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Correio Braziliense BICHOS

Boa alimentação e pré-natal reduzem complicações na hora do parto

Complicações na hora do parto podem ser provocadas por doenças e até por traumas. Boa alimentação, pré-natal cuidadoso e prevenção de infecções reduzem os riscos de problemas


postado em 04/03/2018 07:00 / atualizado em 02/03/2018 15:33

As gestantes sabem bem como é o processo da gravidez. Tudo muda: o humor, o apetite acompanhado de desejos estranhos, os hormônios aflorados, os novos cuidados. Qualquer deslize pode prejudicar a criança. Não é diferente para os animais. As fêmeas também necessitam de atenções especiais e, muitas vezes, passam por maus bocados, de causas diversas, como doenças genéticas, infecciosas, pancadas, traumas e outras.
 
Para Ana Raquel de Araújo Ferreira, especialista em cirurgia de cães e gatos, o acompanhamento de animais no pré-natal é importante e a rotina deve ser de consultas mensais ao veterinário. Ela recomenda que, a partir dos 30 dias de gestação, se faça uma ultrassonografia abdominal para verificar a condição do feto e detectar possíveis malformações. Com 45 dias, é possível ver a quantidade de filhotes, tamanho e posição.
 
Na hora do parto, os animais também podem sofrer complicações, como hemorragia ou distocia — quando o feto encontra dificuldade na hora de passar pela bacia e é preciso algum tipo de intervenção. “As cadelas sofrem mais frequentemente de partos distócicos do que as gatas”, observa Ana Raquel. Esse problema ocorre mais entre elas, porque os cães têm tamanhos mais variados do que os gatos.
 
Algumas raças exigem mais atenção. “Como os buldogues e boston terriers, justamente por possuírem fetos grandes, em relação ao canal do parto”, explica a veterinária. Ela alerta sobre as doenças que podem ocorrer durante a gestação e provocar abortos, partos prematuros e nascimento de fetos fracos e doentes. É o caso da brucelose, da toxoplasmose e da herpevirose.
 
Outro ponto importante é a alimentação. Um dos primeiros sintomas de que a fêmea está prenha, o apetite redobrado decorre das demandas metabólicas e energéticas, que aumentam por conta da formação fetal e da produção de leite. A ração precisa ser de boa qualidade, lembra Ana Raquel.
 
A médica veterinária Fernanda Marques, membro da Comissão de Animais de Companhia (Comac), reforça que é fundamental cuidar da alimentação. “É indispensável, para evitar qualquer tipo de estresse, que se recorra ao veterinário, que pode prescrever suplementos para cada tipo de animal”, recomenda.

Artéria rompida

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
A advogada Mariana Felipe do Rosário, 28 anos, pratica hipismo desde a infância. Para ser a sua companheira de salto, comprou a égua Ballerina. Porém, após uma lesão, Ballerina ficou um longo tempo sem treinar. Mariana, então, decidiu investir em um sonho antigo: ter um potrinho.
 
Na pesquisa sobre a reprodução de cavalos, percebeu que quase nada sabia sobre o assunto e decidiu criar um perfil no Instagram, para compartilhar as descobertas. “Li bastante sobre a reprodução equina, tive a ajuda de vários profissionais, e procurava sempre postar esses conhecimentos novos no Instagram”, relembra.
 
Da concepção até o nascimento do filhote de Ballerina, foram exatos 12 meses. Mariana estava em uma festa na casa de amigos quando recebeu uma ligação do haras. A notícia do nascimento de Mira, a potrinha, que chegou ao mundo saudável, veio acompanhada de uma enorme tristeza: Ballerina sofreu uma complicação no parto e não resistiu.
 
“Uma artéria do útero se rompeu durante o parto, uma ocorrência bastante improvável para uma égua nova como a Ballerina, de apenas 11 anos, mas fulminante”, conta Mariana. Com a falta de Ballerina, os cuidados com a potrinha recém-nascida precisaram ser redobrados, principalmente com a alimentação. Mas tudo ocorreu bem, e a vida de Mira pode ser acompanhada no perfil do Instagram.

Trauma na rua

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
A gatinha vira-lata Suzy, 1 ano, foi resgatada pela professora e secretária executiva Jackeline Monteiro Sousa, 36 anos, em uma igreja, próximo à sua casa. Tudo aconteceu depois que uma pessoa gritou, em seu portão, avisando que uma gatinha havia sido atacada. Jackeline correu, pegou Suzy já em trabalho de parto e levou para casa.
 
Suzy pariu três filhotes e ficou muito debilitada. No dia seguinte, Jackeline levou a gatinha ao médico veterinário, que detectou duas fraturas. Seria preciso passar por cirurgia. Sem condições de bancar os R$ 5 mil do tratamento, a professora recorreu às redes sociais, fez campanhas, bazar, tudo o que era possível para arrecadar o dinheiro.
 
E conseguiu. A gata precisou colocar pinos expostos e ficar assim durante três meses. “Além disso, ela está castrada e à procura de um novo lar. Porém, deve ser uma adoção responsável, já que ela passou por muitos traumas na rua”, ressalta Jackeline.
 
Durante o período de lactação, Jackeline teve o cuidado de dar vitaminas e ração especial, indicadas pelo veterinário. Os gatinhos ficaram bem e saudáveis, e foram doados. “Nós procuramos, agora, um lar para a Suzy. A cada dia ela fica mais carinhosa e dengosa. Merece ser feliz”, diz, esperançosa.

Quem quer ficar com Suzy?

Interessados em adotar a gatinha Suzy podem enviar e-mail para: jack_davi@hotmail.com

Para acompanhar a história de Mira, 
a potrinha da égua Ballerina, siga o perfil no Instagram: @ballerinababymira

Cuidados essenciais 

  • Manter os animais gestantes bem alimentados e livres de parasitas.
  • Mantê-los protegidos do frio e calor excessivos.
  • Sempre deixar água limpa e fresca à disposição.
  • À suspeita de gestação, procurar o veterinário para fazer o diagnóstico e o acompanhamento.

Saiba mais

  • Em média, a gestação dura de 56 a 72 dias, em gatas e cadelas.
  • Há relação inversa entre o tamanho da ninhada e o tempo de gestação, ou seja, quanto maior o número de filhotes, menor o tempo gestacional.
  • Cadelas mais jovens costumam ter ninhadas menores.
  • O alimento deve ser em menor quantidade e mais vezes ao dia, à medida que a gestação progride.

Fonte: Ana Raquel de Araújo Ferreira especialista em clínica e cirurgia de cães e gatos.

 

* Estagiário sob supervisão de Valéria de Velasco

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