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Correio Braziliense BICHOS

É possível a convivência entre humanos alérgicos e bichinhos de estimação

Amor aos cães e gatos derruba a antiga restrição, aos humanos alérgicos, de se aproximar dos animais. Com cuidados e tratamentos, a convivência é possível e importante


postado em 18/02/2018 07:00 / atualizado em 16/02/2018 16:43

Entre espirros, nariz coçando, irritação nos olhos, lambidas de cachorros, abraços nos gatos, carinho nos peludos... É assim a rotina de quem tem alergia a cães e gatos, mas nutre paixão pelos bichinhos. Se você se identificou e vive no dilema entre o amor pelo animal e as crises alérgicas, não se preocupe. Especialistas afirmam que é possível conviver com os bichos e controlar a reação do organismo.

Rennis não abre mão do convívio com Flor e Raná: %u201CElas são a minha alegria e meu desestresse%u201D(foto: Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press)
Rennis não abre mão do convívio com Flor e Raná: %u201CElas são a minha alegria e meu desestresse%u201D (foto: Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press)
Para o empresário Rennis Ferreira, de 35 anos, a convivência só faz bem. Ele tem as pugs Flor e Raná como filhas. E, como um bom pai, jamais pensou em largá-las por conta da alergia. Nenhum médico aprovava a sua proximidade com os animais. Mas ele decidiu manter a companhia das cachorrinhas e lutar contra as crises.

“Eu era muito alérgico quando morava com meus pais, tinha crises frequentes. Mas, quando fui para a minha casa com as cadelinhas, senti que os sintomas foram diminuindo, depois de um tempo”, conta Rennis. “O ideal é não ter”, diz o médico Luiz Melo, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia Clínica. “Mas, ao contrário do que se falava antigamente, o recomendado não é mais dizer ‘ou você tira o bichinho ou não volta mais aqui’.”

Melo sempre aconselha quem é alérgico a não ter bichos de estimação. Mas, se o amor pelos peludos falar mais alto,é possível manter a relação de uma forma saudável, reconhece. “Hoje, a gente tem armas para que o paciente mantenha o contato com os animais, se trate e fique melhor. Em algumas situações, as crises desaparecem, mesmo com o convívio”, ressalta.

Há, segundo ele, dois tipos de pacientes: aqueles que descobrem a alergia quando já possuem o animal e os que, apesar de alérgicos, querem um bichinho. O tratamento é adaptado a cada caso. “Se a pessoa quer continuar convivendo com o animal, não vamos obrigá-la a deixar o bicho”, garante Melo. “O paciente pode nos ajudar de outras formas, fazendo o tratamento com medicamentos e vacinas, se preciso.”

É assim, com tratamento e acompanhamento médico, que a analista de sistema Ligia Silva, 40, consegue viver ao lado dos seus quatro cachorros e dois gatos. Desde pequena, ela sofria com alergia, sinusite e bronquite, e a família não deixava que tivesse um animalzinho de estimação.

As crises, porém, não foram suficientes para que ela resistisse ao encanto de um vira-lata que aparecia diariamente em seu portão. “Eu só tive peixe e passarinho, mas um dia um vira-lata apareceu e, todo dia, quando eu chegava do serviço, vinha para a minha porta. Comecei a dar comida para ele, depois a vacina, e acabei o trazendo para dentro de casa”, conta Lígia.

Depois do vira-lata, outros animais foram entrando na vida da analista. “A alergia atacou mais quando comprei a dachshund (raça conhecida como salsicha). Começou a me dar muita coceira e o olho irritava bastante. Então, fiz tratamento, tomei remédio e o problema diminuiu muito.” Ligia também passou a pedir para outras pessoas darem banho e escovarem os cães.
Lígia pega Ninna no colo e o filho, Felipe, acarinha Bolinho e Thomas Pudim: só aconchego(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Lígia pega Ninna no colo e o filho, Felipe, acarinha Bolinho e Thomas Pudim: só aconchego (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Mudança de hábitos

A médica alergista Fernanda Marcelino explica que, para evitar as crises e ajudar no tratamento, os pacientes devem eliminar alguns hábitos e adotar outros. “Tem que dar banho no bichinho mais vezes, evitar que entre no quarto, e não dormir com ele. É importante manter a casa sempre limpa, evitar carpetes e tapetes”, destaca.

Além dos medicamentos, os médicos afirmam que as vacinas imunológicas têm sido grandes aliadas no tratamento. Eles alertam que, além do pelo, a saliva ou a caspa, por exemplo, podem provocar alergia. Por isso, é preciso ficar atento. Fernanda lembra que algumas raças soltam menos pelo e podem ser uma escolha melhor, como o maltês, o schnauzer e o poodle francês.

Para os médicos alergistas, é importante também conversar com um veterinário para saber mais sobre a raça que pretende adquirir e como lidar com o seu animalzinho. “A gente entende que a relação cachorro e dono é muito emocional e não dá para ser cortada, mas há cuidados que devemos tomar nesses casos”, afirma Fernanda.

Luiz Melo aconselha a não temer o acompanhamento médico. “Um alergista consegue administrar a situação, para que a pessoa se livre do problema ou pelo menos minimize os sintomas, sem precisar deixar os bichinhos de lado”, assegura.

Mesmo porque, a hipótese de viver longe dos cães e gatos nem passa pela cabeça dos apaixonados por animais, como Rennis e Ligia. Afinal,
os peludos já fazem parte da família. “Eu amo muito bicho. Para mim são como filhos”, comenta Ligia. “No princípio é difícil, mas nada que um tratamento não controle. Elas são minha alegria e meu desestresse”, diz Rennis, sobre suas pugs.

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