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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Doce que vicia

O que está por trás de Candy Crush, game que se tornou uma verdadeira mania, principalmente entre usuários de smartphones


postado em 01/09/2013 08:00 / atualizado em 30/08/2013 15:54

(foto: Janine Moraes/CB/D.A.Press)
(foto: Janine Moraes/CB/D.A.Press)
Quem tem mais de 30 se lembra (emocionado) de Tetris. Talvez tenha jogado o clássico Genius (juventude, dê um Google). Mesmo os veteranos, porém, não estão imunes ao fascínio multicolorido de Candy Crush. Criado em 2012 pela empresa King, o game era, inicialmente, compatível apenas com dispositivos IOS. Hoje, está disponível para Android e roda em PCs via Facebook ou no site do desenvolvedor.

Funciona assim: o jogo é dividido em diversas fases, que, por sua vez, estão divididas em episódios. Para ultrapassar uma etapa, o jogador precisa fazer combinações de três ou mais doces da mesma cor, cumprindo assim o objetivo proposto, que pode ser um número de pontos ou uma missão específica. Já para ir de um episódio a outro, o jogador precisa ter mais paciência. São três as opções disponíveis, pedir que três amigos, conectados via Facebook, enviem tíquetes, cumprir três missões diferentes, uma por dia, ou comprar a sua "passagem" para uma nova etapa do jogo por preços que variam de 99 centavos de dólar a US$ 2,99.

Além dessa particularidade, existem outros aspectos do jogo desenhados para seduzir os jogadores. Entre eles, podemos citar as "vidas" do jogo. Cada pessoa pode acumular, no máximo, cinco vidas — quando o limite ainda não foi atingido, é oferecida uma oportunidade a cada 30 minutos. "O jogo não é montado dessa forma por acaso. Tem uma lógica que busca cativar o jogador, criando a expectativa e a ansiedade", explica o psicólogo Valmor Borges.

O especialista ressalta que a fórmula é antiga. Jogos que alternam fases fáceis e difíceis são bem conhecidos por sua capacidade de atrair as pessoas. Valmor explica que isso acontece pela sensação da competitividade, pela curiosidade da próxima fase e pelo prazer de se descobrir capaz de vencer mais um desafio. Um dos fatores que mais envolve o jogador, porém, é o fato de que o jogo está sempre incompleto, impulsionando-o para as próximas fases.

Lívia Lins Cardoso Borges, 23 anos, servidora pública, conta que conheceu o jogo por meio de amigos e hoje se considera "viciada". "É um caminho sem volta", brinca. A jovem começou a jogar há dois meses, está na fase 103 e joga cerca de três horas por dia. O também servidor público Gregório Borges Machado, 30, é contra a mania da mulher. "Quando nos mudamos, eu não trouxe meu videogame, acho injusto", argumenta. A jovem se conecta ao Crush após o expediente, das 19h às 22h. A tolerância de Gregório aumentou quando ele próprio se viu fisgado. A dificuldade agora é compartilhar o celular — o casal passou a competir pelo dispositivo e pelas vidas gastas.

O maior atrito trazido pelo jogo aconteceu antes de uma viagem. Lívia e Gregório estavam indo para o Festival Literário de Paraty, um antigo sonho, e quase perderam o avião porque se atrasaram. Lívia estava jogando e acabou perdendo a noção do tempo. "Eu me estressei porque era a viagem dos nossos sonhos, e ela se distraiu, fiquei bravo!", conta Gregório, que, além de servidor público, é escritor e apaixonado pela festa literária que mobiliza a cidade fluminense. Hoje, os jovens encontraram o equilíbrio: enquanto Lívia está jogando, Gregório aproveita para escrever.

A psicóloga Izabela Maria de Oliveira Pinheiro explica que não há como determinar um parâmetro único para saber se a pessoa precisa de um "detox". "Não tem um padrão, mas o jogo é saudável quando não altera os outros aspectos da sua vida", explica. Ela chama a atenção para o fato de que o aplicativo está integrado ao Facebook, o que o torna rotineiro. "A interação que vem com a rede social aumenta o desejo de jogar, toda hora tem alguém te lembrando", completa.

Curiosidades coloridas

A página oficial do Candy Crush no Facebook tem aproximadamente 42 milhões de fãs.

O perfil do jogo no Twitter tem cerca de 29 mil seguidores.

Candy Crush é, atualmente, o segundo jogo mais popular na App Store (loja de downloads da Apple).

O site Distimo, que faz análises de aplicativos e suas rentabilidades, indicou que o Candy Crush foi o aplicativo que mais gerou renda na App Store e na Google Play (loja de aplicativos dos dispositivos Android) em julho passado.

Existem grupos no Facebook nos quais as pessoas fazem amizade com desconhecidos para obter ajuda no jogo.

O cantor Psy, autor do hit Gangnam style, lançou o clipe de sua nova música, no qual aparece jogando Candy Crush.

De acordo com a desenvolvedora do jogo, o Candy Crush tem cerca de 9 milhões de usuários ativos, por dia, no Facebook.

69% dos jogadores são mulheres, 30% são homens e 1% não foi possível identificar.

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