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Correio Braziliense BICHOS

Quando os pássaros se estressam

Há várias causas para a automutilação em aves, entre elas o nervosismo e a ansiedade. Em muitos casos, a mudança no ambiente ajuda a resolver o problema


postado em 31/03/2013 08:00 / atualizado em 29/03/2013 15:24

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 

Roer unhas é hábito característico de ansiedade nos humanos. No reino animal, em especial das aves, a reação análoga é arrancar as penas. A ordem dos Psittaciformes (papagaios, araras, calopsitas e periquitos) é a que mais sofre com parasitas, mas também com o estresse. As duas causas levam ao ato de arrancar as penas. Já a deficiência nutricional pode causar queda de penas. Incomodado, o passarinho passa a arrancar aquelas que ainda sobraram. No caso de parasitas, algumas semanas de tratamento resolvem o problema. No entanto, se a causa for o estresse, leva-se mais tempo. Por vezes, pode-se não conseguir evitar o hábito.

Nu é um papagaio fêmea. A história dessa ave é confusa para os veterinários e biólogos que cuidam dela no Jardim Zoológico de Brasília — não se sabe a idade nem as condições em que o papagaio vivia antes de ser apreendida e ser submetida aos cuidados da veterinária Ana Cristina de Castro. O papagaio tem o peito cor de rosa, completamente pelado. A ave não para de arrancar penas e teve de ser isolada para não incentivar outros animais. "Não temos como dar um diagnóstico preciso, vamos tratando com tentativas. Ele já chegou assim", diz a veterinária. "É uma pena que tenham deixado Nu chegar a este ponto", lamenta o biólogo Vinícius Pereira.

Ele é responsável por uma das frentes de tratamento no caso de automutilação por estresse: enriquecimento ambiental, que consiste em preparar o ambiente em que o pássaro vive, incluindo a gaiola e o espaço em volta. "Lugares muito apertados são ruins, assim como a mudança de sons pode ajudar", explica o biólogo.

Vinícius Pereira confecciona também aparelhos para os pássaros se exercitarem, já que a causa mais comum entre os animais estressados é o tédio. "O animal que fica ocioso tende a mudar o comportamento para pior. Fica chateado e sem motivação", conta Pereira. Para Nu, no entanto, os aparelhos e a mudança de ambiente não têm funcionado. Já para duas araras que tinham o mesmo problema, bastou mudá-las de lugar e as penas voltaram a crescer. "Uma construção civil ao lado da gaiola deixou-as mais ambientadas e felizes", explica Ana Cristina.

Animais com sintomas de automutilação costumam ser nervosos, por isso, algumas vezes, é necessária a introdução de tranquilizantes naturais, como o maracujá, por exemplo. Veterinários explicam que passar algo com "gosto ruim" nas penas não adianta muito, pois as aves continuam a se bicar. Se o arrancamento torna-se hábito, é difícil eliminá-lo. "Não se para de roer unha com tanta facilidade", compara Pereira.

Leia a matéria na íntegra, na edição impressa da Revista do Correio

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