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Correio Braziliense BICHOS

Conheça as precauções com os pets para que os fogos não sejam traumáticos

Não tem jeito. Pets e fogos de artifício não combinam. Mas é possível tomar o réveillon agradável também para os cachorros


postado em 31/12/2017 07:00 / atualizado em 02/01/2018 14:01

Muita coisa imprevisível pode acontecer nesta noite deréveillon, mas pelo menos uma delas é certa: haverá fogos de artifício. Muitos. E, por mais bonitos que eles sejam, os pets se incomodarão. Todo mundo se planeja para ter uma virada de ano agradável. Compra com antecedência o ingresso da festa, escolhe uma roupa, cozinha o jantar da família. Vale incluir, portanto, entre os afazeres, preparar os animais de estimação para enfrentarem a noite sem grandes traumas e, principalmente, em segurança.

De acordo com a veterinária Karine Raile, o cão fica perturbado com a pirotecnia, não só por não entenderem o porquê do barulho, como também por causa de sua fisiologia. “A audição deles é muito superior à de um ser humano. Eles escutam sons mais distantes e com um volume maior do que os nossos. Os fogos de artifício têm um barulho extremamente alto para eles”, explica. Outros animais também podem sentir medo do barulho, como felinos, aves e roedores.

Muitos cães acabam fugindo de casa, em busca de um lugar em que se sintam seguros. Esse é um dos motivos pelos quais, no início do ano, há tantos animais desaparecidos. A ativista Maria José Cunha recomenda colocar caixas, dentro das quais os animais possam se abrigar. Dentro de casa mesmo.

O casal Alex Júnio Costa, 25 anos, estudante de fonoaudiologia, e Thaís Juliana Pereira, 38, fonoaudióloga, tem dois labradores, Hanna e Fred; um coelho, Pablo; e uma calopsita, Johnny. Todos foram adotados e Hanna, um presente. Em geral, eles ficam no quintal de casa. Mas não nas noites em que eles sabem que haverá fogos de artifício, como no réveillon e em dias de jogos de futebol importantes.

É ouvir os sons dos fogos para Pablo dar pulos preocupantes dentro da gaiola. “Parece que ele vai se machucar. Dá medo”, reclama Alex. Hanna late muito, mas quem tem mais medo é Fred. “Ele ficava querendo atravessar a porta, louco para entrar em casa”, lembra. Por isso, o casal tem um cuidado especial. Com um quarto disponível em casa, os animais vão pra dentro de casa e ficam nele. “Ainda colocamos panos cobrindo as gaiolas do Johnny e do Pablo e panos na janela. Tudo para abafar ainda mais o som”, conta o dono.
 
Débora reforçará os cuidados com seus cães: trauma do réveillon passado, quando Brutus morreu na piscina(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Débora reforçará os cuidados com seus cães: trauma do réveillon passado, quando Brutus morreu na piscina (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
 

Cuidados reforçados

A família da enfermeira Débora Nunes, 26, sempre passa o ano-novo em casa, com um bom jantar. No ano passado, ela estava de plantão e o irmão saiu com a namorada, então, os pais comemoram sozinhos. Faltando cinco minutos para a meia-noite, o casal foi aos vizinhos para uma visita rápida, só para dar um abraço, já que eles não fazem comemoração alguma.

Ficaram fora por menos de meia hora. Nos primeiros minutos de 2017, eles já estavam de volta. Animados, felizes com as esperanças que o novo ano trazia, chamaram Zeca e Brutus, os cachorros da casa. Mas só um deles apareceu. Brutus estava na piscina, afogado. Brutus e Zeca estavam separados, porque, quando brincavam, acabavam se machucando. Um estava no quintal da frente e outro, no de trás. A porta da frente de casa também estava toda arranha. “A gente não sabe se o Zeca arranhou com medo, querendo entrar em casa, ou se ele ouviu o barulho do Brutus caindo e se preocupou”, cogita Débora.

Débora conta que eles costumavam ficar presos à noite, mas, naquele dia, as coisas saíram da rotina. “Sou eu quem sempre os prendia, mas, como fui trabalhar cedo, deixei para a minha família. E, como eles não tinham costume, esqueceram. Talvez tenham até pensado que eles ficariam felizes por estarem soltos”, lamenta Débora.

O episódio foi um trauma para toda a família. A mãe dela ficou tão triste, que não queria mais saber de ter outros animais. Quando Débora chegou em casa com Petit, da raça spritz alemão, para começar a criar e vender, todos da casa ficaram bravos, mas logo começaram a curtir. Mesmo assim, ninguém substitui o antigo amigo. O filho de Débora, na época com 4 anos, até hoje pergunta por Brutus. “Ele era carinhoso, tinha paciência com criança”, descreve.

Neste ano, ela já reforçou os canis, de forma que os cães fiquem seguros e não se  machuquem, e ela estará em casa para garantir que nada de ruim aconteça. 

Dicas preciosas

Não deixe o animal sozinho.
Fique com o animal em um ambiente fechado para diminuir os ruídos externos.
Deixe o cachorro se esconder em um local em que se sinta seguro, mas fique de olho para ele não se machucar.
Aja normalmente durante a queima de fogos para não reforçar a sensação de que algo estranho está acontecendo e ligue a TV ou o rádio, que são barulhos que o animal está mais habituado.
Os tutores não devem ficar agradando o animal além do normal quando ele estiver com medo, nem pegando no colo. Essas atitudes só intensificam o medo dele.

Fonte: Karine Raile, veterinária da Cobasi

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