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Correio Braziliense BICHOS

Saiba como se preparar para viajar com seu animal de estimação

Animais de estimação já podem ir junto de seus tutores até em avião, mas exigências variam e é preciso estar atento aos requisitos e cuidados para evitar estresse e problemas de última hora


postado em 07/01/2018 07:00 / atualizado em 05/01/2018 18:24

As férias chegaram e, com elas, muitos passeios foram programados. Hoje em dia é comum os bichinhos de estimação viajarem com seus tutores. Mas cuidados e precauções devem ser tomados. Manter o bem-estar e a saúde do animal é essencial para evitar problemas e preocupações inesperadas na hora da viagem.
 
Veterinária da Clínica Pet Especialidades e especialista em dermatologia veterinária, Fernanda Ramos alerta que os primeiros cuidados devem ser dados quando o pet ainda é filhote — nessa fase, é mais fácil começar a adaptação na caixa de transporte, para que não estranhem depois. Se o animal adulto é introduzido de repente nesse meio, apenas no momento da viagem, o estresse pode ser maior.
 
O casal de biewer terriers Bailey e Nugget, da empresária Janaina Amorim Correa, de 45 anos, já está acostumado com viagens longas. Bailey veio da República Tcheca e Nugget, da Rússia. Ela conta que os pets já viajaram com a família para Florianópolis, São Paulo e outros destinos brasileiros. “Eles são acostumados a viajar de avião. É sempre mais fácil, rápido e menos trabalhoso.”
Sarah e Rafael Amorim viajando ao lado de Bailey e Nugget(foto: Arquivo Pessoal)
Sarah e Rafael Amorim viajando ao lado de Bailey e Nugget (foto: Arquivo Pessoal)
 
Como são de pequeno porte, Bailey e a Nugget sempre vão junto com os passageiros. “Nossas viagens são menos estressantes e tranquilas, pois os cães passam o trajeto todo conosco. Eu ainda aproveito para ficar de olho neles. As pessoas adoram ver os cãezinhos. Muitas delas querem chegar perto, para olhar ou tocar neles. Eu nunca percebi nenhum incômodo dos passageiros em relação a eles embarcarem”, diz Janaina.
 
A empresária passa por um processo antes de partir com o casal de pets. “É necessário sempre providenciar as documentações necessárias, como atestado de saúde e carteira de vacinação em dia. É relevante reservar o lugar do cão logo que marcar a passagem, pois se deixar para cima da hora, pode não ter lugar disponível. Cada voo permite no máximo 2 ou 3 cães.”
 
É importante consultar o veterinário antes de viajar e verificar se a vacinação está de acordo com as exigências. “Animais muito estressados e assustados podem ter medicamentos receitados pelo veterinário para evitar problemas maiores durante a viagem. Caso seja de avião ou ônibus, é importante consultar a companhia do transporte para verificar tamanhos permitidos de caixa de transporte e peso limite”, alerta a clínica geral e cirurgiã Lorena Bastos, da Clínica Salud Pet.
 
Os tutores devem ficar atentos às exigências das companhias aéreas. Segundo Lorena, elas costumam proibir que cães e gatos braquicefálicos (que têm focinho curto, como o buldogue, shih tzu, persa) viagem — principalmente se for no compartimento de carga —, por serem raças mais propensas a problemas respiratórios e cardíacos.

Documentação

“Já para viagens internacionais é necessário conseguir documentações específicas, como o passaporte e o Certificado Veterinário Internacional, junto à Divisão de Defesa Agropecuária (DDA) do seu estado. O tutor deve procurar saber das exigências específicas na embaixada ou consulado do país de destino, com pelo menos um mês e meio de antecedência”, orienta Lorena.
 
Segundo Janaina, cada empresa aérea possui requisitos diferentes, como as caixas de transporte. Cada uma tem um tamanho específico. “Se não nos informamos antes e não estivermos nos padrões exigidos pelas companhias, podemos até perder o voo. É fundamental ligar antes, para evitar surpresas desagradáveis”.
 
Os pets de Janaína também já viajaram de carro. Para ela, esse tipo de deslocamento costuma dar mais trabalho. “Sempre é preciso ter a carteira de vacinação em mãos, uma cadeira com cinto de segurança específico e atestado de saúde emitido pelo médico veterinário, chamado guia de trânsito animal. Caso não porte nenhum desses e for parado em uma blitz, há o risco de ser multada por transporte ilegal de animai.”
 
Janaína também recomenda não dar qualquer alimento ao animal por pelo menos quatro horas antes da viagem, independentemente do meio de transporte, para que não tenham náuseas ou vômitos. “Sempre levo alguns brinquedinhos para que eles não fiquem entediados e água, para hidratação”, explica. Outra dica são as fraldas veterinárias. “Servem para evitar 'acidentes' durante a viagem.”

No avião

  • O lugar deve ser reservado com antecedência junto à companhia aérea, pois há um limite máximo de cargas vivas por voo.
  • Cada empresa possui regras específicas, mas todas cobram um custo adicional, normalmente calculado com base no peso do animal, da caixa de transporte, e valor da passagem.
  • Às vezes o pet pode ir com o tutor na cabine, dependendo das dimensões e peso da caixa de transporte.
  • Os compartimentos de carga dos aviões são pressurizados e têm temperatura controlada, proporcionando relativo conforto ao animal.
  • Algumas companhias não transportam animais de focinho curto (braquicefálicos), como o pug e o pitbull, que sofrem mais com variações grandes de temperatura. Eles também não devem andar no bagageiro de aviões, pois têm maior propensão a problemas cardíacos e respiratórios.
  • A caixa de transporte é fornecida pelo cliente e deve cumprir alguns requisitos mínimos como dimensões que permitam que o animal fique de pé e dê um giro de 360° (volta completa) ao redor de si mesmo.
  • O material do piso também deve absorver fezes e urina, para que não vazem.
  • É essencial levar a carteira de vacinação.

De ônibus

  • As condições são muito específicas, variando de acordo com as empresas e regiões em que atuam.
  • Cães e gatos devem ter um atestado que comprove as boas condições de saúde. O documento deve ser emitido no máximo 15 dias antes da viagem.
  • Somente dois animais e de pequeno porte podem ser transportados nos ônibus.
  • Pets com no máximo dez quilos poderão viajar em ônibus.

No carro

  • De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, é proibido levar animais em partes externas do veículo ou dirigir com animais à suaesquerda, entre os braços ou pernas.
  • Para evitar que um cão atrapalhe o motorista e viaje seguro, ele precisa estar preso. Os tutores podem utilizar uma caixa de transporte, uma cadeira própria para cães ou um cinto de segurança adaptado para os pets nas viagens de carro.

Fique de olho!

  • Nunca dar muita comida e água antes da viagem, pois os pets podem vomitar.
  • Usar caixas com presilha dupla, que oferecem maior segurança e diminuem a chance de fuga.
  • Nunca usar caixas com presilhas de mola, pois são mais fáceis de abrir a porta.
  • Levar cães soltos ou no colo no carro é infração de trânsito.
  • É importante acostumar desde cedo o animalzinho com caixas, para diminuir o estresse.
  • Animais com doenças cardíacas, idosos e alterações neurológicas devem ser monitorados, para diminuir os riscos com a viagem.
  • Em caso de viagens internacionais, as regras diferem entre os países. Os tutores devem se programar. Em viagens para a Europa, por exemplo, são exigidos microchip e sorologia de raiva, e esse processo pode demorar até 120 dias. Países como a Austrália impõem quarentena.

Fonte: Fernanda Ramos, veterinária da Clínica Pet Especialidades e especialista em dermatologia veterinária
 

* Estagiária sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio 

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