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Correio Braziliense BICHOS

Verão acende o alerta para os cuidados com os pets

Eles também sofrem com o aumento da temperatura: primeiro passo é protegê-los do sol e ficar de olho na hidratação


postado em 15/01/2018 17:19 / atualizado em 15/01/2018 17:33

Mesmo marcado por muita chuva, o verão de Brasília não fica livre dos momentos de forte calor. Por isso, é bom os tutores ficarem atentos aos horários certos de passear com os bichos, e sempre deixarem água em abundância para mantê-los hidratados. Além disso, é importante ter cuidado com certos tipos de alimentos. Conforme a raça, a atenção deve ser redobrada. Caso dos cães de focinho curto — os braquicefálicos, como o pug e o buldogue.

A principal recomendação dos especialistas é evitar horários de pico do sol. O horário ideal é antes das 10h e depois das 16h, ainda assim, em lugares protegidos dos raios solares. Tudo para evitar, também, que os coxins — tipo de almofadinhas que eles têm nas patas — não queimem no chão. “Esse é um problema muito comum nesta época. Aconselho dar preferência a passear na grama”, orienta a médica veterinária Erika Abrantes de Almeida.

Tutora do maltês Mr. Pupi, de 5 anos, a analista de sistemas Izabel Fernandes segue as recomendações à risca. Ela passeia com o pet duas vezes por dia, de manhã e à tarde. Nos fins de semana, as caminhadas são mais longas. Mas, nos dias de extremo calor, nada de sair. Como a raça é mais sensível, ela redobra os cuidados nos períodos de altas temperaturas, para que o animalzinho não sinta tanto impacto do clima.
Izabel carrega sempre um kit para hidratar Mr. Pupi nos passeios: água natural e de coco, gelada(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Izabel carrega sempre um kit para hidratar Mr. Pupi nos passeios: água natural e de coco, gelada (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

“Dou preferência em andar de bike com ele na cestinha acoplada na frente do guidão”, conta Izabel, que leva um kit com água natural e água de coco gelada para hidratar Mr. Pupi. Se o passeio é a pé, ela verifica se o chão está tranquilo para ele caminhar. E, quando chega em casa, novos cuidados: é hora de lavar as patinhas e escovar os dentes dele para checar se está tudo bem.

A sensibilidade dos bichos em relação ao calor varia de acordo com a raça, observa Erika. Especialista em medicina veterinária intensiva, ela afirma que alguns cães são mais suscetíveis às queimaduras dos coxins. Outros já são bem mais resistentes, como o pastor alemão, o pastor belga malinois, o boiadeiro australiano, e os fiéis vira-latas. “Apesar de a resistência ser algo notável nesses animais, ainda assim, devemos ter as mesmas preocupações referentes ao piso quente”, reforça.

Erika também sugere que os cãezinhos não usem sapatos, para não perder a sensibilidade nas patas. Segundo ela, existem outras opções, como os protetores feitos de borracha, que são bem finos e protegem os coxins de pisos quentes, resguardando a sensibilidade das patas. “Os animais que possuem os coxins rosados são extremamente sensíveis às altas temperaturas do solo. Isso pode ser uma ótima opção.”

Resistência

A vira-lata Princesa, da médica veterinária Catherine Lara dos Reis Rocha, 26 anos, foi resgatada quando ainda era filhote, nas proximidades da cidade mineira de Unaí, onde o avô dela é fazendeiro. “Meus pais não gostaram muito da ideia, mas logo se apegaram. Hoje, também são apaixonados por ela e sempre que vão passar o fim de semana na fazenda a levam junto”, conta orgulhosa.

Como a dona é veterinária, a cachorrinha já é cuidada em casa. Na época do verão, Catherine muda os horários dos passeios e brincadeiras ao ar livre, que costuma fazer nos intervalos do almoço, para os períodos mais frescos do dia. Outro cuidado de que ela não abre mão é aplicar remédios antipulga e anticarrapato, cuja incidência aumenta nesta época do ano.

Catherine sai com Princesa nos horários mais frescos: reforço para prevenir pulgas e carrapatos(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Catherine sai com Princesa nos horários mais frescos: reforço para prevenir pulgas e carrapatos (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Entre os felinos, os problemas que vêm com o verão são menores, já que eles costumam se lamber mais e, assim, resfriam o corpo. Mas, como os cães, eles também ficam ofegantes. Em algumas raças, como persa e maine coon, é aconselhável a tosa no período de maior calor. Mas não é regra, diz Erika. “Alguns apresentam uma adaptação incrível às mudanças de temperatura e geralmente não é necessária a tosa.” É o tutor quem deve avaliar se precisa, de acordo com o comportamento do animal.

O mesmo não acontece com os cães de focinho amassado, como os pugs, shih-tzu e outros braquicefálicos. Especialistas alertam que os cuidados com eles em épocas de calor devem ser intensificados. “Com todos os animais devemos ter cautela. Porém, raças braquicefálicas sofrem mais”, alerta Erika. Isso acontece porque raças com essa característica já têm dificuldade natural de respiração.

Quando o ar está quente, a temperatura do corpo pode ultrapassar os limites fisiológicos que permitem a troca de calor com o ambiente. Nos cães, essa troca é feita através da respiração, e, com o focinho mais curto, essas raças têm mais dificuldades. O fenômeno, chamado de intermação, pode levar os bichos a óbito. Os tutores devem evitar que fiquem expostos ao sol e em lugares abafados.

Raças com pelagens longas e originárias de países frios, como husky siberiano, são bernardo e terra nova, também tendem a não se sentir bem com o calor. Isso porque têm dificuldade em trocar calor com o ambiente. “Em seus lugares de origem, onde faz frio, a pelagem retém calor com mais facilidade, para manter a temperatura corpórea ideal”, explica a médica veterinária Carla Storino Bernardes.

Na dose certa

Muitos tutores optam pela alimentação preparada com ingredientes naturais, sem uso de ração industrializada.
Se escolher a comida natural para o verão, o tutor deve consultar um nutricionista veterinário para receitar a dieta balanceada, que deve respeitar a necessidade de cada animal.
Para os que preferem ração, recomenda-se as do tipo superpremium, pela melhor seleção e qualidade dos ingredientes.
Assim como na alimentação natural, no caso das rações secas e úmidas, é importante definir com o veterinário a quantidade específica para o  animal. Isso vale tanto para cães quanto para gatos.
Assim como os humanos, os bichos desidratam com facilidade em dias muito quentes. O recomendado é oferecer frutas como melancia, pera, manga e banana.
Para os animais que têm dificuldades de tomar água com frequência, uma alternativa para hidratá-los é dar água de coco.

Agradecimentos
Cobasi
Site: cobasi.com.br
Pookie Veterinária
Site: pookiepet.com.br
Facebook: facebook.com/PookiePetOficial
 

* Estagiário sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio
 

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