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Correio Braziliense BICHOS

Cães levam vida de estrela nas redes sociais

Sucesso no mundo digital, os pets atraem patrocinadores e são sustentados pelo próprio carisma


postado em 28/01/2018 07:00

O carteiro já está acostumado: toda semana, haverá uma ou mais caixas endereçadas a Francisco Bento Siqueira. Mas o destinatário é diferente da maioria: é um labrador de 4 anos e meio. Dayane Siqueira, a tutora, conta que ele é o que mais recebe encomenda na casa. É presente de tudo quanto é marca, desde que ele virou um verdadeiro influenciador digital. 

Há cerca de três anos, Dayane criou um perfil no Instagram só para Chico Bento. “Eu enchia o meu com fotos dele, as pessoas comentavam, aí resolvi fazer um pra ele”, relembra. O objetivo era montar apenas um diário, um álbum digital de fotos. O que ela não imaginava é que o cachorro ficaria famoso. O @chicobento.golden já tem quase 26 mil seguidores. 

Com os patrocínios, Chico já quase não dá despesa à família. A última vez que Dayane se lembra de ter comprado algo para ele foi há seis meses. De vez em quando, é preciso fazer algum exame mais específico, mas, no geral, ele mesmo se sustenta: com seu carisma. Uma marca de ração renomada fornece ração e outras comidinhas, um petshop garante os banhos semanais do cão, e por aí vai. Tudo em troca de propaganda (devidamente evidenciada).
Dayane não compra nada para Chico Bento há seis meses: mais de 26 mil seguidores na rede e uma infinidade de coleiras que chegam de presente(foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Dayane não compra nada para Chico Bento há seis meses: mais de 26 mil seguidores na rede e uma infinidade de coleiras que chegam de presente (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

Quando os presentes começaram a chegar, os pais de Dayane estranharam demais. “Eles só têm Facebook, então, não entendiam bem o porquê daquilo”, conta a filha. O pai quis até que ela recusasse a parceria com o petshop, porque achava injusto com a empresa. “Ele não imaginava o retorno que a petshop tinha com uma foto do Chico recém-tomado banho lá”, relembra.

Cão terapeuta

E é só falar em foto que Chico já larga qualquer brincadeira, se acalma e começa a posar. Quem vê não imagina que ele foi o último filhote a ser adquirido. A família conta que ele era o menor de todos e o vendedor nem achava que ele sobreviveria. Não só sobreviveu, como encontrou um lar melhor do que poderia sonhar e ficou conhecido nacionalmente.

“Ele nunca fica em casa sozinho. Se ninguém pode ficar, levamos à creche”, diz Dayane. A vida de Chico é mesmo bem mais interessante do que a de outros cachorros. Além de influenciador digital, ele é terapeuta — a cada 15 dias, visita um asilo de idosos ou um hospital, para distribuir um pouco do amor que recebe da família.

As ações fazem parte do Projeto Pet Amigo. Dayane o acompanha e acaba sendo voluntária também. Tem dia que Chico não quer entrar em um quarto ou outro do hospital. Ela respeita a vontade dele sempre. “Se ele não quiser tirar foto, o que é raro, também deixo para depois. Tudo que fazemos tem que ser também divertido pra ele”, explica.

Cookie, Milk, Canela e Muffin recebem todo tipo de presentes: Paula já nem tem espaço para guardar(foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Cookie, Milk, Canela e Muffin recebem todo tipo de presentes: Paula já nem tem espaço para guardar (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Para um influenciador digital, uma tutora fotógrafa é uma sorte. Boas fotos, afinal,  são essenciais. Paula Leon de Abreu, 28, também enchia seu próprio perfil no Instagram com fotos da cadela. Achou que podia estar incomodando quem a seguia e decidiu fazer um perfil só de sua yorkshire, a Cookie, de 5 anos.   

Rapidamente, a cadelinha acumulou 4 mil seguidores e começou a ganhar presentes. Mas foi quando Paula adotou o vira-lata Milk que a rede social começou a fazer sucesso mesmo. “As fotos da Cookie eram mais básicas: deitada, brincando com alguma coisa. Mas o Milk gosta de nadar, de pular no Lago Paranoá”, conta. Atualmente, o @cookiemilk tem mais de 13 mil seguidores.

E a família também cresceu. Entraram na turma Canela e Muffin, vira-latas adotadas. A fofura e o amor foram duplicados. “Eu não compro cachorro mais. Só adoto. É a melhor coisa. Eles são mais resistentes e é muito legal observar as diferenças físicas deles, em vez de ver o animal padrão”, conta Paula, enquanto mostra a mancha em forma de peixe que Milk tem na orelha. 

O quarteto de cães já ganhou tanto presente que falta espaço para guardar: é coleira, roupa, fantasia, bandana, laço, casaco. Atualmente, Paula está com menos tempo para gerenciar o perfil e, consequentemente, os mimos diminuíram. Mas, muito mais do que produtos, o perfil dos pets e o amor por eles trouxeram a Paula e ao marido amigos para a vida toda.

Uma dessas amizades começou no Parcão, e só perdurou porque os dois casais tinham perfis de seus pets no Instagram e continuaram em contato por meio deles. A fotógrafa e o marido foram até padrinhos de casamento dos amigos e entraram na cerimônia com os dois cachorros deles, Lola e Milka, que, embora estejam morando em São Paulo, estão passando as férias na casa da tia Paula.


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