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Estado de Minas BELEZA

Pele blindada

Antes de curtir o verão, conheça as novas regras que a Anvisa determinou para a venda de protetor solar e saiba reconhecê-las no rótulo do produto


postado em 04/11/2012 08:00 / atualizado em 01/11/2012 15:43

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Não basta aplicar qualquer protetor na pele e se expor, sem medo, ao sol. Para assegurar que os produtos realmente funcionem, a Anvisa mudou, em junho deste ano, a legislação que regulamenta os filtro solares. Se antes só era obrigatória a proteção FPS, agora as marcas têm que garantir a proteção FPUVA, que deve ser de, no mínimo, um terço do valor do FPS. Um filtro de FPS 60, por exemplo, deve apresentar FPUVA 20. O FPS mínimo também mudou. Agora, deve ser acima de 6 em protetores solares. Em produtos multifuncionais, como antissinais e bases, é obrigatória a presença de FPS e FPUVA de, no mínimo, 2. Além disso, está proibido o uso das expressões “bloqueador” ou “100% de proteção” nas embalagens, já que as promessas são impossíveis de serem cumpridas.
 
A indústria tem até dois anos para se adaptar às novas exigências. Com a proximidade do verão, no entanto algumas marcas se anteciparam e já oferecem lançamentos que estão adequados às novas regras. “A Natura será a primeira a colocar em destaque o Fator de Proteção Solar (FPS) e o Fator de Proteção UVA (FPUVA) no rótulo frontal das embalagens”, comunicou a empresa.
 
Bons filtros solares protegem tanto de raios UV, quanto do UVA e do UVB. A ação dos protetores se dá por meio de substâncias químicas que absorvem a radiação solar ou por meio de substâncias opacas que a refletem. Já o número do fator de proteção solar (FPS) nas embalagens indica o poder de proteção contra raios UVB. Ele informa quanto tempo de exposição ao sol alguém pode se submeter. Por exemplo, se uma pessoa demora seis minutos para começar a se bronzear, com o filtro FPS 15, o mesmo efeito demora 15 vezes mais para acontecer, ou seja, 90 minutos.
 
Pessoas menos sensíveis ao sol podem optar por um FPS mais baixo. Peles negras, por exemplo, devem usar no mínimo um produto com FPS 15. Há um mito de que o sol não afeta tanto as peles mais escuras, mas a verdade é que ele as ataca da mesma maneira. De qualquer forma, além da cor é preciso prestar atenção ainda a seu tipo de pele. Se o protetor não estiver de acordo, o resultado pode ser um tiro no pé. A pele da brasileira é mais oleosa e, segundo uma pesquisa feita em 2011 para a Johnson&Johnson, a maioria das consumidoras reclama que os protetores solares realçam essa característica. Por isso, até marcas internacionais estão desenvolvendo produtos específicos para o Brasil. Elas são incentivadas, segundo Marcus Savoy, gerente de marketing da Roc, pelas necessidades de peles com alta sensibilidade à radiação solar.
 
Um filtro com óleo, aplicado na pele da maioria das brasileiras, provocaria acne. Por isso, elas devem optar por protetores em gel ou com formulação oil free. Já as peles secas exigirão o uso extra de creme hidratante, tantas vezes esquecido. Assim, a indicação é procurar por filtros em loções ou em cremes. Além disso, alguns protetores, principalmente os de substâncias que barram a radiação solar ao invés de absorvê-la, deixam a pele branca por muito tempo após o uso e são mais grossos. "Filtro solar é como um perfume. O que é bom para uma pessoa, não é necessariamente bom para a outra. A dica é testar até achar um ideal", aconselha o dermatologista Cristiano Velasco.


Sem medo do sol

 
Pele protegida é questão de saúde e beleza. O sol é, com o tabagismo, um dos maiores vilões da pele, como garante a dermatologista Cristina Salaro. “Os efeitos a curto prazo se traduzem em queimaduras de primeiro e, por vezes, de segundo grau. A longo prazo, a pele fica espessa, ressecada, com rugas e manchas”, alerta a médica. No caso mais extremo, pode ainda desenvolver um câncer.
 
Tantos estragos é resultado da radiação ionizante, UV, UVA e UVB, proveniente da luz solar, que tem tanta energia que chega a danificar o material genético das células da pele, das fibras elásticas e colágenas, além de alterar o funcionamento perfeito delas.
 
O UVB é o responsável pelo câncer e pelo bronzeado das camadas mais externas da pele. Aliás, o escurecimento da pele é justamente uma reação da melanina para se proteger do sol. Já o UVA é responsável pelo bronzeado e queimaduras, uma vez que atinge camadas mais profundas da pele.
 
O sol representa um perigo tão grande que empresas públicas e privadas, que contam com uma equipe que trabalha a céu aberto, adotaram o protetor solar como equipamento de segurança de trabalho, embora ele não conste na Norma Regulamentadora 06, da Portaria 3.214/78. É o caso dos Correios, que fornecem filtro solar a todos os carteiros. A medida sai muito mais barata do que arcar com os custos dos dias ausentes do profissional com a saúde prejudicada ou com a contratação de algum substituto.
 
Nem mesmo nos dias nublados, ninguém está livre da agressão do sol e da necessidade de passar protetor solar. As radiações atravessam as nuvens e continuam a atingir a pele. Portanto, ainda que ele não esteja evidente e forte, é importante proteger-se. Assim, o cuidado deve se tornar um hábito diário. Segundo o dermatologista Cristiano Velasco, mais importante do que usar um filtro de FPS alto é reaplicá-lo a cada duas horas.
 
O Brasil já é o país que mais vende filtro solar no mundo, mas, apesar disso, segundo a empresa de pesquisa Kantar WorldPanel, apenas 21% dos brasileiros se protegem dos raios solares. Em Brasília, devido ao tempo seco e à falta de nuvens, é preciso tomar ainda mais cuidado. “A incidência dos raios fica mais direta e, por não suar, as pessoas ficam mais tempo no sol até perceber os efeitos”, explica Cristiano.
 

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
O contador aposentado Fioravante Mieto, 64 anos, foi uma das vítimas graves da radiação solar. Com cabelos curtos e ralos, ele já precisou tirar diversas manchas da cabeça e, em 2010, teve um câncer de pele na orelha. Apesar do susto, Fioravante só usa o filtro solar quando vai à praia ou pescar, embora a recomendação dos dermatologistas seja usar o produto sempre, a qualquer hora do dia.
 
“Diariamente não vejo necessidade porque não passo nem meia hora no sol, mas quando vou à praia ou pescar, me lambuzo todo”, garante. Ele conta que, quando era jovem, ninguém se preocupava com os males dos sol: “Acho que a primeira propaganda de conscientização sobre o câncer de pele que vi foi já nos anos 90”.
 
O uso restrito de protetor no Brasil é cultural. Até pouco tempo atrás, não se usava o produto nem mesmo para ir à praia. A moda era exibir o bronzeado. Para alcançar a cor desejada, valia passar até mesmo refrigerante e óleo de cozinha na pele. “Quem tem mais de 35 anos foi criado com uma cultura de que o bonito era ter a marquinha. As pessoas tomavam sol de dia para poder sair à noite vermelhas”, lembra Cristiano.
 
De lá para cá, o brasileiro se acostumou a passar filtro apenas ao se expor ao sol — tanto é que a indústria de protetores solares registra um aumento de 80% das vendas durante o verão —, mas poucos adquiriram o hábito de aplicar o filtro todos os dias. Para o dermatologista, passar filtro solar diariamente devia ser ensinado às crianças da mesma forma que a escovação dos dentes.
 
A recepcionista Ivana Barbosa, 52 anos, não se cuidava ao tomar sol. Ela não passava protetor solar na adolescência e abusava no bronzeado. A má rotina resultou em manchas e sardas no rosto, no pescoço e no colo. Para aliviar as marcas, que costumam ser permanentes, Ivana faz tratamentos para as manchas. Foi preciso passar por isso para adquirir o hábito do filtro solar. “Agora passo protetor forte todos os dias, uso chapéu e procuro não tomar sol direto. Quando era mais jovem, não usava por falta de costume e era caro. Agora, não fico sem”, conta.
 
Outras proteções
 
Não é só a pele que está sujeita aos males do sol. Olhos e cabelos também devem ser protegidos. Os primeiros por questão de saúde, os segundos, por estética. Óculos de sol, chapéus, bonés são sempre bem-vindos quando o sol está muito forte. Hidratar o cabelo é bem importante quando ele fica muito exposto ao sol e vale investir em um protetor labial para evitar o ressecamento da boca. Não adianta pensar que resolve ficar embaixo do guarda-sol na praia sem protetor. Alguns raios UVA e UVB passam pelo tecido.
 
Os óculos de sol devem sempre ser protegidos com filtros contra as radiações solares. Em casos de luz intensa, nossos olhos, para se protegerem, contraem as pupilas. Quando colocamos os óculos, eles deixam o ambiente mais escuro e as pupilas se dilatam. Se não houver um filtro para protegê-las, usar os óculos será ainda pior, pois a radiação atingirá diretamente as pupilas dilatadas, não contraídas.
 
Agradecimentos: Natura e Hospital Daher
 
Quer se bronzear?
 
De acordo com a dermatologista Cristina Salaro, há pessoas que, por mais que tentem,  não se bronzeiam, apenas prejudicam a própria pele. É o caso das peles muito brancas. O jeito é escolher um FPS alto, afinal tomar sol também é importante para a produção de vitamina D. Peles com muitas manchas, independentemente da cor, também pedem protetores fortes.
 
As morenas têm a vantagem de poderem se bronzear, mas existe a maneira correta de fazer isso: “Iniciar a exposição solar com moderação e aumentar paulatinamente o tempo de bronzeamento, sempre antes de 10 da manhã e após 4 da tarde”, indica Cristina. Excesso de sol, de uma vez, só provoca queimaduras.
 
A alimentação também pode ser uma aliada do bronzeamento saudável. “Produtos ricos em carotenoides, como mamão, laranja, cenoura, e outros de cor laranja, ajudam a proteger a pele dos raios solares, ao mesmo tempo que estimulam a produção de melanina. Há também suplementos que podem ser ingeridos nesse sentido, é só consultar um dermatologista”, aconselha Cristina. Ela ressalta também a necessidade de beber muita água e utilizar cremes hidratantes após exposições longas ao sol. O cuidado evita o ressecamento excessivo e mantém o bronzeado bonito.

Escolha sua proteção
 
Pessoas que costumam se bronzear e às vezes ficam vermelhas : FPS 15
 
Pessoas que costumam se bronzear e quase sempre ficam vermelhas: FPS 30
 
Pessoas que quase nunca se expõem ao sol e sempre ficam vermelhas: FPS 60
 
Fonte: Academia de Beleza Natura

 
Contra as agressões do sol


(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)

1. Desenvolvido para peles sensibilizadas por tratamentos estéticos, como peelings, lasers e ácidos, o Physical Fusion UV Defense FSP 50, da SkinCeuticals, apresenta cor adaptável a todos os tipos de pele. (R$ 89)

2. A Loção Protetora Spray, da Natura Fotoequilibrio, possui textura leve, secagem rápida, ação antioxidante, resistência à água e ao suor, além de proteção imediata. Também conta com hidratação por 12 horas. (FPS 30 / FPUVA 10 R$ 39,80 e FPS 60/ FPUVA 20 R$56,50)

3. Proteção avançada e uma pele protegida, hidratada e sequinha são os benefícios da nova linha de protetores Neutrogena, composta por nove produtos. Com textura ultraleve e rápida absorção, o Sun Fresh proporciona uma pele protegida com toque seco, devido à fórmula não oleosa. (R$ 27,90, o FPS 30 e R$ 39,50, o FPS 60)

4. Além da alta proteção contra os raios UVB e UVA, a Loção Protetora Esporte, da Natura Fotoequilíbrio, oferece extrarresistência à água e ao suor. Tem textura leve, secagem rápida, ação antioxidante. A fórmula é fotoestável, ou seja, mantém o nível de proteção durante o tempo de exposição ao sol. (R$ 48,70)

(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)
 
1. Com uma textura seca, sem brilho, o fotoprotetor Capital Soleil Toque seco FPS 50, da Vichy, alia alta proteção contra raios UVA/UVB à uma inovadora fórmula para a pele oleosa. O produto é à prova d’água e de suor, ideal para o uso no dia a dia. (R$ 56,90)

2. O Anthelios AC Gel-Crème, da La Roche-Posay, reúne o melhor da proteção UVA e UVB em uma textura de toque seco totalmente adaptada à pele oleosa. (R$ 59,90, o FPS 30
e R$ 69,90, o FPS 60)

3. O Minesol Oil Control FPS 70, da Roc, apresentam exclusivo controle de oleosidade da pele. Sua tecnologia protege contra a ação nociva dos raios UVA/UVB, graças ao perfeito equilíbrio de filtros fotoestáveis. (R$ 62)

4. A Sundown lança primeiro protetor solar que pode ser aplicado na pele molhada. (R$ 28,45, o FPS 15; R$ 36,20, o FPS 30 e R$ 43,40, o FPS 50).
 

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