa magra. Às vezes, é até o contrário. O mais importante, primeiro, é ter uma boa frequência de exercícios, mantendo a periodicidade", garante. Ele explica que esses itens são chamados de recursos ergogênicos, ou seja, surgem quando o atleta precisa aumentar sua capacidade de trabalho. "Se ele ainda não tem nível de trabalho algum, por que ele quer deixá-lo maior?", questiona.
Contudo, eles não são para todo mundo. A nutróloga define que os suplementos foram criados, inicialmente, para ajudar atletas que, em função de esforço, tinham de corrigir a alimentação. Somente depois eles chegaram às academias. "Cada pessoa terá uma quantidade e um tipo mais indicado. O que é bom para um não é necessariamente bom para outro." Meriderval Xavier acredita, inclusive, que muito mais que suplementos, o importante é saber bem a hora de comer. "Sem cuidado com o alimento, nenhum trabalho será válido."
O instrutor de Xavier, Tiago Lacerda Esteves, 27 anos, faz atividade física desde os 15. Começou a tomar suplementos aos 17, quando praticava natação, atividade com alto gasto energético, e se sentia magro em excesso. "À época, fui ao nutricionista, que me passou uma dieta para ganho de peso. Os suplementos me ajudavam na logística, porque eu tinha dificuldade de carregar o que precisava comer." Assim, em vez de uma fonte de proteína, como um grelhado, ele tomava um shake feito com água. O seu caso foi satisfatório. Com ajuda desses artifícios, ganhou 17kg. Mas faz coro com os outros especialistas: sozinhos, os suplementos não passam de produtos químicos. "Se você se submete à ingestão deles, tem que fazer dieta. Tem que haver a disciplina com os horários e com o que se come." E, mais que isso, é preciso ter em mente que eles não são essenciais.
A professora universitária Cristina Castro, 35 anos, sempre praticou atividade física ; balé na infância e musculação na vida adulta. Nunca tomou nenhum componente químico para ajudá-la em seus treinos e garante estar satisfeita com seu corpo. "Sempre fui contra porque, para mim, o ganho do exercício só vem com disciplina e continuidade. Com elas, você alcança os seus objetivos." Ela mantém uma alimentação regrada e acha ruim quando precisa viajar porque não consegue manter a rotina, que inclui itens naturais, como ômega 3 e ômega 6, além de vitamina C e óleo de coco.
"Respeito meus limites. Tenho 35 anos, já tive dois filhos, não posso querer ter um corpo incompatível com a minha idade. Com isso, acho sim que regularidade, boa alimentação e bom sono são capazes de trazer o resultado pretendido", completa. A nutróloga Sandra Lúcia Fernandes afirma que itens como idade, peso e nível de treino vão definir o que será indicado. Além disso, é preciso saber o histórico médico do paciente. "Se ele tem algum problema renal, não vai consumir proteína em excesso. O uso errado pode trazer um efeito ruim no futuro ou mesmo nenhum efeito, o que não é o objetivo."
Ricardo Rambo frisa que somente um nutricionista ou um nutrólogo podem indicar suplementos e esses devem ser encarados como medicamentos caso o usuário espere, de fato, consequências satisfatórias. "A suplementação tem momento certo e, normalmente, um bom tempo depois de ingressar na atividade física", completa.