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Correio Braziliense BICHOS

Alerta ao outubro rosa também para os pets

Tumores na mama são comuns em cães e gatos, mas pouca gente sabe. Como entre os humanos, todo cuidado é pouco para prevenir o avanço da doença e aumentar as chances de cura


postado em 22/10/2017 08:00 / atualizado em 19/10/2017 15:32

Bichos de estimação também têm câncer de mama. Poucas pessoas têm conhecimento, mas os pets podem passar pelo mesmo drama das mulheres que todo ano entram nas crescentes estatísticas da doença. A neoplasia — uma forma de proliferação celular não controlada pelo organismo, que pode ser maligna ou benigna — é mais comum em cadelas e gatas.

Segundo a pós-doutora pelo College of  Veterinary Medicine, da University of Florida, Paula Diniz Galera, cerca de 70% dos tumores são malignos. O câncer de mama, geralmente, atinge animais de meia idade a idosos. Raças de pequenos porte e não definidas também não escapam da neoplasia.

O tumor pode ser evitado pela ovario-histerectomia (castração) precoce, preferencialmente antes do primeiro cio, o que reduz em até 95% a chance do câncer de mama. Após o terceiro cio, a castração oferece outros benefícios para as fêmeas, mas não nesse tipo de doença. “Sempre alerto que a prevenção está aliada à castração precoce”, enfatiza Paula.

O tratamento mais efetivo é a cirurgia, com mastectomia (remoção das mamas). O procedimento deve ser avaliado conforme o caso. Segundo Paula, geralmente toda a cadeia mamária é retirada, de forma uni ou bilateral, podendo ou não incluir linfonodos — pequenas estruturas que funcionam como filtros para substâncias nocivas.

A yorkshire Babi, de 7 anos, foi diagnosticada, em 2015, com um câncer na mama. A engenheira florestal Laís Lopes, 24 anos, tutora da cadelinha, conta que foi preciso retirar a cadeia mamária, do lado direito. Devido ao nódulo encapsulado, a família optou por não submetê-la às sessões de quimioterapia.
Lais aguarda biópsia de Babi: tumor na mama(foto: Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press)
Lais aguarda biópsia de Babi: tumor na mama (foto: Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press)

Dois fatores relevantes influíram na decisão: a segurança de um procedimento bem-sucedido e a possibilidade de Babi não resistir ao tratamento. Mas, recentemente, Laís percebeu um pequeno nódulo, próximo a uma das mamas do lado direito da cachorrinha. “Com a reincidência, foram retirados três nódulos e estamos aguardando o resultado da biópsia”, lamenta.

A médica veterinária Aline Daudt diz que o procedimento, para o animal, é bem parecido com o realizado na mulher. Após o exame clínico, caso se encontre algum nódulo, recomenda-se o tratamento cirúrgico. Em seguida, faz-se a biópsia. “Nós fazemos essa prática após o tratamento cirúrgico, para saber se é benigno ou maligno. Depois do resultado, encaminhamos o bicho para a oncologia, que vai determinar os tratamentos complementares necessários.”

Doença herediária

A família do autônomo Alessandro Marsal Amado, 32 anos, descobriu há cerca de três meses que sua cadela está com câncer de mama. Flor, uma basset cofap misturada com pinscher,  apareceu com um pequeno nódulo, do tamanho de um grão de arroz, ao lado de uma das mamas.  

Alessandro levou a cachorrinha a uma clínica, para fazer ultrassom. “Lá, descobrimos um nódulo do lado esquerdo das mamas e três do outro lado, que já foram retirados”, conta. Flor está em processo de recuperação para iniciar outra cirurgia daqui a um mês. Ainda não se sabe se é maligno ou benigno. A família espera o resultado do laboratório.

Uma curiosidade do histórico de Flor é que a doença é hereditária. A mãe, Preta, e a irmã também foram diagnosticadas com câncer de mama. A família percebeu que a mama da cachorrinha estava inchada e que havia um caroço, mas não sabia que cães e gatos também têm esse tipo de tumor.

“Preta veio a óbito por termos descoberto tardiamente seu tumor. Sabíamos que tinha algo errado, mas não que era tão grave. O tumor acabou se espalhando e ela não aguentou, morreu aos nove anos”, lamenta Alessandro. “Há pessoas que procuram o veterinário apenas quando percebem tumores feridos nas mamas das cadelas e gatas. O ideal é sempre fazer exames de prevenção nos animais”, alerta Aline Daut.
Alessandro levou Flor para fazer o ultrassom: mãe da cachorrinha também sofreu um câncer de mama(foto: Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press)
Alessandro levou Flor para fazer o ultrassom: mãe da cachorrinha também sofreu um câncer de mama (foto: Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press)

Tratamento delicado

  • A cirurgia costuma ter sucesso nos casos de diagnóstico precoce.
  • Existe uma relação entre o tamanho do nódulo e o prognóstico quanto à cura.
  • Em alguns casos, a quimioterapia pode ser associada à cirurgia, conforme avaliação do veterinário.
  • A forma de tratamento deve ser sempre, de primeira escolha, a menos invasiva e que cause menos efeitos colaterais, como homeopatia, acupuntura, fitoterapia, ozonioterapia, entre outras.
  • Como todo tratamento quimioterápico, os pacientes ficam bastante debilitados. Deve-se oferecer alimento de boa qualidade (alimentação natural), suplementação mineral e vitaminas, adequadas aos pacientes oncológicos.

Como prevenir *

  • É fundamental uma alimentação de qualidade e natural.
  • Deixe de lado o uso de rações comerciais, pois estão cheias de conservantes, aromatizantes, corantes e substâncias tóxicas, que a longo prazo causam câncer e outras doenças.
  • Apalpe frequentemente as mamas do animal. É a melhor forma de detectar o tumor.
  • Pratique exercícios físicos com o seu animal, passeie com ele todos os dias.
  • Leve o bicho ao veterinário, para exames periódicos.

*Recomendações da médica veterinária Ana Catarina Viana Valle
 
 
* Estagiária sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio 

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