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Correio Braziliense BICHOS

Nutrição sob medida

Se o pet anda desanimado, com queda de pelo e com dermatite, pode ser que ele tenha alergia a alguma substância da dieta. Donos devem observar o que o animal come


postado em 21/04/2013 07:00 / atualizado em 12/04/2013 17:14

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Queda de pelo, coceira crônica, erupções na pele e fezes amolecidas podem ser sintomas de alergia alimentar. O animal se sente incomodado, o prurido pode ser tão grande que surgem feridas na pele. Na maioria dos casos, a hiperssensibilidade é causada por algum alérgeno de fonte protéica (carnes). Donos buscam, então, opções para os animais, entre elas ração especial, comida caseira e até ração importada.

Mille e Meg são cadelas da raça westie. As duas começaram a apresentar sintomas de alergia logo cedo, com 2 anos. Meg foi a primeira a ter reação alérgica: olhos inchados e barriga vermelha. “Corri diretamente para o veterinário, fiquei com medo de ela ter um choque anafilático”, conta a servidora pública Margareth Cezar, dona dos animais. O veterinário passou anti-histamínico e disse que, provavelmente, Meg sofreu um processo alérgico a picada de inseto. Meses depois, começaram a aparecer feridas também na pele de Mille. A orelha ficou inflamada e o pelo caiu em partes do corpo. Com os sintomas clássicos de alergia alimentar, o veterinário dos dois pets, Pérsio Montebello, descartou alergia a picada de inseto e orientou a dona a tirar potenciais alérgenos da dieta delas. “Às vezes, mesmo tirando a carne ou trocando a ração, não se descobre o que está causando a alergia. Nesses casos, indicamos exame de sangue”, explica o veterinário.

O exame para detectar alergias é feito por meio da retirada de sangue. Ele consegue detectar qual é o nível de sensibilidade que o animal tem a determinado alimento ou produto. Sem saber o problema das duas cachorras, Margareth optou pelo teste, e ficou surpresa ao descobrir a quantidade de alimentos aos quais Mille e Meg tinham alergia. A servidora pública desembolsou R$ 500 para fazer o exame. “Ainda tive de enviar para São Paulo, pois não existe aqui em Brasília.” Além da retirada de frango e da carne bovina da alimentação das cachorras, Margareth tentou um tratamento conhecido como autovacina. O processo baseia-se na imunoterapia, com a intenção de causar tolerância a um determinado alimento. O sangue do animal é tirado, então o soro e o alérgeno são reaproveitados e introduzidos no animal em forma de vacina. A técnica, conhecida como tratamento homeopático, ainda deixa dúvidas. “Em alguns casos, funciona; em outros, não”, comenta o veterinário.

Se o animal tem alergia a só um alimento, fica mais fácil tratá-lo por meio da escolha de rações certas. Os donos, entretanto, ainda encontram dificuldades. “A maioria das rações brasileiras, se não contém frango, contém traços dele”, diz Margareth, que chegou a comprar ração de peixe importada dos Estados Unidos.

O que é alergia alimentar?
O sistema imunológico costuma atacar substâncias e micro-organismos, como bactérias, vírus e toxinas, que fazem mal. “Em animais com alergia, o corpo passa a atacar também certos alimentos que não causariam mal ao cão ou ao gato”, explica o veterinário Pérsio Montebello. A substância é tratada pelo organismo como um antígeno, um corpo estranho que precisa ser atacado. Por isso, os donos devem observar bem todas as proteínas da dieta do pet, uma vez que podem ser reconhecidas como substâncias estranhas pelo sistema imunológico. Os alérgenos incluem carnes bovinas, suínas, além de frango, peixe, leite bovino, ovos, trigo, glúten e até derivados de soja. A alergia alimentar causa coceira intensa, provoca lesões na pele e facilita infecções secundárias, como bactérias ou fungos.

A diferença para a intoxicação
Alergia alimentar acontece quando o corpo do animal não reconhece a substância como alimento. Já a intoxicação se refere a um alimento que faz mal ao organismo do pet e pode causar até a morte. “Caso típico é o chocolate, pode causar sérias complicações no cachorro”, comenta Montebello. A intoxicação é provocada pela ingestão de alimento contaminado por micro-organismos, produtos químicos ou substâncias maléficas ao corpo. Chocolate contém uma substância bastante tóxica para os cães, a teobromina.

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