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Correio Braziliense SAÚDE

Lente ocular devolve qualidade de visão para perto para quem sofre de DMRI

Alternativa para grande parte da população de idosos com Degeneração Macular Relacionada à Idade, lente ameniza os efeitos da doença


postado em 18/03/2018 07:00

As dores e doenças que aparecem com a idade avançada motivam inúmeras pesquisas na medicina, mas, se as possibilidades de cura podem estar mais distantes de serem alcançadas, as alternativas para uma melhor qualidade de vida na longevidade não param de aparecer. É o caso da lente SML. A sigla vem do nome inglês Scharioth Macula Lens, mas pode ser explicada de uma forma bem simples quando a comparamos com uma minilupa para pacientes com Degeneração Macular Relacionada à Idade — a DMRI.
 
Esse distúrbio oftalmológico atinge cerca de 2,9 milhões de pessoas, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, e dificulta principalmente a visão para perto, porque a mácula é a região ocular responsável por focar em detalhes. É aí que a SML mostra sua aplicação, como explica Katia Delalibera, oftalmologista especialista em retina e vítreo do CBV. “Ela é uma lente intraocular bifocal, ou seja, precisa ser implantada dentro do olho com melhor acuidade visual, sem prejuízo na visão para longe ou no campo de visão periférica”, detalha.
 
Apesar de necessitar de cirurgia para o uso, o procedimento é simples e não há restrições quanto a quem já passou por cururgia de catarata, diz Katia. “Ela é indicada justamente para pacientes que já foram operados dessa disfunção, e é implantada acima da lente da cirurgia de catarata, como uma ferramenta a mais para amplificação da imagem.”

Como é?

Na cirurgia de catarata, uma lente intraocular (LIO) é colocada no olho para substituir o cristalino, que fica opaco ao longo dos anos, dificultando a visão para perto e longe. Como a DMRI afeta a mácula e prejudica a vista de perto, a Schariot Macula Lens aparece como opção para reduzir essa dificuldade, sendo implantada por cima da lente intraocular da catarata, no sulco ciliar. A incisão feita no olho é de apenas 2,75mm, para a colocação da SML, de 1,5 mm, que proporciona uma ampliação de cerca de duas vezes mais do que a visão com degeneração, mas sem essa lente.
 
Fonte: http://www.eurotimes.org/iol-amd/

Saiba mais

  • A Degeneração Macular Relacionada à Idade prejudica o centro da visão, dificultando leituras e causando visões turvas e distorcidas;
  • As opções de tratamento variam de caso a caso, mas podem envolver a prescrição de complexos multivitamínicos e medicamentos específicos;
  • O exame oftalmológico que verifica o fundo de olho permite uma avaliação sobre a situação da mácula.
 

Palavra do especialista

Dr. Hilton Medeiros é oftalmologista especialista em retina e vítreo da Clínica de Olhos Dr. João Eugenio

1. A Degeneração Macular Relacionada à Idade prejudica a parte central da visão, mas o detalhamento da descrição da lente SML diz que o paciente volta a enxergar com a parte periférica da visão que foi perdida. Por que?
A DMRI produz uma cicatriz, com destruição das células retinianas na zona central da visão. O que a lente faz é aproveitar as células viáveis na borda da lesão, ou seja, aumenta tanto a imagem que esta pode ser captada pelas células na borda, que sem a lente ou sem uma lupa não estariam captando a imagem central.
 
2. A Schariot Macula Lens pode fazer o paciente com DMRI ter acuidade visual para perto equivalente a um paciente sem a patologia?
Não, a SML faz o papel de uma lupa externa. Inclusive só se beneficiam com a SML, aqueles pacientes que com uma lupa externa melhoram a capacidade de leitura, mesmo assim nunca recuperam a visão central totalmente, ou seja, é um mecanismo de auxílio, não de cura.

3. Do ponto de vista dos avanços da medicina ocular, qual a relevância do lançamento da SML? 
Existem no mercado dois outros modelos de lentes para auxílio como a SML, porém estas necessitam de grandes incisões, gerando astigmatismo e piorando a qualidade da visão residual. A SML por ser extremamente fina, não deforma a córnea durante sua implantação. Hoje sem essa lente, os pacientes têm que andar com dispositivos com lupas de grande aumento, ou uns óculos chamados de tele-lupas, extremamente desconfortáveis além de antiestéticos. A SML representa um avanço, pois permite a estes pacientes independência de dispositivos externos para recuperar alguma capacidade de leitura

 
* Estagiário sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio

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