Publicidade

Correio Braziliense CAPA

Chineses entram no novo ano com festa repleta de tradições e simbolismos

Apostando no vermelho para receber o novo ano, chineses (e também brasileiros) comemoram promessas de justiça e harmonia anunciadas pelo signo representado pelo animal mais querido entre os humanos


postado em 18/02/2018 07:00 / atualizado em 19/02/2018 13:31

Wang Po enfeita a porta da casa, para dar desejar felicidade aos amigos: boas energias(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Wang Po enfeita a porta da casa, para dar desejar felicidade aos amigos: boas energias (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
As ruas são tomadas por multidões em festa, que usam cores vibrantes e dançam ao som dos tambores. No centro da comemoração, fantasias dão um clima ainda mais especial e permitem que meros seres humanos dividam coreografias com dragões e leões, tudo acompanhado das explosões dos fogos de artifício. O que parece um cenário típico do fevereiro brasileiro, na verdade, ocorre muito longe daqui e com tradições e simbolismos bem diferentes: no outro lado do globo se celebra, agora, a passagem do ano 4.715 para o 4.716.
 
Diferentemente do nosso calendário, que comemora em 31 de dezembro o réveillon, na China, essa passagem não tem data fixa, porque segue uma cronologia própria, baseada nos movimentos da lua. Hoje, o povo chinês está no terceiro dia de festividades do novo ano, cumprindo tradições que fazem desse evento algo único. Conhecido como Festival da Primavera, o rito conta com uma semana de feriado oficial no país, mas dura até 15 dias, carregados de significados.
 
O motivo de tanta euforia vem dos primórdios da história. Como o país é tradicionalmente agrícola, o fim de ano representava não só o começo de um novo ciclo, mas, também, o agradecimento pelos resultados alcançados durante os meses, como explica Gilberto Vaz, fundador e coordenador do Xiang Long — Grupo de Estudo da Cultura Chinesa de Brasília. “Esse momento significa o real final do ano, quando os agricultores da antiguidade paravam de trabalhar e se juntavam para celebrar a colheita agrícola e a felicidade. Nesse período, as famílias se reúnem para compartilhar o momento juntas.”
 
Nesta virada para 4716, os chineses tomaram as ruas com fantasias de dragões e coreografias ritmadas para comemorar a entrada no Ano do Cão (ou do Cachorro). Na tradição daquele país do outro lado do mapa, um animal representa cada ano, entre 12 bichos escolhidos: rato, boi, tigre, coelho, dragão, serpente, cavalo, cabra, macaco, galo, cachorro e porco. Diz a lenda que Buda convocou todos os animais para uma reunião e somente esses apareceram, sendo homenageados pelo líder religioso.
 
Para Gilberto, essa escolha pode ter sido feita deliberadamente, após muitas revisões. “Eram os animais mais próximos dos antigos chineses. A metade deles era composta de animais domésticos, e a outra, de bichos amados pelos chineses. A ordem deles está baseada no princípio filosófico do Yin Yang, as duas energias opostas que se complementam”, detalha. A cada 12 anos se repete o animal do período, que representa no zodíaco características próprias e únicas que influenciam o ano, como a forte propensão às mudanças e preocupações sociais que traz o Cão.

Primeiro, a família

No Brasil desde 2010, Lulu Pan comemora a virada do ano no calendário chinês: festa em família, com roupas coloridas e comidas típicas de seu país(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
No Brasil desde 2010, Lulu Pan comemora a virada do ano no calendário chinês: festa em família, com roupas coloridas e comidas típicas de seu país (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
A vida de Lulu Pan Teixeira, 34 anos, mudou completamente, em 2008. Nas Olimpíadas em Pequim, onde ela morava, conheceu o marido, o fotógrafo brasileiro Pedro Rezende Pan Teixeira. O casal se apaixonou e, dois anos depois, Lulu se mudou com ele para o Brasil. Hoje, ela é professora de chinês e tenta preservar, no novo país, as tradições que aprendeu com os pais, na China.
 
No ano-novo não é diferente. Lulu conta que tudo começa em dezembro, com uma espécie de pré-comemoração. “Tudo envolve comida. Então, começamos assim, testando receitas e já reunindo algumas pessoas, mas é uma coisa menor. Também já começamos a fazer as faxinas pela casa”, diz. A limpeza é o tradicional feng shui, praticado há mais de 4 mil anos pelos chineses para eliminar as energias negativas e manter os ambientes em harmonia com a natureza.
 
Lulu sempre passa a festa com o marido e o filho de 5 anos e costuma convidar amigos próximos. Antes de vir para o Brasil, ela passava a virada do ano com os pais, avós e tios. “Eles que preparavam tudo, eu só ficava lá, junto, aprendendo e observando. Hoje, sou a mãe e passo os dias preparando tudo para minha família”, orgulha-se.
 
A professora gosta de fazer as receitas típicas, como o pastel chinês. A maior dificuldade de adaptação na cidade foi justamente montar o cardápio da Festa da Primavera. Foi difícil, no início, achar os ingredientes certos, mas, depois de muita pesquisa, ela encontrou nichos de comércio chinês. Lulu também comemora a passagem de ano ocidental em família e faz a contagem dos segundos assistindo à queima de fogos.
 
Lucas se veste de vermelho: cor para trazer sorte(foto: Arquivo Pessoal)
Lucas se veste de vermelho: cor para trazer sorte (foto: Arquivo Pessoal)
As comemorações têm pontos em comum — nas duas culturas, simbolizam renovação e estar com pessoas amadas. No entanto, uma diferença que chama a atenção da chinesa é que, no Brasil, as pessoas costumam passar a véspera com amigos e namorados. “Lá na China, não importa. Você pega avião, trem, carro, volta para casa de qualquer maneira para passar a véspera de ano-novo com a família. Isso é um conceito muito forte para nós.”
 
Um dos maiores esforços de Lulu é transmitir esses valores para o pequeno Lucas. “Na China, a família é o mais importante de tudo e, além de todas as tradições culturais, esse é um dos valores que quero que fique gravado para o meu filho.”

Fontes de inspiração

Yin e yang são forças que integram todos os fenômenos humanos e cósmicos e podem nos inspirar na busca do equilíbrio e de um novo rumo para o planeta, diz o teólogo Leonardo Boff, autor de Ética da vida: a nova centralidade. A figura que representa esses princípios, segundo ele, é a montanha. “O lado norte, coberto pela sombra, é o yin, que se expressa pelas qualidades da anima, do feminino nos homens e nas mulheres: o cuidado, a ternura, a acolhida, a cooperação, a intuição, a sensibilidade.” Já o yang é a luminosidade do lado sul, explica Boff, “e ganha corpo no animus, as qualidades masculinas no homem e na mulher, como o trabalho, a competição, o uso da força, a objetivação do mundo, a análise e a racionalidade discursiva e técnica”.

O defensor da justiça e da honra

 
“Os acordes marciais me convocaram/ Para ouvir suas aflições/ Para
acalmar sua dor/ Eu sou o defensor da Justiça/ Igualdade — minha única
amiga/ Minha visão nunca é empanada pela covardia/ Minha alma nunca é
aprisionada/ Uma vida sem honra/ É uma vida em vão. Eu sou o Cão.”
 
Assim a escritora Theodora Lau, nascida em Shangai e moradora da Califórnia, apresenta o Ano do Cão no seu livro Manual do Horóscopo Chinês, já na 15ª reedição. Na previsão oriental, o ano trará felicidade e discórdia ao mesmo tempo.
 
A brasiliense Juliana Lima, 29 anos, aposta na felicidade. Na China desde 2007, trabalhando como DJ, ela comemora a entrada no ano-novo oriental com expectativas de energias positivas e sorte.  A esperança encontra eco nos prognósticos da cultura chinesa. Será um ano em que as questões controversas terão a oportunidade de ser ouvidas e mudanças não convencionais serão introduzidas, explica Theodora Lau. O lado doméstico do signo, segundo a autora, traz harmonia para a vida em família e um senso de fidelidade constante a qualquer causa que se deseje apoiar. “A causa da liberdade e da igualdade será advogada pela nobre influência do Cão”, anuncia.
 
Mas que os nascidos no Ano do Cão fiquem atentos. A astrologia oriental avisa que não temos muita sorte quando estamos no ano do animal do nosso horóscopo. Como aconteceu com Juliana. Ela não guarda boas lembranças de 2012. “Era o Ano do Dragão, como em 1988, quando nasci, e não foi bom para mim. Mas, agora, as expectativas são de descobrir o que há de errado e aproveitar as oportunidades que virão.”
 
Os chineses que entram no ano regido pelo seu animal costumam usar uma faixa vermelha na roupa durante os sete dias oficiais do Festival da Primavera, para atrair boas vibrações e espantar as ruins, diz a DJ. A cor predomina nas roupas e na exuberante decoração que toma conta das cidades — tudo para trazer felicidade à nova etapa da vida.
 
De férias em Brasília, Juliana conta que descobriu, ao se mudar, que uma boa festa, para os chineses, precisa de muito mais do que músicas animadas. “Eles gostam muito do visual. Não é só o som, você precisa atrair a atenção deles de outra forma, ou com iluminação ou com performance de dançarinas, por exemplo.”
Juliana aposta no novo ano: expectativa é de aproveitar as oportunidades que virão(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Juliana aposta no novo ano: expectativa é de aproveitar as oportunidades que virão (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

E nas comemorações do novo ano não é diferente. O maior evento do país atrai a população com a organização de cada detalhe que preserva as tradições da cultura. “Tudo para na China: duas semanas antes e duas semanas depois do festival, praticamente nenhum comércio funciona. E, no dia do ano-novo, começam os fogos de artifício, que não param até 6 horas da manhã”, descreve Juliana.
 
Assim como o uso do vermelho, a quantidade de fogos disparados ao longo de todo o evento tem destino certo: espantar os maus espíritos, uma prática que se alia à tradicional organização e limpeza de casa nos últimos dias do calendário, para atrair as energias positivas. Tudo, na festa, tem um significado.

Tudo é interligado

O zodíaco chinês é composto por 12 animais que carregam características profundamente estudadas por antigos sábios. Cada ano é dedicado a um animal e a um dos cinco elementos fundamentais da filosofia oriental — metal, água, madeira, fogo e terra. Em 2018, a regência é do Cão de terra. A sabedoria chinesa ensina que nenhum dos cinco elementos pode ser considerado mais forte ou mais fraco. Eles dependem um do outro e também são observados na medicina chinesa e na acupuntura, por governarem os órgãos mais importantes: o metal é associado aos pulmões; o fogo controla o coração; a água, os rins; a terra, baço e pâncreas; e a madeira, o fígado.

O que o signo diz sobre você

Descubra aqui o animal do seu signo e conheça as características:
 
O CÃO ou GOU
Leal e justo. A pessoa nascida no ano do cão é honesta, inteligente e constante. Possui forte senso de lealdade e é apaixonado pela justiça
e pelo jogo limpo. É amigável e despretensiosa, vive em harmonia com todos, sempre disposta a ouvir a razão. Jamais ignora o pedido de socorro de um amigo, muitas vezes protegendo o interesse dos seus entes queridos antes dos seus mesmos. Quando está brava, sua briga é como um relâmpago, feroz, mas logo passa. Tem objetivos de defender metas sociais e guardar os interesses do público em geral. Tem os escudos de defesa sempre armados e é necessário ganhar sua confiança. Tende a ser violenta somente quando atacada ou ofendida. Apesar de ser alegre e brincalhona, é pessimista e se preocupa demais, achando que os problemas sempre estão à espreita.

O RATO ou SHU
Líder e empreendedor. As pessoas do signo do rato costumam ser francas e honestas, porém sempre de forma amável. São fáceis de conviver, trabalhadoras e generosas. Entre seus maiores obstáculos está a ambição exagerada, além de se deixar levar por coisas ou situações não muito confiáveis.
 
O BOI ou NIÚ
Dedicado e trabalhador. São pessoas calmas, metódicas e dignas de confiança. Pacientes e incansáveis, gostam de se manter na rotina. O nascido em boi é obstinado e não costuma mudar de opinião, o que pode fazer com que tenha muitos preconceitos. É orgulhoso e intransigente.
 
O TIGRE ou HU
Carismático e corajoso. O signo de tigre confere uma personalidade rebelde e imprevisível. Tem dificuldades de reprimir as emoções e de confiar nas pessoas. São pessoas com forte caráter humanitário, costumam gostar de crianças e animais. São intensas e cheias de emoções exacerbadas.
 
O COELHO ou TÚ
Amante da paz e inteligente. Sensato, bondoso e sensível, assim é descrito o nascido no ano do coelho. Reservado, artístico e sereno, pode se tornar melancólico e indiferente ao mundo ao seu redor. Não lida bem com críticas. Entre seus defeitos está o fato de dar muito valor a si mesmo, esquecendo-se dos outros.
 
O DRAGÃO ou LONG
Dinâmico e otimista. É excêntrico, extravagante e dogmático. Pode ser muito exigente e irracional, além de egoísta e orgulhoso. Impetuoso, assume posições de poder em quase todos os ambientes em que se encontra. É afetuoso, nunca deixa as pessoas que ama na mão, mesmo que esteja magoado com elas.
 
A SERPENTE ou SHE
Sábia e segura. Confia mais nas próprias intuições e conselhos do que nos outros. Céticos, são pessoas que dão muito valor à privacidade, guardam seus segredos e não se comunicam bem com as outras. Delicadas e elegantes, gostam de estar bem acompanhadas e apreciam a cultura. Têm forte senso de responsabilidade.
 
O CAVALO ou MA
Sagaz e independente. Jovial, popular, conversador e perceptivo, com natureza mutável, mas pode ser colérico, teimoso e arrebatador. Aventureiro de coração, autoconfiante e impetuoso., explode com facilidade, mas logo esquece e retorna ao estado natural.
 
A CABRA ou YÁNG
Artista e cortês. É o signo mais feminino do horóscopo chinês. Nascidos em cabra são íntegros, sinceros e se emocionam com facilidade. Tendem a ser compreensivos com os erros dos outros. Costumam ser apegados ao núcleo familiar. Tendem a ser pessimistas e a prever sempre o pior.
 
O MACACO ou HÓU
Brilhante e curioso. É o signo do inventor, improvisador e motivador. Como um charlatão, é capaz de atrair a todos com sua astúcia e encanto. É hábil, flexível e inovador. Tem facilidade para resolver problemas complicados. Possui complexo de superioridade e, algumas vezes, não tem respeito pelos outros.
 
O GALO ou JI
Eficiente e ambicioso. É percebido como autoconfiante e agressivo, mas, em seu íntimo, pode ser conservador e antiquado. Preciso, organizado, decidido e honrado. Extremamente crítico, pode ser brutal quando pedem sua opinião sincera. Gosta de discutir e tenta sempre
converter todos ao seu modo de pensar.
 
O PORCO ou ZHU
Carinhoso e generoso. Signo de honestidade, simplicidade e força moral. Nascidos em porco se dedicam com todas as forças às tarefas que lhes são designadas. Buscam a harmonia universal, como o carneiro e o coelho. Pacientes, são famosos por se entregar à busca por prazer, podendo se perder no meio do caminho.
 
Fonte: Manual do Horóscopo Chinês, de Theodora Lau 
 

Tempo de renovação, esperanças e união

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 

No Brasil há 30 anos e em Brasília desde 1994, o médico acupunturista e mestre em artes marciais Wang Hsiao Po, 56 anos, não deixou a distância da terra natal afastá-lo de sua cultura, mesmo tendo incorporado costumes brasileiros às comemorações de início de ano. Em 31 de dezembro, ele se reuniu com os amigos e assistiu à queima de fogos para receber 2018.
 
Wang Po está em plena comemoração da chegada do ano 4.716 no calendário chinês. Na casa do médico, as limpezas da casa simbolizando deixar o velho para receber o novo, terminaram há mais de uma semana, para garantir a renovação das energias positivas. Na entrada da casa, os símbolos coloridos pendurados na porta traduzem a forma de dar boas-vindas aos amigos e parentes e lhes desejar paz e felicidade. “Para mim, é isso que o ano-novo simboliza: felicidade. É o mais importante”, diz ele.
 
Wang Po ressalta que o desejo de felicidade é porque nascemos chorando, sofrendo. Segundo ele, na cultura chinesa, a chegada de um novo ano, principalmente para aqueles que entram em um ano regido por seu signo, é um momento de se lembrar do sofrimento e aprender com ele, valorizando a alegria e as formas de se educar para alcançá-la.
 
As comemorações são alegres, mas, para Wang Po, têm um certo gosto de saudades — os pais dele voltaram para a China e o irmão vive em Uberlândia. Em Brasília, moram ele e a irmã. Como nos costumes chineses, o ano-novo é um momento para ser vivenciado em família, o médico sente a ausência dos entes queridos.

Mais velhos ensinam

Para compensar as saudades dos familiares, no entanto, Wang Po e outros chineses se unem durante os dias que marcam a virada do ano e a chegada da primavera. Todos os anos, acontece uma festa na embaixada. “Para nós, a união é o mais importante, e acabamos nos tornando uma família. No início, quando cheguei aqui, a festa tinha cerca de 30, 40 pessoas. Hoje, já são 500, e algumas vezes, até mil”, ressalta.
 
Apesar de focada na união familiar e na renovação espiritual e energética, a animação da festa não perde para as brasileiras. “Todo mundo sai, cozinha, faz alguma coisa. Os mais velhos ensinam os mais novos e temos muitos chás, cerveja, vinhos e saquê. É tudo muito animado e dura vários dias, melhor do que só um”, brinca.
 
Depois da festa, Wang Po reencontra as associações de chineses moradores da cidade para um show público na 105 Norte. A comemoração acontece todos os anos e conta com apresentações de lutas, danças e músicas da cultura oriental.
 

Tradição revivida na entrequadra

Teresinha se apaixonou pela cultura chinesa e ajuda a organizar a festa da virada, na 105 Norte: amor aos chineses começou com o tai chi chuan(foto: Minervino Junior/CB/D.A)
Teresinha se apaixonou pela cultura chinesa e ajuda a organizar a festa da virada, na 105 Norte: amor aos chineses começou com o tai chi chuan (foto: Minervino Junior/CB/D.A)
A riqueza da cultura chinesa atravessa continentes e se mantém viva mesmo na distância, como podemos ver em Brasília, em lugares como a Praça da Harmonia Universal. O local — que já foi reconhecido como patrimônio cultural da capital — sedia tradições orientais, que vão
das atividades esportivas às práticas artísticas. A celebração da Festa da Primavera ocorre lá há 14 anos, com programação diversificada
em cada uma das edições.
 
Este ano, a comemoração será realizada em 3 de março, no 15º dia do ano-novo chinês. A data é simbólica para os asiáticos, que celebram o Festival das Lanternas, a cerimônia que encerra as tradições do novo ciclo do calendário na primeira noite de lua cheia do ano.
 
A organização é toda feita por voluntários, como Teresinha Pereira, 64, uma brasileira que se apaixonou pela China. “Minha ligação com eles começou quando eu conheci o tai chi chuan, uma atividade que melhorou muito a minha qualidade de vida. Daí em diante, eu fui conhecendo melhor a cultura, cheguei até a fazer um curso para aprender o básico do idioma, e me envolvi com a festa de ano-novo”, conta.
 
Com a saúde melhor depois das aulas de tai chi chuan e um laço de amizades criado com chineses moradores de Brasília, a aposentada se esforça para que cada vez mais pessoas possam ter a oportunidade de conhecer as tradições desse povo. “Além de conhecerem muito sobre o próprio corpo e mente, eles têm valores muito fortes que nós podíamos usar de aprendizado.”
 
No primeiro sábado de março, entre as quadras 104 e 105 da Asa Norte, a festa não vai perder um dos principais significados da celebração chinesa: a união. Seguindo as outras edições do evento, serão várias famílias e amigos reunidos em um ambiente aberto a todos, com comidas, apresentações culturais, rodas de conversa e música, tudo de acordo com a tradição chinesa.
 

SAIBA MAIS

Cultura chinesa
O Grupo Xiang Long realiza palestras e outras atividades no DF, como debates temáticos, oficinas, saraus, cine debates etc.. O Xiang Long é composto pelo Gechina (Grupo de Estudo da Cultura Chinesa de Brasília) e pelo Gepac (Grupo de Estudos e Pesquisas Avançados sobre a China).
Saiba mais em: www.culturachinesadebrasilia.com ou gechina@culturachinesadebrasilia.com
 
 
*Estagiário sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade