Publicidade

Estado de Minas BICHOS

A difícil tarefa de procriar

Para algumas raças, cruzar é trabalhoso. Para outras, o problema maior ocorre na hora do parto. Cães de pequeno porte e de focinho achatado são os que mais sofrem nessas situações


postado em 23/06/2013 08:00 / atualizado em 21/06/2013 16:26

(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Esther é uma pinscher de 3 anos. No ano passado, ficou prenha de um cão da mesma raça. A dona, a vendedora Patrícia de Castro, percebeu que ela estava diferente por conta do ganho de peso e da dificuldade de se movimentar. Estava mais preguiçosa, não subia mais na cama nem no sofá. "A barriga começou a crescer, e percebemos que ela estava prenha, mas não tive a preocupação de ir ao veterinário", diz. A pinscher ficou bem até o fim da gestação, então entrou em um trabalho de parto que durou cinco horas — o normal para cadelas é de três. Sem saber o que fazer, Patrícia resolveu levá-la imediatamente ao veterinário, que teve de fazer uma cirurgia de emergência. Esther conseguiu sobreviver, mas o filhote não, por falta de oxigênio. A cadelinha foi operada, castrada e passa bem. "Gostaria de ter ido antes ao veterinário, poderia ter evitado a morte do filhote", lamenta a vendedora.

O que aconteceu com Esther não é incomum. Segundo o veterinário André Bulcão, raças menores, como pinscher, yorkshire toy e poodle toy, têm tendência a complicações na hora do parto. "Como são muito pequenos, sofrem por carregar os filhotes, sobretudo quando o feto está altamente desenvolvido", explica. Por isso, a indicação é a de que as cadelas engravidem apenas após o terceiro cio, quando o corpo já está mais preparado para a cria. "As chances de complicação em cadelas muito novas é maior, o útero e o sistema reprodutivo ainda não estão prontos para receber um embrião", alerta. Por isso, donos devem ficar atentos ao cio das fêmeas, para que avaliem a hora certa de cruzar. Outro fator que deve ser levado em conta é a mistura de raças — muitas cadelas morrem por não suportar filhotes pesados demais. "Se for cruzar raças diferentes, é bom evitar que o tamanho seja discrepante, isso pode fazer mal ao filhote ou à cadela na hora do parto", ressalta o veterinário.

Enquanto algumas raças têm problemas na hora de dar à luz ou para sustentar a prenhez, outras têm dificuldade até mesmo para cruzar. Os buldogues são um caso clássico — eles cansam rápido e não têm altura suficiente para montar. "A maioria das procriações entre buldogues é feita por inseminação artificial, 99% acontecem dessa forma", explica Kleber Felizola, veterinário especialista em reprodução e criador de buldogues. Normalmente, os chamados braquicefálicos, cães de focinhos achatados, têm esse problema. A respiração é difícil por conta do nariz curto. Por isso, mesmo que consigam montar, a penetração não ocorre por muito tempo.

Outros cães braquicefálicos são o pug, o boston terrier, o pequinês, o boxer e o boardeux. Para eles, o parto também pode ser complicado, em razão do tamanho da cabeça — são comuns intervenção cirúrgica e cesariana. "Existem pessoas que tentam fazê-los cruzar, porém, é uma cena hilária. Precisa-se de, no mínimo, três pessoas. Uma para segurar o cão, outra para movimentar e outra para segurar a cadela", comenta Felizola. A gestação canina dura, em média, 60 dias e deve ser acompanhada pelo veterinário.

Leia na edição impressa a íntegra da matéria

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade