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Correio Braziliense CAPA

Unir turismo a cerimônia intimista tem sido opção de cada vez mais casais

Eles buscam paisagens paradisíacas ou locais com simbolismo especial para dizer o tão esperado sim


postado em 11/03/2018 07:00

Passagens aéreas, passaporte, hotel reservado. Na mala, um vestido de noiva, terno, gravata e alianças. O destino? Casamento. É essa a proposta do destination wedding, sair do casamento tradicional e transformar a celebração do matrimônio em uma viagem inesquecível.

Seja no litoral, seja no campo ou na cidade, no Brasil ou no exterior, opções de paisagens maravilhosas não faltam. Segundo a wedding planner Diana Parigot, da Welcome trips, a procura por esse tipo de serviço tem crescido no Brasil. A agência em que ela trabalha, por exemplo, realizou 17 casamentos nesse estilo em 2016. Em 2017, o número pulou para 48 celebrações e, para 2018, já há 60 festas agendadas.

Com a empresa de Adriana Pereira da Silva, a Kemp Viagens, não é diferente. Ela conta que passou a investir nesse tipo de serviço em 2015, depois de ter sido procurada por uma noiva. Já no ano seguinte, realizou 12 casamentos, número que subiu para 49 em 2017. A expectativa é de que em 2018 sejam organizadas 100 cerimônias.

Ela acredita que o motivo principal para esse aumento é o baixo custo com a festa. “Normalmente, os noivos pagam a cerimônia, as próprias passagens e hospedagem. Os convidados se bancam, e isso deixa tudo muito mais em conta”, justifica.

O consultor de eventos César Serra ressalta que as vantagens do destination wedding são muitas. Entre elas, cenários incríveis, um álbum de fotos diferente, a redução do número de convidados e uma comemoração prolongada. Mas, para garantir que a festa dos sonhos não se torne um pesadelo, ele alerta para alguns detalhes. O primeiro é buscar uma boa assessoria. “Um casamento fora dá muito mais trabalho. O profissional que vai apoiar o casal tem que ter toda uma estrutura, como o conhecimento de bons fornecedores.”

Diana conta que trabalha com diferentes fornecedores nos destinos mais procurados, como Punta Cana e Caribe. “A gente tem produtores e parceiros nos principais locais. Caso os noivos escolham um lugar novo, a gente vai atrás dos profissionais, faz visita técnica e fecha um bom contrato para garantir os fornecedores”, explica.

Adriana destaca que as empresas oferecem variados pacotes que podem facilitar a organização da festa. Ela explica que a maioria dos resorts que fazem esse tipo de serviço tem toda a estrutura pronta. Os noivos apenas pagam o valor da hospedagem e, algumas vezes, uma pequena taxa. Isso costuma dar direito a uma festa para cerca de 30 pessoas, com local, cadeiras, bancada para a cerimônia, bolo e espumante incluídos.

Alguns hotéis, segundo Adriana, oferecem ainda o buquê e a flor da lapela do noivo. A decoração é simples, mas o casal tem a opção de incrementar a festa com mais flores e banda, por exemplo, além de aumentar as quantidades, de acordo com o desejo e o orçamento.

Serra aponta que, além de uma boa assessoria, é preciso ficar atento aos costumes do país escolhido, em casos de casamentos no exterior. “A noiva que casa em Punta Cana tem que entender que não existe o bombom que tem no Brasil, alguns lugares não oferecem bolo-maquete, não há bem-casado. Ela precisa ser uma noiva aberta às novas opções e se adaptar ao lugar que escolheu”, frisa.
(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)

O sim diante de 12 pessoas

Um lugar especial para o casal foi o destino escolhido para a cerimônia que uniu Andressa Lucena de Miranda Jaguaribe, 27 anos, e Pedro Raposo Jaguaribe, 27. Em 2016, o casal fez uma viagem para Portugal, com passagem por Barcelona, e foi durante o passeio que o noivo fez a tão esperada pergunta para Andressa.

A engenheira civil e o advogado começaram a namorar em 2011 e, desde o início do relacionamento, falavam em casamento. “Mas sabíamos que era preciso esperar o namoro amadurecer e nos estabelecer financeiramente para iniciar nossa vida a dois”, pondera Andressa.

Seis anos depois, eles disseram o sim na Praia da Adraga, em Sintra, Portugal. Ao escolher o lugar, o casal sabia que a viagem seria cara. Por isso, não criaram expectativas nem se chatearam com os que não puderam ir. Ao todo, foram 12 convidados: os pais dos noivos e quatro casais de padrinhos, um deles a irmã e o cunhado da noiva.

Apesar de sempre ter sonhado com uma grande festa de casamento, a noiva abriu mão da ideia ao perceber que o valor seria mais do que o bastante para reformar o apartamento do casal. “Resolvemos casar no civil e fazer uma viagem de lua de mel, mas o sonho de me casar vestida de noiva persistia”, confessa Andressa.

Quando fazia orçamentos para a festa, ela se deparou com o elopement wedding, tendência que consiste em “fugir” para se casar. Em geral, apenas os noivos viajam, mas podem ser acompanhados pela família e poucos amigos. 

O casal passou alguns dias em Lisboa e a ideia se formou na cabeça de Andressa. “Como eu queria muito marcar esse momento, decidimos fazer uma pequena cerimônia na praia, com os nossos pais, e depois,  jantar em um restaurante próximo”, conta. Depois, o casal seguiu para a lua de mel na Itália. 

Apesar da ausência de pessoas queridas, Andressa não se arrepende de ter trocado uma festa pelo destination wedding. “Foi uma celebração íntima, com romantismo e amor. Percebemos que o que importa realmente são as pessoas que torcem pela nossa felicidade, presentes ou vibrando de longe, pois a essência de um casamento é a cumplicidade, a família e a celebração do amor.”

O mar como convidado especial

(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)
“Nós adoramos o mar. Sempre que podemos, fugimos para vê-lo. Então, pensamos em fazer uma cerimônia com pé na areia, onde o mar fosse o plano de fundo”, conta a servidora pública Karine Rodrigues da Silva, 30 anos, que se casou em Punta Cana, na República Dominicana.

Depois de tomar a decisão, ela e o noivo, o também servidor público Renan Oliveira Santos, 38, se conformaram em dizer o aguardado sim sozinhos. Pelos custos, pensaram que ninguém iria querer acompanhá-los. “Não imaginávamos que as pessoas fossem topar nos acompanhar por conta própria, mas, quando fechamos o contrato e comunicamos aos amigos e familiares, 24 pessoas quiseram viver esse sonho com a gente”, lembra Karine.

Apesar de não ter feito orçamentos de festas em Brasília, por não ser o tipo de cerimônia que queria desde o início, Karine afirma que, na mesma época, tinha amigas organizando os próprios casamentos e, pelos cálculos, chegou a gastar 80% a menos que algumas delas.

Juntos desde 2014, oficializaram a união em junho do ano passado e afirmam que se casar em uma praia, no exterior, e ainda emendar a lua de mel foi uma das melhores decisões que tomaram. Apaixonados por viagens, Karine e Renan não sonhavam com uma festa tradicional e resolveram se casar em uma cerimônia que simbolizasse o espírito viajante do casal.

Karine afirma que poder dizer sim para o marido em frente ao mar azul-turquesa, com a família e os amigos esperando por eles na areia, foi um dos momentos mais inesquecíveis de sua vida. Punta Cana também foi o destino escolhido pela publicitária Elisa Roriz, 38. Para ela, que nunca tinha sonhado em se casar na praia, a escolha foi certeira. “Eu, simplesmente, amei ter me casado fora. Foi uma viagem de amigos com um casamento no meio. A animação era latente, as pessoas que foram realmente queriam estar lá.”

Quatro festas

(foto: Photo Souvenir Punta Cana/Divulgação)
(foto: Photo Souvenir Punta Cana/Divulgação)
Elisa conta que a ideia de se casar na praia, inicialmente, não agradou muito, mas passou a ser uma opção por não encontrar fornecedores disponíveis e hotéis pequenos em outros lugares. “Não era uma proposta que me agradasse, pois os pacotes dos grandes hotéis eram muito limitados e eu não queria aqueles hotéis imensos que, enquanto você casa, outros hóspedes estão de biquíni na piscina.” 

Mas foi justamente o hotel que levou Elisa a escolher as praias de Punta Cana. O casal fechou um pacote com uma agência de viagem e quatro diárias para os convidados. “Decidimos fazer uma festa por dia, já que a proposta era que as pessoas curtissem o local.”

Para organizar a cerimônia, o hotel ofereceu a Elisa três diárias para conhecer o local e conversar com os fornecedores. “O hotel que escolhemos também tem o serviço de cerimonial para casamentos, o que fez grande diferença. Então, três meses antes da festa, eu viajei com minha mãe para lá”, relembra.

Depois da viagem, todas as tratativas passaram a ser pela internet. “Eu sou uma pessoa muito detalhista, então escolhi absolutamente tudo do meu casamento. Essa parte foi um pouco difícil, pois, além dos preços em dólar, havia a escassez de fornecedores e serviços. Foi um pouco estressante em determinado momento por conta da diferença do serviço que é oferecido lá e todas as opções que temos em Brasília”, comenta.

A cerimonialista do hotel ajudou Elisa com a indicação de vários fornecedores para que tudo saísse perfeito. A jovem só levou do Brasil o DJ e alguns doces que não existiam no país, como bem-casado e pão de mel.

O casamento contou com 120 convidados, que comemoraram a união do casal em um jardim do hotel com vista para a praia. “100% dos hóspedes eram convidados e a maioria se conhecia. Fez toda a diferença. Virou uma grande viagem de amigos com festas todos os dias”, lembra.

Sobre gastos, diferente de Karine, Elisa assume que o casamento não saiu mais barato do que se tivesse feito em Brasília, por ter tido quatro festas, todas personalizadas e com decorações diferentes. Porém, ela destaca que o investimento valeu a pena. “Eu indico demais fazer casamento fora, pois a animação é diferenciada. Se for um pacote de alguns dias, o mais legal é que, no dia do casamento, todos os convidados já se conheceram, então, vira realmente um grande encontro de amigos.”

Barateando os custos

Um dos principais motivos que levam as noivas a optarem pelo destination wedding é a duração da festa. Por ser uma viagem, a programação costuma ir além da cerimônia, proporcionando uma convivência de, no mínimo, três dias com familiares e amigos. Adriana Pereira da Silva acrescenta que muitos dos casais que procuram a sua agência e escolhem casamentos no Caribe, por exemplo, nunca viajaram para o exterior. “Eles realizam dois sonhos de uma vez, se casam e conhecem outro país.”

Outra vantagem é o valor gasto. O consultor de eventos César Serra explica que nem sempre o valor do destination wedding é menor do que o de uma festa tradicional, pois os custos variam de acordo com o estilo da festa e o número de convidados, mas que a redução é possível.

“Em alguns casos, chega a custar 30% mais barato que uma festa realizada no Brasil, devido à quantidade de convidados, que tende a ter números reduzidos, já que cada um arca com seus gastos de viagem”, conta.

Adriana ainda complementa que muitos dos resorts fazem promoções e pacotes especiais para os noivos. “A cada cinco hospedagens, eles dão a sexta de graça ou somam as horas de hospedagem de todos os convidados e oferecem horas de festa, de acordo com a média das noites alugadas. Se os noivos e convidados compram, ao todo, 75 noites, por exemplo, eles ganham uma festa de nove horas, com bebida e comida, que pode ser dividida em dois dias”, explica.

A profissional afirma que, caso paguem apenas os próprios custos e resolvam incrementar a cerimônia, o casamento custa R$ 15 mil em média. “Isso é com uma festa boa, com bebidas e decoração extra. Acredito que, mesmo se pagarem para alguns convidados da família, como muitos acabam fazendo, também sai mais em conta do que uma grande festa em Brasília”, completa.

Sem sair do Brasil

(foto: Rafael Ohana/Divulgação)
(foto: Rafael Ohana/Divulgação)
A fotógrafa Priscilla Vallone, 24 anos, define bem a sua festa de casamento: “Inesquecível”. Priscilla e o marido, o empresário Filipe Souza, 25, não precisaram ir muito longe. Os registros da cerimônia do casal são a prova de que o Brasil também tem cenários perfeitos para um lindo destination wedding.

Nas fotos, as lembranças da festa ainda emocionam Priscilla. “Não tem como descrever. Acho que o principal foi a energia da cerimônia. Foi incrível. A gente sentia o carinho das pessoas, uma energia boa e positiva”, diz.

A escolha não podia ser mais romântica. Os noivos se casaram em Gramado, na Igreja de São Pedro, próxima aos cadeados coloridos da Fonte do Amor Eterno. O casal já conhecia a cidade. Inclusive, o pedido de casamento foi feito durante uma viagem ao local. “Ele fez o pedido ao lado da fonte e, quando colocamos o cadeado, vimos a luz acesa na igreja. Então, entramos para fazer uma oração e decidimos que a gente casaria ali”, relata a fotógrafa.

Trabalhando há anos com festas de casamento, Priscilla e Filipe já tinham em mente que, quando ficassem noivos, queriam uma cerimônia diferente. “Se fizéssemos a festa em qualquer salão de Brasília, seria como se tivéssemos saído para trabalhar. A gente conhece todos os salões, todos os fornecedores, então seria um dia muito normal”, justifica a fotógrafa.

Outro motivo que levou o casal a optar pelo destination wedding foram os gastos com a festa. “Sem dúvida, desembolsamos um terço do que gastaríamos aqui. Nosso casamento em Brasília teria muitos convidados e isso encarece muito a festa, porque tudo é cobrado por pessoa.”

Filipe ainda destaca a duração da festa como outro importante motivo. A maioria dos convidados embarcou na quarta-feira e seguiu uma programação, opcional, durante todos os dias, já que a cerimônia estava marcada só para o sábado. “O custo da festa é muito alto para durar só cinco horas”, comenta o empresário.

A preparação da festa durou cerca de 11 meses. Apoiado por uma cerimonialista de Brasília e indicações de fornecedores, o casal acompanhou os preparativos por telefone, e-mail e WhatsApp. Priscilla e Filipe só foram a Gramado um mês antes do casamento para garantir os últimos detalhes, como escolha dos doces e do chope.

Destinos mais buscados pelos brasilienses

  • Cancún —   Média de R$ 4 mil por pessoa, incluindo passagem e hospedagem all inclusive.
  • Punta Cana —   Média de R$ 4 mil por pessoa, incluindo passagem e hospedagem all inclusive.
  • Jamaica —   Média de R$ 5 mil por pessoa, incluindo passagem e hospedagem all inclusive.

* Com esses valores, os noivos têm um custo de cerca de R$ 10 mil por casal caso optem pelas cerimônias mais simples oferecidas pelos hotéis.

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