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Estado de Minas PERFIL

Um modelo de quarentona

Kate Moss abre a série de reportagens que vai retratar pessoas que fazem história no mundo da moda. Na contramão da maioria das top models, ela chega aos 40 anos com a carreira em ascensão


postado em 12/01/2014 08:00 / atualizado em 10/01/2014 17:53

(foto: REUTERS/Luke MacGregor )
(foto: REUTERS/Luke MacGregor )
Quando um ícone da indústria da moda chega aos 40 anos, não é a mesma coisa de quando qualquer mortal completa a mesma idade. No próximo dia 16, a modelo Kate Moss acordará quarentona. Com 26 anos de carreira — um feito e tanto para a profissão que, via de regra, atinge o auge tão rápido quanto chega à derrocada —, Kate comemora a data provando que seus dias de top e símbolo sexual estão longe de minguar, já que, desde muito antes da chegada da data, o mercado de homenagens e retrospectivas anda bem aquecido.

Para começar, Kate é a estrela da edição de aniversário da revista Playboy norte-americana, que circula agora em janeiro. Além disso, acaba de assinar sua terceira colaboração com a rede fast fashion Topshop, quatro anos depois do lançamento da última coleção com seu nome. Isso tudo sem contar o documentário inédito que será transmitido pelo canal pago francês Paris Première, hoje, Looking for Kate. O programa promete entrevistas e depoimentos inéditos de pessoas que trabalharam com a modelo ao longo da carreira, como a estilista Isabel Marant, a editora-chefe da Vogue italiana, Franca Sozzani, e vários fotógrafos renomados no mundo da moda. Só mesmo Kate — que não autorizou a produção e deve estar preocupada com a "homenagem" de aniversário — não deu seu depoimento para o documentário.

Não que a modelo não esteja acostumada a lidar com controvérsias. A polêmica, ao lado de campanhas, capas e editoriais que ficarão para a história da moda, praticamente delineou a carreira de Kate Moss do início até aqui. Na infância, a modelo frequentou a Ridgeway Primary School, em Londres, mas não chegou a ser exatamente uma aluna exemplar. Foi descoberta aos 14 anos no aeroporto JFK, em Nova York, por Sarah Douglas, fundadora da agência de modelos Storm. Na época, foi o visual "waif" de Kate — uma expressão usada para descrever modelos supermagras e de olhos enormes, como a Twiggy — que chamou a atenção da empresária. Quatro anos depois, aos 18, posou para a campanha de lingerie da Calvin Klein, ao lado do ator Mark Wahlberg, e fez topless para o anúncio de um perfume da marca.

A primeira capa para a revista Vogue veio em 1993, clicada pela fotógrafa Corinne Day. "Como modelo, Kate desafia qualquer categorização. Ninguém poderia imaginar o universo das modelos sem ela", definiu a própria revista, em um editorial dedicado a Kate na sua página virtual. "Costumava-se ter uma idade limite para as modelos, mas a carreira dela está qualquer coisa menos desacelerando. E ela continua a diversificar. Seu perfume, Kate, foi lançado em 2007, assim como sua linha de roupas e quem sabe o que vem a seguir", está escrito na publicação.

"Foi a personalidade, a atitude e o carisma dela que a permitiram chegar aonde está e se manter no topo", observa Zeca Abreu, diretor da Way Models, uma das mais importantes agências de modelos do país. Prova disso, ele lembra, é que Kate não se deixava ofuscar na passarela pelas contemporâneas Cindy Crawford e Linda Evangelista, bem mais altas e de beleza mais comum. "Kate Moss foi uma exceção desde o início da carreira. Ela não tem altura suficiente, deve ter no máximo 1,70m, e, mesmo assim, conseguiu se firmar", observa. "Lembro de quando a Gisele (Bündchen) começou. Eu tinha um livro da Kate Moss que, para mim, era como uma Bíblia. E olha que isso era anos 1990, a Kate era supernova. Mas eu mostrava aquele livro para Gisele e dizia ‘isso aqui, sim, é modelo’", lembra.

E daí para frente, segundo Zeca, toda uma geração de modelos que surgiu nos anos 1990 — muitas brasileiras, inclusive, como Ana Cláudia Michels — deve o seu sucesso de alguma forma à modelo britânica. "Ela praticamente criou um novo estilo de modelo. Conseguiu captar todo um estado de espírito, no cinema, na música, nas artes, e transformar isso em imagem. É por isso que ela deixou de ser top model para virar o ícone de uma geração", diz.

Sem conseguir fugir dos escândalos

(foto: AFP PHOTO/Patrick Kovarik, Mert Alas e Marcus Piggott/Divulgacao e Herb Ritts/Pirelli)
(foto: AFP PHOTO/Patrick Kovarik, Mert Alas e Marcus Piggott/Divulgacao e Herb Ritts/Pirelli)

A combinação de rosto queridinho da moda e a vida pessoal bastante agitada — embora ela sempre tenha se esforçado em se preservar da imprensa e negado entrevistas — ajude talvez a explicar a popularidade da modelo. Em 1998, com o fim mais do que público do seu relacionamento de quatro anos com o ator Johnny Depp, Kate foi parar em uma clínica de reabilitação em Londres sofrendo, segundo ela mesma, de exaustão. Três meses depois, quando saiu de lá, chegou a declarar que havia passado a última década modelando bêbada. Alguns anos depois, começou a se relacionar com Jefferson Hack, na época editor da revista Dazed & Confused, com quem teve a filha, Lila Grace, nascida em 2002.

Em 2005, seu envolvimento com drogas, que até então não passava de rumores os quais Kate dizia serem "ridículos", foi escancarado na capa do tabloide britânico Daily Mirror. A publicação trazia imagens da modelo cheirando várias carreiras de cocaína e esmiuçava detalhes, como o que Kate teria usado uma nota de cinco euros para cheirar cinco carreiras da droga em menos de 40 minutos. Na época, a modelo namorava o músico Peter Doherty, da banda The Libertines, que disse que seu empresário teria vendido as imagens para o jornal por mais de 150 mil euros. O escândalo rendeu a Kate o cancelamento de vários contratos. A H&M, por exemplo, que sempre foi bastante exigente quanto ao comportamento de suas garotas-propaganda, pagava cerca de 4 milhões de euros à modelo na época.

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