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Correio Braziliense NEURÔNIOS EM DIA

Medalha de ouro para o melhor sistema cerebral de dopamina

Cientistas analisam diferenças genéticas entre atletas de elite e amadores e descobrem que o cérebro tem tanto influência quanto os músculos


postado em 23/08/2016 13:00 / atualizado em 24/08/2016 17:05

Por Ricardo Teixeira*
 
A judoca brasileira, Rafaela Silva, mostra a medalha de ouro, primeira do Brasil em 2016, conquistada ao vencer Sumiya Dorjsuren, da Mongólia, na final da categoria até 57kg do judô dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, na Arena Carioca 2(foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo)
A judoca brasileira, Rafaela Silva, mostra a medalha de ouro, primeira do Brasil em 2016, conquistada ao vencer Sumiya Dorjsuren, da Mongólia, na final da categoria até 57kg do judô dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, na Arena Carioca 2 (foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo)
Cientistas têm buscado há tempos um marcador genético que diferencie os atletas de elite dos amadores. Pesquisadores da Universidade de Pádua na Itália demonstraram recentemente que esse marcador não está associado nem à capacidade aeróbica nem à eficiência muscular. A diferença foi encontrada em genes que controlam a capacidade de transporte de dopamina no cérebro. Esse é um neurotransmissor responsável pela experiência de recompensa e prazer, além da capacidade de lidar com o estresse e suportar a dor.

Eles analisaram o DNA de 50 atletas com alto desempenho em Jogos Olímpicos ou outras competições internacionais e outros 100 atletas não profissionais. A análise foi direcionada a quatro diferentes genes que já tinham alguma evidência de ter alguma associação com habilidade atlética. E foi um gene associado ao transporte de dopamina no cérebro que foi diferente nos atletas de elite. Uma das variantes desse gene chegou a ser cinco vezes maior nesse grupo de atletas.

Estudos animais já haviam demonstrado que a presença desse gene está envolvida com atividade motora mais eficiente, melhor gasto energético e comportamento de busca de recompensas. Estudos conduzidos em 2012 evidenciaram que o mesmo gene está associado a comportamentos de risco entre esquiadores. E comportamentos de risco podem fazer diferença na chance de uma medalha de ouro.
 
*Dr. Ricardo Teixeira é neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília e professor de pós-graduação em divulgação científica e cultural na Unicamp.

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