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Correio Braziliense BICHOS

Anemia também ataca os gatos e pode ser fatal, se não tratada a tempo

Doença tem os mesmos sintomas e problemas que provoca nos humanos e nos cães


postado em 11/03/2018 07:00 / atualizado em 12/03/2018 15:09

Um estudo do Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (HVet) para avaliar as doenças mais frequentes entre os atendimentos realizados mostra que a anemia é um sinal clínico comum em doenças inflamatórias, infecciosas, renais e até mesmo nos traumas sofridos pelos felinos. As doenças infecciosas aparecem em primeiro lugar na pesquisa, com 32%, seguida de traumas (28%) e processos inflamatórios (12%).

Os especialistas são unânimes em alertar que os tutores devem ficar atentos aos sinais de anemia que podem surgir no dia a dia. Se não tratada, pode levar o animal a óbito. Médica veterinária  especializada em felinos, Juliana Costa explica que a anemia é a diminuição do número de hemácias, que são as células vermelhas do sangue, responsáveis por levar oxigênio para todo o organismo.

Não é uma doença propriamente dita, esclarece a médica. E sim um sinal clínico subjacente de alguma outra doença. Em gatos, segundo Juliana, as causas mais comuns são infecções que se instalam na membrana da hemácia, como a mycoplasma haemofelis e a hemoparasita; infecção por vírus, como o vírus da imunodeficiência felina (FIV) e o vírus da leucemia felina (FeLV); intoxicação medicamentosa e doença renal crônica.
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

“Cada etiologia (estudo da causa) possui mecanismo específico no desenvolvimento da anemia”, ressalta Juliana. Portanto, ao se deparar com estado anêmico do animal, é necessário pesquisar qual é a causa do problema.

Palidez

“O tutor deve observar se o felino apresenta mucosas — entre os lábios e a gengiva — pálidas, sintoma muito característico da anemia”, orienta o médico veterinário Mário Marcondes, diretor clínico do Hospital Veterinário Sena Madureira, de São Paulo. A anemia traz para os bichanos os mesmos sintomas e problemas que provoca em cães e nos humanos. O que pode ser diferente, diz ele, são as doenças.

Para detectar a anemia, são necessários exames. “O mais usado é o hemograma. Mas, para detectar as causas, o veterinário de confiança pode solicitar o teste das viroses, como o FeLV, e do parasita haemobartonella”, esclarece Marcondes.

Uma das principais causas da anemia, de acordo com o veterinário, é o consumo da própria hemácia por uma espécie de rompimento da parede que reveste as células, chamada de lise celular . “Entre outras estão a doença autoimune, diminuição na produção das hemácias, como no vírus que causa FeLV, por verminoses ou diminuição de ferro, por exemplo”, cita Marcondes.

Quando se trata de anemia, diz Juliana Costa, os gatos possuem particularidades de extrema importância que os tornam mais vulneráveis. Além de o organismo ter uma certa falha na produção de algumas substâncias capazes de proteger as hemácias, a própria composição dessas células é diferente.

Sendo assim, a hemácia do gato é muito mais sensível à oxidação, explica a médica. “Quando em número menor, o carreamento do oxigênio não é suficiente para a manutenção do funcionamento dos órgãos. Assim, sem tratamento adequado, ela pode ser fatal”, observa.

Transfusão de sangue

Há cerca de um ano, o estudante de publicidade e propaganda Pedro Henrique Fontenele Albuquerque, de 20 anos, perdeu o seu amigo vira-lata, José, para a anemia. O gato era a alegria da casa e foi o primeiro. A mãe de Pedro relutava em ter bichos. Com José, ela rompeu a barreira e o acolheu como membro da família.

“Ele foi resgatado e era o mascote da clínica onde meu irmão trabalhava como auxiliar veterinário. Meu irmão o adotou”, relembra o garoto. José fazia exames de rotina e tomava as vacinas na clínica. Mas, mesmo assim, em fevereiro do ano passado, começou a mudar o comportamento, ficando cada vez mais recluso, magro e com aspecto de doente.
(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)

A saúde de José foi piorando e foi preciso recorrer a outra clínica para tentar uma transfusão de sangue. Mas, enquanto todos se mobilizavam para encontrar um gato doador, o bichinho não resistiu. “A clínica nos ligou e informou que José havia morrido. Foi muito triste”, conta Pedro, emocionado.

O estudante acredita que José ficou doente depois que o pai dele morreu. A família viajou para acompanhar o sepultamento, e eles ficaram ausentes por um bom tempo. “Talvez ele tenha se entristecido. Na minha percepção, animais também sentem o que sentimos”, acredita Pedro.

Alimentação 

A nutrição, de acordo com Juliana, é fator determinante para o sucesso de qualquer tratamento. Como um dos sintomas da anemia é a perda do apetite, ela recomenda procurar rações para gatos convalescentes, além de suplementos vitamínicos. Mas sempre sob a orientação do médico veterinário.

“É importante frisar que o gato precisa comer e ingerir as calorias necessárias para alcançar seu requerimento energético diário”, diz Juliana. “Se a ração de sempre está resolvendo, então está ótimo.” Um ponto importante na prevenção é não medicar sem indicação do veterinário. O gato é supersensível e medicações inadequadas podem causar anemias agudas e potencialmente fatais.

Outro alerta é fazer o controle de pulgas, as principais transmissoras da mycoplasma haemofelis. “Por fim, consultas periódicas para check-up são ideais no diagnóstico preciso e rápido das doenças, o que é determinante para o sucesso da terapia adotada”, lembra Juliana.

A advogada Ana Eliza Camargo Chacel, 43 anos, faz parte de uma ONG que resgata animais e os prepara para adoção. Um dia, avistou um movimento diferente perto de sua casa e, ao se aproximar, encontrou um gato entre as plantas. Mel, como ela o batizou, estava pele e osso. Ana Eliza lhe deu banho, aqueceu e o levou ao veterinário. Devido ao tempo que ele ficou sem comida, teve lipidose hepática (acúmulo de gordura no fígado).

“Gatos não podem ficar muito tempo sem se alimentar”, conta. Depois de dias internado, ele voltou para a casa da advogada, para a recuperação. O tratamento é longo — a cada 15 dias, são feitos novos exames. Os últimos mostram que Mel já voltou ao normal. “Hoje está lindo e pronto para adoção”, avisa Ana Eliza.

Gabi também se recupera de anemia na casa da advogada. Resgatada depois de ser atropelada na Ceilândia, ela estava tão machucada que precisou passar por cirurgia. “Foram 30 dias de medicação e vitaminas, mas ela já está ótima e pronta para adoção também”, comemora Ana Eliza.
 

Atenção aos sinais

  • Mucosa pálida
  • Perda de apetite
  • Letargia
  • Febre
  • Dependendo do grau e duração, a anemia pode também apresentar:
  • Taquicardia (aumento da frequência cardíaca)
  • Taquipneia (aumento na frequência respiratória)
  • Mucosas ictéricas (de aspecto amarelado)
Fonte: Juliana Costa, médica veterinária especializada em medicina felina.
 

Adoção

Para ficar com Mel ou Gabi, ligar: 99309-2333
 
 
Agradecimentos
CEV Brasília: cevbrasilia.com.br
 
 
* Estagiário sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio 

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