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Estado de Minas FITNESS

De galho em galho, na rua ou na academia

O parkour continua ganhando adeptos na cidade. A novidade são os treinos indoor, que preparam o indivíduo para os obstáculos ao ar livre


postado em 02/02/2014 08:00 / atualizado em 31/01/2014 17:37

(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)
(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)
Atividade física típica das ruas, o parkour (que vem de parcours, percurso em francês) está agora também em algumas academias de Brasília. Ao ar livre ou indoor, o objetivo é transpor os obstáculos que surgirem no caminho. O fato de que o corpo todo é trabalhado e não há uso de pesos suplementares faz a modalidade ser comparada ao cross fit. Mas as semelhanças param aí.

No ambiente fechado, os galhos de árvores, os muros e o concreto são substituídos por barras de ferro, tábuas de madeiras e outras peças que simulam as situações que podem ser encontradas na rua. Tudo isso para que os alunos se equilibrem, pulem, pendurem-se e façam as estrepolias que lhes vierem à cabeça.

O parkour migrou dos subúrbios franceses para a capital federal há cerca de oito anos. Por ser muito recente, a maioria dos traceurs (os "traçadores" de percursos) da modalidade começou a praticá-la por conta própria, caso dos estudantes Kayo Carneiro, 20, e Luca Baêta, 22. Eles contam que, de tão poucos, quase todos os envolvidos com o parkour em Brasília se conhecem — pessoalmente ou na internet. Encontros interestaduais são frequentes. Luca, inclusive, já recebeu em sua casa um praticante que vinha de Manaus para um evento local.

A atividade não é considerada esporte, pois não dispõe de regras específicas nem de competições. Mas não há dúvida de que exercita o corpo e a mente. "A única competição é com você mesmo, pra se superar a cada movimento", reflete Luca. Para Kayo, o parkour faz com que ele olhe de uma forma diferente não só os caminhos, mas a vida em geral. Além disso, ajuda no outro esporte que pratica, o basquete. "Um complementa o outro. No basquete, eu tenho que tomar decisões rápidas pra não perder a bola. O parkour me força a pensar rápido porque o que está em questão é não me machucar. Se algum movimento não dá certo, tenho que emendar com outro", conta.

Um grande empecilho a ser superado pelo praticante é o medo. Kayo confessa que, no início, não tinha muita coragem de se jogar. Começou tentando pular uma mesa de pingue-pongue, apoiando a mão. Não dava certo. Caía em cima da mesa. Até que resolveu pegar mais impulso. "Decidi que, se eu me machucasse, tudo bem. Quando a gente decide de verdade e perde o medo, parece que a gente estava preso por uma coleira e se soltou", compara Kayo. Embora pareça uma decisão impulsiva, cada trajeto é muito bem estudado. Eles costumam, inclusive, filmar os treinos para depois assistir e avaliar a qualidade dos movimentos.

(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)
(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A.Press)
O pequeno Ishan Albuquerque de Silva, 10 anos, também começou praticando o parkour sem instrutores. "No meu prédio, tem uma casinha na árvore onde a gente se pendura, tem cerca, muro", descreve o garoto, que descobriu o parkour na internet, vendo vídeos no YouTube. De passagem na capital em visita à mãe, Isham está aproveitando também para treinar a modalidade mais formalmente, com técnicas. O professor de Ishan, Pedro Santiago, recomenda que todo praticante de parkour indoor treine também nas ruas.

Ao assistir às primeiras aulas do filho, Isabelle Albuquerque não demora a constatar: "Descobri que fazia parkour quando era criança e nem sabia". De fato, para muitos, praticar parkour é voltar à infância, quando não tínhamos medo de escalar muros e grades. "As crianças têm mais facilidade. Já chegam pulando. Uma ou outra é um pouco mais tímida, mas é do instinto delas se mexer como bem entendem. Os adultos estão condicionados a se movimentar de forma socialmente aceita", opina Santiago.

Não é qualquer adulto que chega com habilidade e coragem para alguns saltos. O professor João Lagos Ungarelli explica que, com os iniciantes mais sedentários, é feito um trabalho diferente, com ênfase na parte aeróbica. Depois, entram os exercícios de força, quase como um trabalho de personal trainer. Por isso, os treinos de parkour são planejados individualmente. "Eu posso pedir para que duas pessoas pulem em um determinado lugar — cada uma vai fazer do jeito que for mais prático para ela", ensina Ungarelli. É aí que entra a questão de o parkour não ter regras: o praticante precisa reconhecer os próprios limites.

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