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Estado de Minas BICHOS

Cada um com sua dieta

Para especialistas, compartilhar alimentos com o cachorro pode causar sérios problemas ao melhor amigo. A ração tem todos os nutrientes de que ele precisa


postado em 26/05/2013 08:00 / atualizado em 24/05/2013 17:22

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A dieta dos cães continua um tabu para muitos donos. Alimentos cozidos, fritos ou com uso de conservantes podem fazer muito mal e, em casos graves, até intoxicá-los. Em contrapartida, há quem dê apenas ração ao cachorro, com raros espaços para petiscos. Também é crescente o número de adeptos da dieta natural — refeições cruas, diversificadas, balanceadas e sem qualquer adição de ração industrializada. Mas, afinal, o que pode e o que não se pode dar ao pet?

Camila Marques, 18 anos, é dona de Cris, um vira-lata de 2 anos e meio que come de tudo. O cãozinho aproveita a hora do almoço para petiscar. "Sempre dou as sobras para o Cris. Ele adora." Camila conta que, em conjunto com a ração, costuma oferecer frutas. "Ele come maçã, sua fruta preferida, uva, banana, e gosta muito." Camila também mistura arroz com a ração "para dar uma fortificada", como explica. As carnes só são oferecidas quando cozidas. "Eu divido o que estou comendo na hora. Pode ser salsicha, frango, carne", diz a jovem, que também compartilha pão, biscoito e até alimentos inusitados (para cachorros), como mousse de maracujá, sorvete e iogurte. Para a estudante, essa dieta não faz mal ao cãozinho. "Se eu desse com frequência, acho que faria mal. Mas como dou só um pouquinho…". Camila conta que o cão nunca teve problemas de saúde e que frequenta regularmente o veterinário.

Para a veterinária Katiane Carneiro, o hábito de dar as sobras dos nossos alimentos aos cães é antigo e perigoso. "Antigamente, se você olhar as pesquisas, os cães viviam, em média, três, quatro anos a menos que hoje em dia. Isso principalmente por conta da alimentação." A veterinária conta que não diz aos clientes que é proibido compartilhar comida com os cães. Entretanto, explica que ter um maior cuidado com o que é oferecido é fundamental. "Os cães não têm o mesmo metabolismo que o nosso. É necessário ter cautela para não desbalancear e prejudicar a dieta, ou até intoxicá-los." Dar ossos ou pedaços de frango e carne pode parecer algo inofensivo, mas a conta chega no fim da vida dos animais. "É como se os cães tivessem um depósito de comida prejudicial. No início, ele está vazio, mas, conforme a frequência, ele vai enchendo, e isso acarreta várias doenças," justifica a veterinária.

Se antigamente era comum oferecer restos de comida ou "fortificar" o almoço do cachorro com arroz também — contraditoriamente — era rara a incidência de doenças como diabetes, gastrite e câncer. Para Katiane, a resposta para esse fenômeno está justamente na má alimentação. "Você não via tantas doenças graves porque os cães simplesmente não viviam tempo suficiente para tê-las. Esses são males comuns a cachorros na terceira idade", explica. A veterinária garante que uma ração tem tudo que o animal precisa — contém cerca de 50 ingredientes que tornam a dieta balanceada e correta.

"É comum a gente ver os donos dizendo que o cãozinho sofre por comer sempre a mesma coisa. Por isso, dão alimentos impróprios como o pão." Os pets, porém, não conseguem metabolizar alimentos comuns à nossa dieta, o que significa a incidência de várias doenças. O arroz, por exemplo, é um carboidrato e, acima da dosagem, pode causar diabetes, obesidade e problemas na dentição, como tártaro. O pão contém fermento, o que, além de deixar o animal com gases, pode gerar torção gástrica. Frangos e carnes, quando cozidos, oferecem perigo por conta dos condimentos — cães não digerem bem alho, pimenta, sal etc. Além disso, as carnes oferecem uma superdosagem de proteína e, se oferecidas com frequência, acarretam alergia.

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