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Correio Braziliense FITNESS & NUTRIÇÃO

Saiba quais são os riscos das dietas que priorizam o consumo de proteínas

Especialistas alertam que uma dieta baseada no consumo excessivo de carne e seus derivados, moda entre as celebridades, pode ser prejudicial à saúde


postado em 25/02/2018 07:00 / atualizado em 26/02/2018 14:46


 
É comum as pessoas seguirem dietas da moda sem orientação personalizada. Consequentemente, a ingestão de determinados alimentos acabam ocorrendo em excesso, e o organismo sofre com a falta de balanceamento nutricional. Para alguns especialistas, esse é o caso da dieta da proteína, tão difundida entre celebridades e que promete a perda de peso imediata. Estudo aponta, no entanto, a sua relação com câncer de intestino.

Para Daiana Bastos, especialista em nutrição esportiva e nutricionista clínica, com o consumo exagerado de proteína, muitas vezes outros alimentos essenciais para o bom funcionamento do corpo são excluídos — a exemplo de frutas, verduras e legumes, fontes de vitaminas, minerais e compostos bioativos. “Esses alimentos são os principais responsáveis por neutralizar o excesso de acidez no sangue, produzido pelo consumo exagerado de proteínas. Portanto, a alimentação equilibrada e individualizada continua sendo a melhor escolha.”

Os alimentos proteicos são classificados de acordo com seu valor biológico. Segundo a especialista, são caracterizadas como proteínas de alto valor biológico as que apresentam grande quantidade de aminoácidos essenciais — aqueles que o organismo não é capaz de sintetizar, mas são necessários para o seu funcionamento. Carnes bovinas e suínas, ovos, frangos, peixes, leites e seus derivados são alguns exemplos desses alimentos.

“É importante lembrar que temos uma grande demanda da população vegana. Mas, com um bom auxílio profissional, a alimentação equilibrada pode ser alcançada”, garante Daiana. As opções de proteína vegetal são: quinoa, ervilha, lentilha, grão-de-bico, tofu, feijão, cogumelos, soja, entre outras. O consumo ideal de proteína para um indivíduo saudável e sem restrições alimentares, que busca um equilíbrio alimentar, é de 1g/kg de peso corporal, diariamente. Ou seja, uma pessoa que pesa 85kg deve ingerir 85g de proteína por dia.

“Proteína em excesso pode prejudicar os rins, provocar acúmulo de gordura corporal, problemas hepáticos e até mesmo inchaços. Uma alimentação saudável, equilibrada e bem planejada por um nutricionista é a melhor maneira de manter o equilíbrio nutricional de macronutrientes e micronutrientes no dia a dia”, destaca Daiana.

Proteína x câncer

No mês passado, a Revista Nutrire, da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição, publicou um artigo conduzido pelo Laboratório de Nutrição e Metabolismo da Atividade Motora da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São paulo (USP), em parceria com o Agro Paris Tech, alertando que a dieta exagerada em proteína pode levar à formação de células tumorais.

O professor Antonio Herbert Lancha Jr. explica, na pesquisa, que o excesso de proteína na alimentação provoca uma sobrecarga na capacidade digestiva, além de levar ao acúmulo de proteínas intactas no intestino. Isso causa modificações nas bactérias intestinais, que passam a produzir gases modificados e geram respostas inflamatórias do intestino. O que pode evoluir para a superexposição do órgão a situações de risco e a modificações cancerígenas.

O organismo está constantemente formando células potencialmente cancerosas. Segundo o especialista em cancerologia e oncologista clínico do Centro de Câncer de Brasília Bruno Wance, quando existe um desbalanço entre os agentes pró-cancerígenas e os agentes protetores contra o câncer, há probabilidade do surgimento de câncer e tumor. “O mecanismo pelo qual o consumo de carne aumenta o risco de câncer ainda não é completamente conhecido. Alguns possíveis agentes envolvidos seriam o excesso de ferro heme na carne, a gordura animal e as substâncias cancerígenas produzidas a partir do cozimento da carne”, pontua Bruno.

Outra conclusão dos estudos relaciona atividade física a uma maior proteção intestinal. “Essa prática leva a uma mudança positiva da população bacteriana intestinal, fazendo com os processos inflamatórios sejam de menor duração e em menor escala. Isso não quer dizer que as lesões e inflamações deixarão de acontecer, apenas que a reparação das células ocorrerá de forma mais acelerada”, afirma o professor Antonio Herbert Lancha Jr.

Israel alia a alimentação à rotina de musculação:
Israel alia a alimentação à rotina de musculação: "Assim, garanto uma velhice saudável" (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Segundo o especialista em treinamento de força/musculação da Universidade de Brasília e coordenador da academia Bluefit, Henrique Silva Castilho, a rotina de atividade física beneficia também o ganho de força, flexibilidade e equilíbrio; o aumento da massa muscular e da massa óssea; a redução da gordura; o controle da pressão arterial e da glicemia; e a melhora a autoestima. É recomendada no tratamento de doenças do estado emocional nocivas, como a depressão, e também de patologias degenerativas, como diabetes e doença coronária.

O consultor de vendas Israel Diniz Mendes, 27 anos, desde a infância criou o hábito de praticar esportes. Futebol e natação eram seu hobby. A musculação tornou-se hábito, entre idas e vindas, há sete anos. Ele tem a consciência que, praticando atividades físicas, garantirá uma longevidade com qualidade, além de prevenção de doenças. “Gosto de fazer exercício físico, faz bem para a saúde. Assim, eu garanto também uma velhice saudável”, diz Israel.

Você sabia? 

Exercícios podem modular o bom funcionamento do trato gastrointestinal. De maneira geral, a atividade física gera um efeito protetor sobre o sistema gastrointestinal quando orientado por um profissional de educação física. É imprescindível o praticante obedecer aos princípios do treinamento.

Fonte: Henrique Silva Castilho, especialista em treinamento de força/musculação da Universidade de Brasília
 
* Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte 

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