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Correio Braziliense SAÚDE

Uso incorreto do celular pode provocar danos no pescoço e na coluna

Utilizar o celular com o pescoço inclinado para baixo sobrecarrega o corpo e faz surgir um nome nos consultórios de ortopedistas o text neck, que estressa a região cervical. Crianças e jovens são os mais afetados


postado em 11/02/2018 07:00 / atualizado em 09/02/2018 15:06

Responder mensagens no WhatsApp, abrir notificações no Facebook, conferir os e-mails recebidos, ver as fotos que chegam… Apesar de tão rotineiros, esses passos — e outros mais — repetidos várias vezes ao dia, quando se pega o celular, têm provocado problemas para a saúde do nosso corpo, como a síndrome do text neck.

Causado pela postura inclinada da cabeça durante o uso de aparelhos telefônicos, o novo termo citado nos consultórios ortopédicos faz uma associação entre as palavras texto e pescoço, alertando sobre os malefícios aos ossos dessa área, decorrentes, principalmente, do hábito de digitar em celular.

O fisioterapeuta Guilherme Couto, especialista em coluna, pescoço e extremidades, explica como surgem as dores do text neck. “Quando mantemos essa postura errada durante um tempo prolongado, acabamos gerando um estresse mecânico que leva a lesões teciduais locais e podem provocar dores na região cervical, nos membros superiores — braços e mãos — ou cabeça, trazendo enxaqueca”, detalha.

O problema pode atingir a todos, já que são raras as pessoas que elevam o celular à altura dos olhos para não prejudicar o pescoço. Porém, entre crianças e adolescentes a síndrome é ainda mais impactante, pois nessas fases da vida a coluna ainda está em desenvolvimento e cartilagens ocupam o lugar dos ossos.

Para fugir do text neck, são simples as soluções , ensina Guilherme. “O que pode ser feito para evitar esses sintomas é buscar se manter em movimento, deixar sua articulação livre, praticar atividade física e sempre buscar uma postura mais ereta quando fizer uso do celular ou tablet.”

Peso x inclinação

Como alerta o Dr. Edson Pudles, o crânio tem um peso que gera mais impacto ao pescoço dependendo do ângulo que fazemos. Enquanto mais inclinamos a cabeça para baixo, maior é o estresse cervical: 
(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)

Palavra do especialista 

Dr. Edson Pudles é presidente do Comitê de Coluna da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

1. Para aqueles que têm os aparelhos telefônicos como instrumento de trabalho, como diminuir os efeitos do text neck sem abrir mão de tempo no dia para o uso do celular? 
Nestes casos, a recomendação é que a pessoa trabalhe com o celular em uma posição mais alta para evitar que o pescoço fique em flexão. Devemos lembrar que a cabeça tem um peso e quanto maior a flexão do pescoço maior será a tensão da musculatura na região posterior do pescoço. Outra recomendação importante é que a pessoa faça intervalos e durante este período pratique alguns alongamentos. Muitos aparelhos têm o recurso de transformar o ditado em texto, o que pode ser um grande auxiliar e evita a flexão prolongada do pescoço.

2. Qual a postura corporal mais adequada para evitar dores durante o uso do celular, leituras e posicionamento em frente ao computador? 
A postura mais adequada sempre será a mais ergonômica. No caso de uso do computador, o monitor deve ficar em uma linha de horizontal com os olhos, e não esquecer de ficar com os antebraços apoiados e joelhos fletidos em 90°. O mesmo deve ser observado ao ler um livro. Melhor sempre sentado e confortável, não deitado.

3. Quais são os tratamentos ortopédicos mais comuns em quem sente os efeitos do text neck? 
Pacientes com queixa maiores e na fase aguda são tratados com medicamentos (relaxantes musculares e analgésicos) e calor local. O mais importante é tratar a causa e não o sintoma. Por este motivo, exercícios regulares, pausas durante o período de atividade e principalmente manter a postura correta é o ideal.

Média preocupante

Segundo pesquisa da GlobalWebIndex, o Brasil é o terceiro país do mundo que mais dedica horas do seu dia ao celular: são 3h14 por dia conectados. Entre os jovens, o número cresce para 4h diárias, chegando a 1460 horas por ano com o celular nas mãos em posturas muitas vezes incorreta. 
 
 
*Estagiário sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio

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