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Correio Braziliense

Artistas mirins de Brasília estão prontas para brilhar

A Revista conversou com quatro meninas artistas de Brasília que têm feito sucesso no Brasil e fora dele. Sem medo do futuro, elas sonham com a carreira nos palcos


postado em 08/10/2017 08:00 / atualizado em 06/10/2017 12:52

Na semana em que se celebra o Dia das Crianças, a Revista apresenta quatro garotas cheias de atitude. Talentosas, essas brasilienses têm se destacado no meio artístico, seja pela bela voz, seja pela desenvoltura nos palcos. Manu Gomes e Lia Botelho atuaram no musical infantojuvenil Carrossel, em São Paulo, em duas temporadas, no início e no meio do ano. Nicole Luz e Clara Saldanha brilharam no The Voice Kids, nas edições de 2016 e 2017, respectivamente. Com estilos bem diferentes, elas têm em comum a paixão pelas artes. 

A romântica Lia 

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Entre idas e vindas a São Paulo para as apresentações de Carrossel, Lia Botelho é o que se pode chamar de artista de verdade. Hoje com 12 anos, começou a dançar balé aos 3 e, aos 7, iniciou aulas de teatro musical na escola Claude Debussy, na 513 Sul. Por influência da prima, Lia se apaixonou pelo palco e pela música. “Estou decidida a ser atriz e cantora”, afirma.

Nas viagens a São Paulo para apresentar a primeira temporada do musical, no papel de Carmen, Lia lembra a correria de ajustar as demandas do trabalho, da escola e do inglês. “Tinha vezes que eu ia fazendo o dever de casa no avião, porque não dava tempo”, recorda-se. Organizadíssima, tem um quadro que serve de agenda semanal, onde anota todos os afazeres, sem deixar um em branco. “Até o momento de descanso tem horário marcado. Tudo muito equilibrado.”

Lia é romântica. Estilo que se reflete nas roupas. Adepta de vestidos, gosta de usar saias rodadas. Em casa, preza pelas peças confortáveis, como legging e blusa. O quarto da garota é lilás, cheio de luminárias e livros infantojuvenis enfileirados numa estante branca. Ela conta que um sonho profissional é fazer o musical Matilda. 

Encantada com o teatro e afins, interpreta personagens diferentes em uma mesma música quando está sozinha no quarto. Em tempos livres, vê e revê Titanic até cansar. Outro vício é dublar músicas no aplicativo Musical.ly. “Dá para cantar de vários jeitos: lento, acelerado, cortado. Mas eu nem tenho muitos seguidores aqui. Só uns 714.”

Antenada nas mídias sociais, Lia atualiza suas fotos e vídeos no Instagram — e no Youtube — mas revela que só se expõe quando convém. “Tenho dois perfis: um privado e um público. Assim, consigo separar o que vou postar.” A mãe, Alessandra Lepesqueur, acompanha as postagens da filha, mas deixa o conteúdo a cargo dela.

Filha temporã, Lia é a caçula de dois irmãos. Ao projetar o futuro, ela pensa em fazer direito para ter estabilidade financeira. O teatro? Continua sendo o agora.

 
(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)
 

 
Clara, cheia de atitude 

(foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
“E o sorriso, moça?” “Foto profissional não tem, mãe.” Clara Saldanha tem estilo próprio. Ao posar para as fotos da Revista, ela transmitiu fielmente sua personalidade: confiante e original. Em novembro de 2016, embarcou para o Rio de Janeiro para fazer a audição do The Voice Kids 2017. Com a voz que Ivete Sangalo escolheu para treinar, Clara nos contou sobre a experiência de subir no palco pela primeira vez. Ela nunca tinha cantado em público antes. O The Voice foi o início de tudo.

Clara vive uma rotina intensa. Nascida em Genebra, na Suíça, tem sotaque carioca por influência dos pais. Aos 11 anos, fala três línguas e tem no passaporte carimbos de residência na Holanda e nos Estados Unidos. Estuda todos os dias até as 17h, toca flauta, pratica violão, faz aulas de canto.

Vascaína apaixonada por futebol e fã de carteirinha da jogadora Marta, Clara nem pensava em participar do The Voice. Inscreveu-se no último dia e sem expectativa no resultado. A produção do programa ligou para a família 36 horas depois pedindo para que fossem ao Rio de Janeiro fazer uma audição. Lá, cantou músicas em inglês e em português, fez testes, entrevistas e foi selecionada ao lado de diversas crianças do Brasil — algumas com quem cultiva amizade até hoje.

Nas audições às cegas, Clara cantou Shakira. Vibrando pela filha, o pai torcia do outro lado da tela para que os jurados girassem a cadeira. No último segundo de música, quase não deu para perceber que Ivete, Carlinhos e Victor e Leo haviam escolhido a voz dela para estrelar no programa. Com semblante surpreso, disse: “Sou Clarinha Saldanha.” E assim brilhou.

Com a camisa de futebol vermelha e branca do país de nascença e com sua chuteira favorita nos pés, Clara vê planos para o futuro. A família está de mudança para a Europa. “Eu penso em me inscrever no The Voice da França, que, na verdade, é ‘Ze’ Voice, sabia? Os franceses tem muito sotaque.” Com sotaque carioca ou francês, não dá para esquecer a voz de Clarinha. Afinal, ela conquistou o Brasil e está pronta para ganhar o mundo.

(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)
 

A luz de Nicole

(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
“Nem dormi direito, sabia? Não estou dormindo há dias!” Às vésperas de cantar em um evento internacional em Salt Lake City, em Utah, nos Estados Unidos, Nicole Luz estava ansiosíssima. Escolhida para representar a América Latina na Conferência Face to Face, ela citava nomes de cantores renomados com quem dividiria o palco, imaginava as portas que poderiam se abrir ao cantar com eles, detalhava os preparativos para a viagem. Aos 15 anos, as expectativas de Nicole refletiam o sucesso que ela fez no The Voice Kids, no início de 2016.


Nicole estava entre os 96 escolhidos dos 1,3 milhão de inscritos no programa. Venceu os testes e foi se apresentar às cegas no Rio de Janeiro para Ivete Sangalo, Carlinhos Brown e Victor e Leo, em rede nacional. Das memórias da temporada ao lado dos artistas, Nicole demonstrou sua admiração por Ivete. “Pense numa mulher maravilhosa!”, exalta, ao pegar, na estante de livros, o álbum da cantora ao vivo no Madison Square Garden, o qual estampava na capa: “Nicole, você é talento puro. Te amo, Ivete”.

Com tal declaração de amor, a garota se alegra ao lembrar mais momentos no palco. A primeira vez em concursos de canto foi em 2013, no Ídolos Kids, da Record. Tentou participar dos novos talentos de Raul Gil, mas lembra que não rolou. Incansável, inscreveu-se três anos depois nas audições do iPOP, evento de talentos, os quais incluem cantores, dançarinos, atores e modelos.

Sem recursos suficientes para embarcar para os Estados Unidos, Nicole recorda-se que o pai fez de tudo para ver a filha na competição. “Só a inscrição, com alguns custos incluídos, custava US$ 10 mil. Ele me disse que não sabia de onde tiraria dinheiro, mas que a gente conseguiria.” Dito e feito. Nicole não só foi a Los Angeles cantar, como voltou para casa, em Sobradinho, com o troféu de segundo lugar na categoria de canto.

Fã de Whitney Houston e de ficções de aventura, ela é segunda dos quatro filhos de Alfredo Luz e Iraci Marinho Luz. O dom para cantar soa como herança genética: toda a família canta e toca instrumentos. Nicole nunca fez aula de canto durante a infância, exceto no ano passado, quando iniciou as aulas após o The Voice. Ela revela que apresentações familiares também são comuns na rotina da família. “Todo ano a gente faz uma cantata de Natal nos hospitais, nós seis.”

O pai, Alfredo, é o faz-tudo, segundo Nicole. “Ele é meu agente, meu empresário, meu professor. Ele e minha mãe me dão muito suporte.” Um pouco antes dessa afirmação, Alfredo pede licença e pergunta à filha se ela tinha se maquiado. “Passou base, filha? Fez o cabelo, tudo certinho?” Nicole responde que estava tudo certo, sim. A garota é vaidosa. Gosta de manter a cabeleira sempre arrumada e faz o estilo romântico. Alia o gosto por vestidos bem femininos com calça jeans, bata e sapatilha.

Ser cantora profissional já é visto como escolha de carreira para Nicole. Contudo, ter uma graduação superior também é prioridade. Trilíngue, ela está em dúvida sobre o que cursar, mas letras, relações internacionais, engenharia e medicina estão entre as opções. Enquanto não conclui os estudos, ela sonha em continuar cantando para o mundo e em trazer orgulho para a família. Ambos já concluídos com sucesso.
(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)
 

Manu, a descolada

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Era manhã de segunda-feira quando Gabriela Gomes nos recebeu na casa da avó. “A nossa está em reforma. Não tem problema ser aqui, né?” De jeito nenhum. Afinal, a pauta do encontro não era sobre a decoração clássica do casarão, mas sobre a filha dela, Manuela Gomes, 11 anos.

Manu, como é carinhosamente apelidada por todos — inclusive pelos fãs —, é uma das pequenas estrelas que têm conquistado Brasília, São Paulo e o Brasil inteiro com seu talento e desenvoltura no teatro musical. Ao ser selecionada, em 2016, para compor o elenco de Carrossel com a personagem Laura, ela deu uma guinada na carreira.

“Não foi nada planejado. As coisas foram acontecendo e me apaixonei pelo teatro. Quero levar isso para a vida.” Manu argumenta que o musical a fez abrir a mente para novos ramos de atuação. “Tenho muita vontade de fazer televisão agora.”

A identificação com o palco começou cedo, aos 3 anos, no balé. Um tempo depois, foi hora de a madrinha de Manu colocá-la no teatro. A partir daí, não parou mais. Aulas de atuação, canto, piano, jazz e sapateado são atividades que ocupam cinco dias da semana da Manu — fora quando há ensaios também aos sábados e domingos.

Adepta do estilo high-low, Manu gosta de misturar peças com pegadas diferentes. Pode estar com um laço super-romântico no cabelo e um tênis All Star nos pés, por exemplo. No dia da entrevista, vestia um look todo preto, com uma saia de tule e um tênis Adidas. Sentada de frente para a mãe, que a observava com orgulho, contou que ser criança e artista não é fácil.

Durante as duas temporadas do musical — que se estenderam de janeiro a julho —, conciliar a carreira com a escola demandou esforço e muita disciplina. “Na época, a gente viajava todo fim de semana para São Paulo. Íamos na sexta e voltávamos na segunda. Na maioria das vezes, ela ia do aeroporto direto para a aula”, detalha Gabriela.

Mãe e filha contam que, apesar do vaivém, Manu não se prejudicou na escola. Além das aulas letivas durante a tarde, frequenta o Empório Cultural, todas as noites, onde ensaia — foi lá, inclusive, que recebeu o convite para participar do musical. A hora do dever de casa se encaixa na rotina matinal. Aconteça o que acontecer, ela valoriza as aulas no Empório e se compromete por inteiro.

O bom desempenho de Manu comprova-se não só pelo equilíbrio entre a carreira e os estudos, mas também pelo título de presidente da Academia de Letras Mirim do colégio. Apesar da paixão por português e por Érico Veríssimo, ela sonha em fazer medicina. “Acho uma profissão muito bonita. Você tem oportunidade de salvar vidas.” O interesse pela medicina não anula a paixão pela arte. 

Conciliar planos de carreira artística — com fã clube oficial e tudo — e uma infância divertida não parece complicado para ela. Aliás, as expectativas são altas. Um sonho? A Broadway. 
(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)

 
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

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