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Correio Braziliense BICHOS

Aves e animais como cabras e porquinhos chamam a atenção por onde passam

Bons companheiros e carinhosos como os cães e os gatos, esses bichos também frequentam os petshops e tomam a cena por serem diferentes e encantadores


postado em 18/03/2018 07:00

Uma cabra saindo toda produzida do petshop, um porco passeando de coleira pelo condomínio, um papagaio cinza no ombro do vizinho. Parece cena de filme, mas não. Qualquer brasiliense pode esbarrar nesses bichos pela capital, principalmente se frequentar os mesmos lugares que a empresária Bruna Borges, de 30 anos, e o jornalista Mauro Burlamaqui, 52.
Perfumados e penteados, Ivete e Donatelo esperam a tutora, no petshop, no colo de Aline e Mariah:
Perfumados e penteados, Ivete e Donatelo esperam a tutora, no petshop, no colo de Aline e Mariah: "A gente ama quando eles vêm", conta Mariah (D) (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press; )

É impossível dizer que os bichos não chamam a atenção. Enquanto nossa equipe conversava com Bruna, não teve uma pessoa que passasse em frente ao petshop e não parasse para tirar foto ou comentar sobre a cabra e o porco. “A gente mora em condomínio e, quando vamos passear com eles, todo mundo para, quer tirar foto, quer pegar”, comenta a empresária.

Ivete, a cabra, está com Bruna há menos de um ano e, sem dúvida, é uma das estrelas do petshop de Mariah Palhares. “A gente ama quando eles vêm aqui. Os clientes ficam superanimados e curiosos, e os nossos funcionários amam dar banho e fazer a tosa neles. Quando a gente coloca nas redes sociais, o pessoal curte e pede para avisar o dia em que eles vêm de novo”, afirma.

E não pense que Ivete brilha sozinha. A cabra tem vários irmãos. Além dela, Bruna tem um miniporco, o Donatelo, e um minicavalo, Dominic. Além deles, um gato e alguns cachorros. Todos na mesma casa, criados como animais de estimação. “Eu cresci em uma fazenda e queria que minha filha convivesse com animais também. Descobri o mini-horse (cavalo) e vi que era tranquilo, que dava para criar na minha casa. Quando fui ao criador, vi que ele também tinha minicabras e acabei comprando a Ivete”, relata.

Bruna conta que os bichos são calmos e ficam soltos na residência. “Temos uma área de gramado bem grande, onde eles ficam, mas também entram em casa. A cabra não pode ver a porta aberta que já corre para dentro. Já os outros gostam mais da grama”, diz.

Menos trabalho

Bruna destaca que a convivência da cabra e do porco com os outros animais é ótima e que alcançou o objetivo de que a filha de 2 anos conviva com os bichinhos. “Ela quer abraçar todo mundo, dá bom-dia para eles. É maravilhoso”, ressalta.

Sobre os cuidados, a empresária garante que os bichos exóticos chegam a dar menos trabalho do que cachorros e gatos. Eles são vermifugados e só tomam uma vacina por ano. A alimentação é feita com ração, e eles costumam pastar nas áreas por perto também.

Os bichos tomam banho normalmente e, para espanto de alguns, o porco é o que mais curte a hora do chuveiro. “O povo diz que porco é sujo, mas não é. Eles são superlimpinhos. O Donatelo só faz as necessidades no lugar certo, é educado, tranquilo e ama tomar banho”, assegura a empresária.
Donatelo gosta de se produzir no petshop: sucesso na rua(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press; )
Donatelo gosta de se produzir no petshop: sucesso na rua (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press; )

É um fato que ter espécies diferentes é um encanto e pode ser muito divertido, mas o veterinário Elber Costa alerta que, assim como todo animal de estimação, com o bicho vêm as responsabilidades. “Antes de comprar um animal diferente, as pessoas devem estudar sobre aquela espécie. Tem bicho que é muito ativo, outros que dormem muito, alguns com uma alimentação diferenciada, entre outros pontos”, recomenda.

Linguagem diferente

Para a veterinária Luciana Soares, o primeiro ponto a ser levado em consideração na hora de escolher o bicho é o real objetivo da compra. “É preciso ver o que está motivando a pessoa a escolher um bicho diferente. Alguns não interagem tanto, então é preciso ver o que a pessoa está esperando daquele animal, se ele vai suprir a sua necessidade”, destaca.

Elber explica que os animais exóticos e silvestres também podem ser ótimos companheiros. “Eles desenvolvem relação de afeto com o dono, mas com uma linguagem diferente, e os proprietários sabem reconhecer isso.” O veterinário acrescenta que os répteis, geralmente, não interagem tanto, mas que outros animais, como aves e roedores, podem ser ótimos companheiros.

A relação do jornalista Mauro Burlamaqui com suas aves é a prova disso. Mauro tem dois papagaios-cinzentos e uma arara maracanã. “Eles são muito atentos, muito inteligentes, observam tudo, imitam um monte de palavras e são muito companheiros. É uma sensação engraçada, porque do nada você se pega conversando com uma ave.”

As aves sempre foram a paixão de Mauro. Ele conta que a inspiração veio de um seriado infantil, no qual um detetive andava com uma cacatua no ombro. “Eu achava aquilo o máximo. Eu sempre quis ter uma, mas nunca achei que seria possível, achei que ter ave de estimação era coisa de televisão. Mas depois, mais velho, eu comecei a estudar sobre essa possibilidade.”

Registro legal

"Não dá para explicar. Eles param de ser um bicho. É um ser que depende de mim, mas eu também dependo dele. É um apego muito grande." Mauro Burlamarqui, jornalista (foto: Arquivo Pessoal)
 
A primeira ave foi uma calopsita que Mauro ganhou de presente. Há seis anos, ele comprou uma arara, a Nina, depois, a Benta, um papagaio-cinzento, e, recentemente, abriu o lar para mais um papagaio, o Chico. “Não dá para explicar. Eles param de ser um bicho, a gente esquece que comprou, que custou dinheiro. Ele é um ser que depende de mim, mas eu também dependo dele. É um apego muito grande.” 

Como um bom amante das aves, Mauro garante que toma todos os cuidados para se certificar de que os bichos que compra são legalizados. Para ter certeza, ele pesquisa sobre os fornecedores e verifica se têm registro no Ibama.

“Todas as aves têm anilha e sempre ando com a documentação”, frisa. Mauro ainda ressalta que tenta dar o máximo de carinho aos animais. Apesar de trabalhar o dia todo, o jornalista sempre tira um tempo para ficar com eles, seja fazendo café com a Nina no ombro, seja levando o lixo para fora com a Benta.

"O povo diz que porco é sujo. Eles são superlimpinhos. O Donatelo só faz as necessidades no lugar certo, é educado, tranquilo e ama tomar banho”
Bruna Borges, empresária 

Proteção especial

Criar bichos diferentes demanda cuidados. Além de estudar sobre a espécie escolhida, é preciso conhecer as necessidades de cada um e os aspectos legais da adoção.

Alimentação
Alguns bichos têm uma alimentação diferenciada. Cobras, por exemplo, costumam se alimentar de animais vivos.

Espaço
É preciso observar a área que você tem em casa. Nem todos os bichos conseguem ficar em ambientes pequenos ou trancados. Roedores e coelhos, por exemplo, precisam de espaço para se exercitar.

Legalização
Para criar um animal silvestre é preciso autorização do Ibama. Alguns animais exóticos, como a cacatua, não precisam. Para outros, há exigências ou proibições. É necessário consultar o órgão: http://www.ibama.gov.br/fauna-silvestre.

Fontes: Elber Costa e Luciana Soares, médicos veterinários

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