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Correio Braziliense FITNESS & NUTRIÇÃO

Exercícios de força viram paixão entre os adeptos

Eles são capazes de fortalecer o corpo, equilibrar a saúde e, ao mesmo tempo, desenvolver o poder de concentração


postado em 15/01/2018 16:56 / atualizado em 15/01/2018 17:01

O treinamento de força chegou mesmo para ficar entre os preferidos da vez, nas academias. Não sem motivo. Programa de atividades físicas a longo prazo, ele permite alcançar um corpo definido, por meio de exercícios com resistência. As rotinas devem incluir todos os grandes grupos musculares, além de sofrer alterações periodicamente, pois os músculos precisam ser estimulados constantemente e levados aos seus limites.

David, Maria do Socorro (de óculos) e Carla se concentram nos exercícios: ganhos para o corpo todo e vida mais equilibrada(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
David, Maria do Socorro (de óculos) e Carla se concentram nos exercícios: ganhos para o corpo todo e vida mais equilibrada (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
“Mas é importante não confundir força com hipertrofia. O objetivo do treino de força é deixar o aluno mais forte”, avisa o professor de musculação e personal trainer Daniel Oliveira. Como aconteceu com Maria do Socorro de Sousa Rosa, de 29 anos. “Faço treino de força desde 2014 e perdi muita gordura corporal. Ganhei massa magra e, sobretudo, resistência e força muscular”, comemora a servidora pública.

Maria do Socorro já praticou futsal, boxe, triatlo, musculação e spinning, e fazia musculação há mais de cinco anos, mas foi com o treinamento de força que viu uma grande diferença de ganho no corpo todo. A atividade virou uma paixão. “Eu amo exercícios de força. Consegui perceber como o psicológico influencia no ganho do treinamento. Por ser uma atividade que requer concentração, funciona como uma espécie de meditação para mim. É o momento em que desligo do restante das preocupações diárias.”

Daniel explica por que esses benefícios acontecem. “Além do aprimoramento da força, quem pratica também consegue ganhos importantes ,como a melhora da glicemia plasmática (diminuição da produção hepática de glicose), a redução da massa gorda e a melhoria do perfil lipídico (irregularidades em lipídios como colesterol e triglicerídeos), além do aumento de massa muscular, da densidade mineral óssea (formação do tecido ósseo) e da coordenação motora.

Quando necessário, o treino de força muscular específico deve fazer parte, em trabalho conjunto com o educador físico, da reabilitação de uma lesão, e até mesmo em um pós-operatório ou na recuperação de um paciente acamado. O exercício, segundo a fisioterapeuta Carla Lavall, 38 anos, é utilizado para a prevenção de lesões dos atletas e de quedas dos idosos.

Adepta da atividade há quase dois anos, Carla diz que fica motivada a cada superação nos exercícios e que o maior incentivador é seu professor. “Amo, pratico três vezes na semana, às 6h da manhã, porque me dá energia e disposição para o dia todo. Desempenho melhor minhas atividades profissionais”, conta.

Especialista em treinamento funcional pelo Instituto Australiano de Coach em Treinamento, o fisiologista Maurício Peixoto explica que qualquer exercício resistido  pode ser treinado para força, e que os melhores são os multiarticulares —  que movem mais de uma articulação quando executados —, como o agachamento. Os mais usados são o levantamento terra, supino e agachamento.

“Qualquer pessoa deve praticá-los, principalmente com a progressão de carga. Mas é importante, para evitar lesões, a orientação de um profissional qualificado, pois cada exercício tem modo correto de execução”, alerta Maurício. Os exercícios de força, segundo ele, são essenciais para a qualidade de vida. O sistema esquelético é sustentado por fáscias e músculos, que adequadamente devem ter força. “É imprescindível se movimentar para evitar uma desaceleração no metabolismo, lesões e doenças osteomusculares, que podem surgir com a falta de força.”

O estudante David Fanchic Chatelard, de 17 anos, começou a praticar funcional e treino de força em janeiro de 2016, para tratar uma escoliose. E se antes o motivo era saúde, hoje é paixão.“Essas atividades foram uma maneira de melhorar esse problema”, reconhece. “Mas gosto muito dos treinos de força, pois sempre aprendo mais sobre meu corpo, a melhor maneira dos exercícios, aumento minha força corporal e me ajuda com a escoliose.”

Para David, o treino de força é motivante, já que é desafiador. “Minhas experiências são muito boas, pois os exercícios são bem intensos e difíceis, mas eu gosto, já que eles são instigantes. Além disso, eles valorizam minha consciência para levantar cargas mais pesadas sem prejudicar o meu corpo.”
 

Corpo unido

A fáscia é o tecido conjuntivo que envolve músculos, grupos musculares, vasos sanguíneos e nervos.  Representa a base do nosso corpo e também é conhecida como tecido conectivo, porque faz todas as ligações e mantém o corpo unido.

Massa magra

É o treinamento contra resistência, geralmente realizado com a utilização de pesos. Os benefícios são o desenvolvimento de potência, força e resistência muscular, diminuição de gordura corporal e aumento de massa magra.
 
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 

Eficácia testada

Estudo da Universidade de Sidney, na Austrália, publicado no American Journal of Epidemiology em janeiro de 2017, revela que o exercício de força pode reduzir em 23% o risco de morte prematura por diversas doenças, e em 31%, de relacionadas ao câncer.
Exercícios realizados usando o próprio peso corporal sem equipamento específico foram tão eficazes como o treinamento em equipamentos especializados.
A pesquisa também mostrou que é possível obter os benefícios dos exercícios de força através de séries que utilizem flexões, abdominais, agachamentos, entre outros.
O estudo acompanhou 80.306 adultos. Os que praticavam constantemente os exercícios de força tiveram uma significativa redução na mortalidade.
Os resultados apontaram que a constância e o equilíbrio são importantes e possibilitam um estilo de vida mais saudável.

Fonte: Universidade de Sidney,  Austrália


 
 
*Estagiária sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio

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