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Correio Braziliense SAÚDE

Dispositivo eletrônico pode trazer toda a audição de volta

O aparelho é implantado na cóclea, que fica dentro do ouvido, mas resultados variam em cada pessoa. Intervenção é segura, porém, é preciso atenção aos fatores de risco


postado em 28/01/2018 07:00

Em casos de surdez severa ou profunda, quando os aparelhos auditivos (AASI) não podem ajudar o suficiente, o implante coclear (IC) aparece como uma possível solução: o dispositivo eletrônico, desenhado para ser inserido dentro da cóclea (cavidade do ouvido interno), é capaz de levar estímulos elétricos codificados diretamente ao nervo auditivo, revertendo em até 100% a perda de audição.

A perda auditiva neurossensorial é, tradicionalmente, reabilitada com uso de aparelhos auditivos convencionais, que funcionam como amplificadores de som. Porém, de acordo com a otorrinolaringologista Rafaela Aquino, do Ceol Otorrino e membro da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, para que eles funcionem, é necessário que o paciente tenha alguma audição residual — que capta parte do som amplificado.

“Os pacientes que apresentam perda severa ou profunda podem não ter a chance de se beneficiar do uso de aparelhos convencionais por não terem mais células suficientes na orelha interna para captar o som amplificado por eles”, explica Rafaela. Nesses casos, é indicado o implante coclear, que substitui a função das células perdidas, estimulando diretamente o nervo coclear (nervo responsável pela audição) para produzir a sensação sonora.
(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)

O procedimento é cirúrgico. Quem se submete a ele realiza uma série de exames, paralelamente às terapias, que ajudam no processo de aprendizagem da sensação de audição quando o implante é ativado — normalmente, a parte externa do aparelho só é colocada um mês após a cirurgia, de forma a garantir a cicatrização.

De acordo com especialistas, nem todos os pacientes submetidos ao implante terão os mesmos resultados. “A decisão de receber um implante deve envolver discussões com diversos especialistas, incluindo um cirurgião experiente de implante coclear”, afirma Rafaela. “Apesar de seguros, existem alguns fatores de risco, assim como em qualquer tipo de cirurgia.”

Após a cirurgia, crianças e adultos são submetidos a um extenso trabalho de reabilitação, que envolve contato com otorrinos, fonoaudiólogos, professores e conselheiros, que ajudam no processo de melhoria na audição, fala e comunicação. “Eles são ensinados a usar o implante e a responder aos sons que estão recebendo”, diz Rafaela.

Para aqueles que já ouviram em algum momento da vida, segundo a médica, os sons através do implante coclear podem parecer não naturais no início. Por isso, é necessária uma readaptação. “Já para aqueles que nunca ouviram antes, devem ser ensinados sobre quais são os sons.”

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