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De ponta-cabeça

A ginástica artística para adultos tem se popularizado na cidade. Ela é excelente opção para quebrar a rotina da academia e tonificar os músculos

Fitness & Nutrição De ponta-cabeça A ginástica artística para adultos tem se popularizado na cidade. Ela é excelente opção para quebrar a rotina da academia e tonificar os músculos Todo mundo já teve um pouco de ginasta. Plantar bananeira e dar estrelinha parecem apenas brincadeiras de infância, porém são movimentos semelhantes aos da ginástica artística (GA). Os atletas começam a praticar bem cedo o esporte, caracterizado por exercícios sobre aparelhos como argolas, barras e traves. Mas não é preciso ser criança para praticar a modalidade, reaprender algumas "estripulias" e garantir a boa forma. "Eu nem sabia que existia GA para adultos, que podia começar mais velho e ainda conseguir", conta Angela Chopard, dermatologista de 39 anos. Ela diz que se surpreendeu com as aulas. "Eu aprendi a fazer movimentos que eu não imaginava que conseguiria. É um exercício de superação", garante. Antes de conhecer a ginástica, ela tinha um longo histórico de musculação, mas passou a buscar outros objetivos. "Estava sem paciência para malhar. Hoje, eu me exercito porque gosto e a beleza é um ganho secundário", opina. O professor de GA Frederico Coelho diz que esse é um sentimento cada vez mais comum. "Os alunos chegam numa fuga da rotina, procurando atividades diferentes e movimentos desafiadores. Eles acabam saindo com um sentimento de realização." Já a professora Hellena Rangel frisa os benefícios para o corpo. "Ajuda a ganhar forma física, aumenta o equilíbrio, a força, a flexibilidade e a coordenação." Ela recomenda praticar pelo menos duas vezes por semana e complementar com outra atividade. O crossfit é companhia frequente da GA, pois é um treinamento que inclui posições da ginástica artística, como a parada de mão (parecido com plantar bananeira) e o muscle up (movimento com argolas). Outras técnicas vêm de esportes como o levamento de peso, o remo, a natação e a corrida. "O crossfit fez as pessoas verem a importância da GA. E diminuiu a resistência dos homens, que achavam que a ginástica era apenas para mulheres. Atualmente, as turmas são bem equilibradas entre os sexos", conta Hellena. Ela também explica que, nas competições profissionais, alguns aparelhos são separados nas disputas femininas e masculinas, diferentemente do que ocorre em nível amador. "Não fazemos essa divisão e damos uma aula completa para todos." As diferenças estão apenas nas características de cada um. "Adaptamos de acordo com o aluno. Recebemos pessoas com ou sem hábito de fazer atividades físicas e sem limite de idade", pontua a professora. O esporte não tem muitas restrições porque os exercícios são feitos em pequenas e variadas etapas, como observa o aluno Gabriel Montenegro. "Não vai ser da noite para o dia. Além da técnica dos movimentos, é preciso treinar a musculatura, a força, a respiração e a flexibilidade. Você vai progredindo, verificando pontos fortes e fracos", descreve o empresário de 34 anos. "É uma montanha de conhecimento para escalar. Quando eu conto que faço GA, as pessoas perguntam se eu estou dando mortal. Aí eu respondo que, na verdade, ainda estou testando a estrelinha", brinca. Ele acredita que um dos principais ganhos é na consciência corporal, em entender como direcionar o esforço para atingir um objetivo. "A pessoa pode ter toda a força do mundo, mas se não souber o que ativar no movimento, não vai conseguir. Em um exercício na barra paralela, por exemplo, você pensa que vai forçar mais o braço, mas tem que usar todo o seu corpo para conseguir se equilibrar", detalha. Gabriel também destaca a melhoria na autoconfiança. "Tem que acreditar em si mesmo para dar um salto para trás ou ficar de cabeça para baixo, é necessário confiar no próprio corpo. Você descobre que é muito mais flexível e forte do que imagina." Os ganhos emocionais são outro ponto forte da atividade. A professora Hellena Rangel diz que a maioria dos alunos começa com certa de resistência e vergonha, mas vão superando os medos com o tempo. "Por isso eu brinco que sou um pouco de professora e de psicóloga." A aluna Sandra Graziela Miyagaki também destaca as vantagens para a mente. "O benefício não é só estético. É muito divertido e eu vou animada para a aula. Você fica desestressado e tem uma boa noite de sono", descreve arquiteta de 31 anos. Ela conta que já havia praticado profissionalmente ginástica artística dos 4 aos 12 anos de idade e chegou a competir em países como a Rússia e a Alemanha. "Mas cheguei a um ponto em que me dedicava ou aos treinamentos, ou aos estudos. Era uma rotina pesada, de treinos diários e viagens todo fim de semana para as competições." As aulas para adultos foram a oportunidade de retomar o contato com o esporte. No início, ela estava um pouco receosa com o reencontro, mas não teve grandes dificuldade. "Apesar de ter ficado anos sem praticar, eu não me machuquei. É bem seguro e eu consegui ir relembrando os movimentos." A integração entre os participantes reforça o trabalho. "As aulas são muito envolventes. Os alunos formam grupos de amigos e um motiva o outro", afirma Hellena. O aluno Lucas Correia, 26 anos, percebeu esse diferencial. "As pessoas fazem aula em grupo, você conversa, faz amigos. É diferente da musculação, que você atrapalha se conversar." Ele também ressalta que conquistou resultados diferentes com o esporte. "Eu diminuí o tamanho, mas ganhei força e definição." O envolvimento é tanto que, mesmo com um problema no joelho, Luís Gustavo Novais, 31 anos, não deixa de comparecer às aulas. O servidor público conta que a GA chamou a atenção dele. "Eu parei de curioso para observar, por ter esse espírito de criança levada, e o professor perguntou se eu não queria participar. E me joguei com a cara e a coragem." Ele só precisa ter mais cuidado com os exercícios que exigem maior esforço nas pernas. Para os iniciantes, Luís Gustavo tem uma dica. "Para quem vai começar, eu diria para ir sem medo, porque, com um profissional do lado, não tem nenhum perigo", aconselha. Curiosidade A ginástica artística foi a primeira modalidade de ginástica aceita nas Olimpíadas, em 1896, em Atenas. Por isso, ela também é conhecida pelo nome de olímpica. As mulheres participaram pela primeira vez das competições em 1928. A ginástica rítmica entrou bem mais tarde nos Jogos Olímpicos, em 1984. Essa vertente está mais ligada à dança e as competições são apenas femininas. A bola, a fita e o bambolê são alguns dos recursos usados. Fonte: site oficial das Olimpíadas, www.olympic.org. Onde encontrar Bodytech (Setor de Clubes Sul): (61) 3224-4149 Lakeview Crossfit (Setor de Clubes Norte): (61) 3327-0591 "As pessoas perguntam se eu estou dando mortal. Aí eu respondo que, na verdade, ainda estou testando a estrelinha", brinca Gabriel Montenegro Atleta na infância e na adolescência, Sandra Graziela redescobriu a alegria da ginástica recentemente