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Correio Braziliense BICHOS

Excesso de peso pode atrair doenças e afetar a qualidade de vida dos gatos

Veja quando é preciso controlar a comida e motivá-los a exercitar o corpo


postado em 25/02/2018 07:00 / atualizado em 23/02/2018 11:44

Eles são fofinhos, amam uma tigela de ração e a soneca é a atividade preferida. Os gatos acima do peso esbanjam simpatia e é difícil não querer apertá-los. Mas é preciso ficar em alerta, pois essas bolinhas de pelo provavelmente estão com excesso de gordura, o que é muito prejudicial à saúde.

Os gatos acima do peso ficam mais vulneráveis a uma série de doenças, alerta a veterinária Giovana Mazzotti, membro da Academia Brasileira de Clínicos de Felinos (ABFeL).  Eles podem adquirir diabete, acúmulo de gordura no fígado, lipidose hepática e problemas articulares. E, com isso, viver menos.

Aila deixou a alimentação livre e peso de Myla disparou:
Aila deixou a alimentação livre e peso de Myla disparou: "O negócio dela sempre foi comer e dormir" (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A.)
Logo, o ideal é tratar do peso do gatinho desde cedo. “Muitas vezes, o dono do animal não percebe que ele está gordo, até que vire uma bolinha. Tendem a achar os bichinhos fofos e bonitinhos, e chegam aqui quando eles já estão obesos”, diz a veterinária.

A estudante Aila Dantas, 33 anos, adotou Myla ainda filhote, há cinco anos. Sem muitas informações sobre felinos, deixou a alimentação livre, conta. “Castramos quando ela tinha três meses e continuei com a comida liberada. Ela estava comendo 3kg de ração por semana e começou a engordar muito.”

Para a veterinária nutróloga Andressa dos Reis, a alimentação e a castração estão entre as principais causas da obesidade nos felinos. “As pessoas não têm instrução de como oferecer comida aos bichinhos, a quantidade, o tipo de alimento escolhido para cada caso”, afirma.

As fêmeas tendem a ficar mais gordinhas. “A castração é um fator, entre outros, como doenças endócrinas e sedentarismo”, explica Andressa. E, segundo ela, não há uma dieta padrão para os gatos. Cada animal deve ser avaliado individualmente, observando o estilo de vida, a idade e o ambiente onde mora.

Hoje, Aila fica mais atenta às porções de comida oferecidas para Myla, que ainda tem dificuldade para perder os quilinhos extras. Outro problema dela é a falta de exercício. “Tenho mais três gatos. Eles correm, brincam, pulam, mas ela é muito preguiçosa, na dela. É raro ficar brincando com os outros, o negócio dela sempre foi comer e dormir.”

Ração especial

Dormir e comer também é só o que quer Lilica, a gata da professora Fernanda Damasceno, 36. A felina já tem 11 anos e, se sobram quilos na balança, falta disposição para se exercitar. Mas nem sempre foi assim. Antes, quando morava em uma casa, a gata costumava sair bastante para passear. Fernanda, então, decidiu castrá-la.

“Ela ficou mais sossegada e mais caseira. Na época, nem passou pela minha cabeça mudar a alimentação, mas ela foi ganhando peso e chegou aos 8kg”, relata. Conscientes de que a obesidade poderia prejudicar a saúde de Lilica, os familiares de Fernanda começaram uma força-tarefa para fazer a gata se exercitar. Géis emagrecedores, caminhadas, mudança na alimentação, nada fez a gatinha perder peso.

“Ela começou a ter alguns problemas na pele por causa do excesso de peso. Como ficava muito tempo deitada na grama úmida, teve também algumas infeções e chegou a perder o pelo da barriga”, conta Fernanda. Lilica passou a comer uma ração especial para gatos obesos e vem controlando os problemas na pele, mas, com a idade e os quilos a mais, não tem disposição para brincar como antes.
Lilica chegou a pesar 8kg e teve problemas na pele: família faz força-tarefa para ela se exercitar e perder peso(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A.)
Lilica chegou a pesar 8kg e teve problemas na pele: família faz força-tarefa para ela se exercitar e perder peso (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A.)

A falta de exercício se agravou quando Fernanda veio do Rio de Janeiro para Brasília e foi morar em um apartamento. Se a gata não fazia exercício com o espaço que a residência oferecia, em um apartamento as atividades ficaram mais difíceis ainda.

A veterinária Giovana Mazzotti explica que os gatos não são preguiçosos, mas se tornam assim. Segundo a especialista, os felinos precisam e gostam, por natureza, de estar em ação, mas, depois de serem domesticados, sem a necessidade de ir em busca de alimento, começam a ficar relaxados.

As especialistas lembram que é preciso motivar os bichinhos a se exercitarem. “Comece pegando a comida e colocando do seu lado para ele vir buscar. Depois de um tempo, comece a jogar a comida pela casa para ele ir atrás”, orienta Giovana. Andressa complementa: “Procure um local mais alto para ele precisar subir e descer toda vez que for comer, já vai ser uma forma de exercício”.

Mas nem todos os gatos recebem bem esses estímulos e cada caso deve ser analisado de forma particular. Daí a importância de buscar o acompanhamento de um profissional. Um veterinário também poderá ajudar o tutor a conhecer melhor o animal e a definir a alimentação e a quantidade mais adequadas para o felino.

Andressa ainda explica que é preciso saber o Escore de Condição Corpórea ( ECC) do gato, pois não existe um peso ideal para os felinos. Os quilos variam de acordo com a idade, a raça e a idade. A escala vai de 1 a 9 — o animal avaliado com ECC 1 está muito magro e, com ECC 9, muito gordo. O ideal é de 4 a 5. Com esse número e o acompanhamento de um profissional, vai ficar mais fácil cuidar da alimentação dos bichinhos.

De olho no felino

Confira as dicas e observe se o seu gato está obeso.
 
Magro
  • Costelas visíveis, nenhuma gordura, abdôme fundo, ossos da coluna e quadril palpáveis.
  • Costelas facilmente palpáveis, pouca gordura, cintura exagerada, ossos das costelas e do quadril palpáveis, pouca gordura abdominal.

Ideal
  • Cintura visível, costelas palpáveis, mas com pouca gordura sobre elas, gordura abdominal discreta.

Gordo
  • Ausência de cintura (a região fica abaulada), costelas não palpáveis, gordura abdominal exagerada.

Fonte: Giovana Mazzotti, veterinária


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