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Correio Braziliense CAPA

Tratamentos holísticos à distância: a internet pode ser uma aliada na cura

Na busca por equilíbrio emocional, alívio das dores físicas e respostas rápidas, muita gente encontra na internet promessas de tratamentos holísticos para a cura da alma. E melhor: o paciente nem precisa estar presente à consulta. Mas será que isso funciona?


postado em 25/06/2017 08:00 / atualizado em 22/06/2017 16:40

Tarô, magia com velas, radiestesia, quirologia, baralho cigano, astrologia, runas, numerologia, mesa radiônica, quiromancia, reiki, cristais, angeologia, aromaterapia, alinhamento de chakras, pêndulos… As terapias holísticas têm tantas vertentes que é difícil não conhecer ao menos uma delas. Com a internet, o atendimento místico ganhou mais uma modalidade: atualmente, o auxílio dos astros e dos instrumentos quase “mágicos” está se tornando virtual. Seja por WhatsApp, FaceTalk ou Skype, a distância não é mais um empecilho para quem quer ter respostas sobre o futuro, entender o passado e buscar equilíbrio emocional, ou apenas se conhecer melhor, no presente.

De cura para problemas, como depressão e ansiedade, a previsões sobre o futuro, as promessas são inúmeras. Quando feito on-line, o atendimento tem a vantagem de ser prático, uma vez que pode ser realizado em qualquer lugar e no horário que melhor convier ao paciente. Costuma também ficar mais barato, já que, mesmo em situações em que o valor da consulta continua o mesmo, não há a necessidade de se deslocar ao local de atendimento do terapeuta. Em contrapartida, é preciso tomar cuidado extra com falsos “magos”, já que o mundo das redes tende a ser mais propício a golpes.

Lucila Turrini, diretora de cursos de ensino a distância (EAD) da Associação Brasileira dos Terapeutas Holísticos (Abrath), explica que uma das razões para o aumento de profissionais holísticos na web é que, mais rápida e sem tantos entraves como antigamente, a rede atual permite que atendimentos por vídeo e chat sejam mais dinâmicos e sem tantos percalços.

Naturalmente, nem todas as terapias podem ser adaptadas para uma versão on-line. “Não tem qualquer possibilidade de fazer um atendimento de acupuntura via internet, por exemplo, assim como qualquer tratamento com objetos perfurantes ou cortantes não são adaptáveis”, alerta Lucila. Os tratamentos acessíveis por esse meio, ainda de acordo com a terapeuta, são aqueles em que “o protocolo de atendimento e as mensurações do campo vibracional energético possam ser feitas”. “Se eu faço um exame de laboratório, sei que a taxa de colesterol tem padrões de normalidade. O nosso campo vibracional energético também os tem, e podem ser aferidos com o uso de instrumentos, como pêndulos ou varas de radiestesia.”

No caso dos florais, o terapeuta que atende on-line não tem como manusear as essências e os frascos — logo, não há como garantir a segurança do “remédio”. “A essência em si é liberada pela Anvisa e qualquer um pode comprar. Mas, após ser manuseada e evasada, antes de alguém ingerir, aquele floral precisa ser aprovado pela vigilância sanitária”, complementa Turrini. Por isso, em casos como esse, o profissional precisa indicar locais em que o paciente possa comprar os compostos já manipulados e inspecionados.
 

Ajuda à mão


De repente, durante um intercâmbio na Argentina, a psicóloga Nathália Campos, 25 anos, começou a sentir um desconforto no olho. Fora de seu país natal há cinco meses, sem data para voltar, e longe da família e dos amigos, o problema era ainda mais incômodo e desesperador. Sem saber do que se tratava, ela procurou a ajuda de uma amiga brasileira, terapeuta de reiki (técnica japonsesa de relaxamento e redução de estresse para promover curas). “Eu não conhecia ninguém de confiança na Argentina que pudesse fazer um serviço como esse”, justifica.
Nathália estava na Argentina quando procurou o reike virtual para se acalmar e, então, tratar, de forma convencional um sério problema nos olhos(foto: Arquivo pessoal)
Nathália estava na Argentina quando procurou o reike virtual para se acalmar e, então, tratar, de forma convencional um sério problema nos olhos (foto: Arquivo pessoal)

Em seu dia a dia, Nathália lida com diversos problemas de muitas pessoas diferentes. A estafa mental e emocional a fez não prestar atenção em si mesma. “Essas terapias são importantes para mim porque me deu esse toque, de que, quando estamos cuidando de outra pessoa, temos que cuidar de nós mesmos.” O tratamento foi acertado via WhatsApp. Por quatro dias, a amiga passava as orientações para Nathália: permanecer em um local tranquilo, concentrada e em silêncio. “Em geral, eu sentia as boas energias e uma paz interior muito grande. Entrava em um relaxamento tão profundo que, muitas vezes, dormia.”

No dia seguinte, a terapeuta enviava para Nathália seu feedback sobre a sessão. Nathália já havia passado por uma sessão presencial de reiki, mas conta que a sensação de bem-estar nunca foi tão intensa. No atendimento via telefone, ela diz que o sentimento foi tão potente que até a dor física do olho doente desapareceu. “Depois, descobri que estava com uma herpes na córnea, que desenvolveu uma úlcera”, descreve. “Ela estava no meu campo visual, então, eu via uma mancha branca, esbarrava nas coisas.” O tratamento, segundo ela, foi essencial para acalmar a angústia e administrar o problema com mais serenidade.

O tratamento medicamentoso começou ainda na Argentina e os sintomas foram diminuindo gradativamente. O lado espiritual de Nathália também continua em constante manutenção: além do reiki, a psicóloga conta que já se submeteu a alguns tratamentos xamânicos, como a ovoterapia. “É uma técnica de limpeza energética”, resume. Nessa modalidade, o ovo funcionaria como um ímã de más vibrações, absorvendo experiências traumáticas e amenizando sintomas como pensamentos negativos e energias intrusivas.  
 

Retratos da consciência


Mãe e filha, Miriam e Vanisa fazem a terapia on-line que
Mãe e filha, Miriam e Vanisa fazem a terapia on-line que "desenha a alma" (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )
Mírian Cunha Costa, 47 anos, acredita no poder da terapia, seja ela holística ou não. Além da psicoterapia (feita com psicólogos), Mírian procura alternativas à “medicina tradicional” para se entender e se desenvolver como pessoa. “Tenho o compromisso comigo mesma de sair dessa encarnação melhor do que entrei”, justifica. Para ela, o desenvolvimento espiritual e emocional é uma tarefa, algo laboral, que precisa ser trabalhado e lapidado constantemente. “Não adianta você procurar terapias sem se responsabilizar pelo seu próprio desenvolvimento. Não tem como terceirizar, colocar na mão de outras pessoas, na fé ou em algo externo.”

Este ano, Mírian experimentou uma terapia chamada “Desenho d’alma”, feita pelo computador. Nela, o terapeuta, por meio de uma meditação especial, canaliza as energias do paciente e as transforma em mandalas. O objetivo é que o desenho atue de maneira inconsciente, desatando os nós espirituais e existenciais da pessoa permanentemente: basta olhar para a imagem de tempos em tempos para garantir que o problema não retorne mais. “Eu não entendi direito no começo, não é nada convencional”, confessa Mírian. “Mas logo na primeira sessão, já senti algo diferente.”

Antes de começar a sessão, geralmente feita com a ajuda de aplicativos com chamada de vídeo, Mírian conta que o paciente é orientado a meditar, com a ajuda do terapeuta. É durante a meditação que o interessado dá ao prestador do serviço a permissão para “acessar” a leitura da alma. Juntos, eles identificam quais pontos emocionais e até físicos precisam ser trabalhados. Chamados de bloqueios de energia, esses pontos se materializam na forma de desenhos. “A partir do momento em que ele começa a desenhar, é como se fosse te limpando por dentro.”

Quando procurou a terapia dos desenhos pela primeira vez, Mírian passava por problemas amorosos. Ela conta que o trabalho identificou bloqueios energéticos entre o estômago e a garganta. “Ele estava certo. Parecia uma coisa parada, uma ‘bola’ na garganta”, conta. “O meu relacionamento acabou de forma muito bruta e eu não tinha conseguido falar tudo o que eu queria. Literalmente, estava com o término preso na garganta.” Até mesmo questões de vidas passadas foram abordadas durante as sessões, que são feitas com o paciente sempre consciente, ou seja, sem recursos como hipnose.

A cada novo processo, Mírian diz sentir que algo muda em seu corpo. “Ele pede para tocar onde está incomodando, dar adeus àquilo e se abrir para o novo”, detalha. 

Desenhos de cura


Presencialmente ou via internet, contudo, o que interessa mesmo, para ela, é estar sempre em equilíbrio e se conhecer melhor. “Às vezes, a gente não consegue superar as coisas, se apega ao que é ruim. Está nos machucando, mas a gente não solta. Enquanto não superamos essas fases, não conseguimos viver de forma mais leve.”

A mãe de Mírian, Vanisa Maria Torbes Costa, 74 anos, também procura autoconhecimento e conforto emocional em terapias holísticas. Ela, contudo, é adepta do olho no olho: prefere a versão presencial. “Achei muito interessante, sou meio mística”, conta. A aposentada conta que já aplicava atécnicas do body talk e do reiki antes mesmo de saber da existência das terapias. Nos anos 1990, foi voluntária em diversos hospitais do Brasil e usava as mãos para aliviar as dores dos pacientes. “Eu perguntava se a pessoa precisava de uma oração, daí colocava as mãos sobre ela, e ela se sentia superbem”, descreve.

Quando procurou a terapia virtual que desenha a alma, Vanisa estava incomodada principalmente com a insônia: todos os dias, ia para a cama às 23h e já estava de pé antes das 2h. “O profissional, então, fez uma mandala específica para o sono, que deixo em cima da mesa de cabeceira. É só olhar para ela que estou quase dormindo”, conta. Hoje, ela acorda por volta das 5h40. “Nos dois dias seguintes aos que ganhei a mandala, dormi até as 7h. Até me assutei.” Algumas fobias, como a de rato, também desapareceram. “Toda semana, faço uma sessão e tem sido uma experiência maravilhosa.”

A terapia feita por Mírian e Vanisa foi criada por Clédson Alexandre de Oliveira, 29 anos. O terapeuta holístico descreve o método como uma forma de promover “limpeza energética, cura, autoconhecimento, purificação de vidas passadas, clareza mental, bem como contato com guias e mestres por meio de ilustrações canalizadas da centelha (o eu superior) da pessoa”. 

A promessa é de cura para desordens emocionais e físicas diversas. “Não substitui o tratamento médico, mas atua como colaborador energético muito bom”, descreve.

Formado em publicidade, Clédson conta que desenvolveu o método a partir de estudos e cursos específicos. “Sempre gostei de desenhar, então, uni o útil ao agradável”, resume. “Comecei a criar com espiritualidade e sistematizei um método próprio, que é o desenho da alma.” Quando um cliente se apresenta, o terapeuta começa um trabalho de investigação, identifica possíveis dores musculares que possam estar associadas à queixa principal. “Vou desenhando enquanto isso, como se materializasse o problema e o desenho o transmutasse”, explica. Os desenhos podem ser abstratos ou geométricos, tudo vai depender da vibração do momento. “O efeito é gradativo e dura para sempre”, completa Clédson.
 

Caminhos quânticos


Há 15 anos, quando começou a estudar o universo holístico, Ariêh atuava como cientista da computação. O chamado místico do terapeuta, que prefere não ter o nome de batismo revelado, foi mais forte do que a profissão aprendida na faculdade. Seu caminho terapêutico começou com os oráculos: passou pelo tarô, pelo baralho cigano e desembocou em terapias quânticas, como o reiki e a mesa radiônica. Após anos de estudo, ele desenvolveu a técnica Quantum Bimáh, baseada em princípios da física quântica e da cabala, que pode ser feita presencialmente ou não. “Essa técnica visa à purificação e ao equilíbrio do ser em nível espiritual, energético, mental e emocional”, enumera.

Em linhas gerais, o objetivo do tratamento é promover a conexão espiritual entre sentimentos, pensamentos e a energia maior, que seria o conceito de “Deus”. O terapeuta usa o poder mental e das mãos para manipular essas energias. Como material de trabalho, Ariêh diz que usa apenas “as mãos, a mente e o coração”. No dia e horário da sessão, o paciente deve ficar deitado, por uma hora, para que o tratamento surta efeito. Ao fim do período, Ariêh envia, por e-mail, um relatório com o que foi identificado em cada sessão. “Como é baseado na física quântica, o tratamento é feito com uma conexão energética”, explica. “Por essas ondas energéticas, provocamos algo como aberturas de portais interdimensionais. As energias quânticas da pessoa passam através desses portais.”

Ariêh alerta que o tratamento não é indicado para problemas físicos. Segundo o terapeuta, a atuação é feita exclusivamente em níveis energéticos. “Ele não concorre com a medicina ocidental, não é um substituto, atua em conjunto com a medicina”, reforça. Mesmo morando no Rio de Janeiro, o terapeuta tem pacientes em todos os cantos do Brasil e também em outros países. “Não existe nenhuma diferença em relação à essência e à eficácia (entre um tratamento presencial e um on-line). A vantagem é que a pessoa pode ser trabalhada na casa dela.”
 

Computadores: estresse e salvação

 
Estressado pela correria, Sérgio encontrou, nas terapias a distância, uma forma de reequilibrar-se sem a desculpa da agenda cheia(foto: Arquivo pessoal)
Estressado pela correria, Sérgio encontrou, nas terapias a distância, uma forma de reequilibrar-se sem a desculpa da agenda cheia (foto: Arquivo pessoal)

Entre as várias atribuições de um analista de tecnologia de informação estão o projeto, a instalação, o manejo, a configuração e a administração de redes de computadores. O trabalho é cansativo e exige atenção constante. Não raro, profissionais dessa área se queixam de estresse e sobrecarga emocional e intelectual. Sérgio Macedo, 30 anos, é um deles. Em meio a pesquisas na internet para encontrar uma forma de relaxar e melhorar a qualidade de vida, ele se deparou com a Quantum Bimáh, também conhecida como “Mesa Espiritual Quântica”.

No horário marcado para as sessões, Sérgio permanecia deitado e concentrado, enquanto o terapeuta enviava as vibrações a distância. “O resultado foi ótimo. Eu me senti renovado, disposto, sem o estresse do dia a dia”, descreve. “Acho que não teria esse resultado com uma terapia convencional ou com um médico. Foi uma suplementação energética.” Sérgio passou por 10 sessões em 2015. Segundo ele, uma das melhores vantagens do tratamento foi a praticidade, já que, na época, a falta de tempo era sua principal inimiga. “Eu não tinha tempo para meditar, fazer ioga e não estava fazendo nenhuma atividade física, na verdade”, admite.

Além da disposição, Sérgio conta que o sono, o raciocínio, a concentração e a calma melhoraram consideravelmente após a experiência. “Não estou mais tão exagerado para resolver as coisas como eu vinha fazendo. Agora, reflito mais sobre as minhas decisões.” Imediatista assumido, ele conta que sempre foi do tipo de pessoa que quer as coisas “para ontem”. Sem conseguir relaxar, seu humor piorava a cada dia, o que acabava por minar relacionamentos amorosos, com amigos e com colegas de trabalho. Se sua saúde mental ficava abalada, a saúde do corpo também sofria: insônia e ganho de peso foram os principais efeitos colaterais da redoma de estresse em que Sérgio estava preso.

Mesmo sem ter nenhum conhecimento prévio ou mesmo indicação de conhecidos a respeito do tratamento, Sérgio conta que “pagou para ver” por pura curiosidade. Segundo ele, os primeiros resultados começaram a aparecer logo na primeira semana das sessões. “Vi que estava mais tranquilo, mais sereno e focado nas coisas que eu tinha que fazer”, descreve. A Quantum Bimáh foi a primeira experiência holística de Sérgio, um veterano de consultórios de psicólogos. “Não senti uma melhora expressiva na terapia convencional como senti com a quântica”, compara. “Queria algo que não ficasse voltando ao passado, mas que eu sentisse uma melhora mais imediata.”

Hoje, Sérgio se define como uma pessoa mais centrada, reflexiva e desapegada do que não faz bem. “Comecei a olhar mais para mim, para a minha vida e não apenas para o que orbita ao meu redor. Consigo mensurar o que é válido e o que não é”, detalha. A “reforma íntima”, como ele mesmo define a experiência, serviu também para mudar sua postura com relação ao modo de encarar desafios. “Aprendi uma nova linguagem. Não me coloco mais abaixo dos problemas, mas acima deles.” A mudança emocional foi tão impactante que Sérgio resolveu se aventurar em outra técnica: o reiki. “Fiz uma iniciação da técnica e hoje é um recurso que eu uso em mim mesmo e em amigos próximos”, conta. “Essa mudança me trouxe uma clareza, um amadurecimento como pessoa.” 
 

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