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Correio Braziliense CAPA

Histórias de pessoas que foram unidas pelos bichinhos de estimação

Eles se esbarraram por conta dos animais de estimação. No início, trocaram apenas algumas palavras e, quando viram, eram amigos inseparáveis. Conheça histórias de amizade surgidas a partir dos cachorros


postado em 18/03/2018 07:00 / atualizado em 17/03/2018 20:04

Danielle Wolff, Dayane Siqueira e Raniérica Assunção: amigas graças a Brisa, Chico e Thor (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
Danielle Wolff, Dayane Siqueira e Raniérica Assunção: amigas graças a Brisa, Chico e Thor (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
Elas podem até ser diferentes umas das outras, mas o que as uniu foi uma mesma paixão: os animais. Esse amor em comum tem sido o pilar de grandes amizades. Do passeio no parque à ida ao shopping; da conversa com a veterinária ao velho bate-papo no bar, um fato é certo: os bichos de estimação não são apenas boas companhias, mas também têm trazido grandes companheiros e se revelado ótimos facilitadores de relações sociais.

De acordo com o psicólogo Rodrigo Melo, o que mantém os vínculos sociais são ideias e gostos em comum. “Todos os processos que são compartilhados por duas pessoas podem ser um facilitador da amizade. Seja um esporte, seja uma paixão por gastronomia, seja um interesse por dança. Quando o ser humano está propenso a querer uma amizade, introduzir uma variável comum, como um cachorro, pode ser muito bom. Eu, inclusive, aconselho.”

Melo garante que os pets são ótimos facilitadores sociais. “Eu sou psicólogo clínico e, muitas vezes, sugiro que as pessoas adotem animais, não só pela companhia, mas também para esse processo social, de encontro com outras pessoas e até de construção de uma amizade mais significativa”, ressalta.

Heloísa Capelas, especialista em comportamento humano, concorda com Rodrigo e justifica que, sendo o ser humano um animal gregário e social, tudo pode se tornar um motivo para a criação de novas relações.

Ela acredita ainda que o papel que os animais de estimação têm ocupado na formação de amizades e no contato social de seus donos está ligado à importância que damos a eles atualmente. “O que existe de novo não é a forma de interação das pessoas, mas, sim, o motivo que as une. Hoje, o espaço que um cachorro ou gato ocupa em nossas vidas permite que eles se tornem intermediários na criação de vínculos sociais.”

A especialista destaca que o fato de os pets serem vistos e tratados como membros da família contribui ainda mais nesse processo. “As pessoas fazem passeios com o intuito de divertir o animal, saem de casa com o objetivo de entreter o pet e, enquanto os esperam, tanto quanto fariam com uma criança, começam a conversar com os outros donos, se unindo pelo interesse comum.”

O que ocorre é que, nesses momentos, principalmente quando os animais se dão bem, os diálogos entre os tutores começam a evoluir e novos interesses semelhantes são descobertos. Enquanto algumas relações ficam restritas aos parcões espelhados pela cidade, o que já é divertido por si só, outras florescem e vão além.

Heloísa acrescenta que o amor pelos animais tende a unir ainda mais. “Se eu sei que aquela pessoa vai gostar do meu animal e tratá-lo com o mesmo carinho que eu trato, fico mais aberta a me relacionar e a criar laços mais profundos”, completa.

Amigas para sempre

 
Foi por meio de uma conta no Instagram que divulga fotos de cães que a estudante Dayane Siqueira, 31 anos, conheceu a vendedora Raniérica Assunção, 31, e a empresária Danielle Wolff, 41. Todas, como elas dizem, mães de cachorros. Do Instagram, os amigos partiram para um grupo no WhatsApp, onde as amizades começaram a se consolidarem.

Dayane conta que a primeira vez que conversou pessoalmente com Danielle, que é dona da pequena Brisa e de um petshop, foi para pegar um vermífugo. A simples entrega de um remédio contra vermes virou um bate-papo de horas e o início de uma grande amizade. “Como diz minha mãe, a gente só se encontrou porque conversou como se já nos conhecêssemos há muito tempo. A gente ficou a tarde inteira juntas e, depois disso, não ficou mais nenhuma semana sem se ver”, relata a estudante.

O grupo de WhatsApp atualmente tem mais de 20 pessoas — dez consideradas amigas bem próximas. Tão próximas que Danielle já chegou a viajar com uma delas para a China, prova que a amizade foi além dos programas caninos. Hoje, além de passear com os cães, elas vão ao shopping, se encontram na casa de amigas, mas confessam que a maioria dos programas incluem os bichos. Com os animais, elas fazem confraternização na Páscoa e no Natal, entre outras comemorações.

Ranieérica admite que hoje é mais próxima do grupo do que de muitos amigos que tinha antes da chegada de Thor, o seu shih tzu. Ela não tem dúvidas de que o que une as garotas é o amor pelos bichos de estimação. Afinal, com elas, não falta assunto. “Quando eu encontro alguém que não é do grupo e que começa a falar de cachorro, eu viro uma tagarela”, comenta. Danielle ainda completa: “Ninguém tem muita paciência. O povo acha a gente meio doida”, brinca a empresária.

Como todo bom grupo de amigas, elas acumulam diversas histórias juntas, entre elas, várias expulsões de shoppings por conta do grande Chico, o golden retriever de Dayane. Uma amizade comum, mas que surgiu com um pequeno ou grande laço de quatro patas. 

Os amigos dos buldogues franceses

Parte dos integrantes do Clube do Buldogue Francês ficou tão próxima que criou um grupo à parte no WhatsApp(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
Parte dos integrantes do Clube do Buldogue Francês ficou tão próxima que criou um grupo à parte no WhatsApp (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
Ao se mudar para Brasília, conhecendo apenas uma pessoa na capital, o casal Jéssica Schneider, 26 anos, e Vinícius Zucatti, 29, não imaginava encontrar um grupo de amigos entre dog lovers e menos ainda que se tornariam os donos e — por que não dizer? —, os pais orgulhosos do buldogue francês King, de 2 anos e meio.

A estudante e o auxiliar administrativo não tinham cachorros quando saíram de Porto Alegre, em 2015. Ao se mudar para a capital, começaram a sair com a prima de Jéssica, a auxiliar administrativa Laura Selbach, 26. A jovem apresentou os primos recém-chegados ao seu grupo de amigos mais próximos e eles se viram cercados por buldogues franceses. E logo se apaixonaram rapidamente pela raça.

Jéssica e Vinícius descobriram depois que os amigos aos quais foram introduzidos por Laura tinham se formado a partir do Clube do Buldogue Francês Brasília — grupo de entusiastas da raça com mais de 500 pessoas que trocam informações e cuidados sobre os pets. Para que o casal não ficasse de fora e se tornasse parte da matilha de uma vez, eles foram presenteados pelos amigos com King.

Sempre juntos

A autônoma Camila Lucena, 34 anos, dona de dois buldogues franceses e mãe de Nicole Lucena, 3 anos, foi quem criou o clube. Ela conta que, a partir dos encontros e do grupo de conversas no WhatsApp, algumas pessoas foram criando uma intimidade maior. “Fomos nos conhecendo e ficando mais próximos, descobrindo outros interesses em comum. Para não encher o grupo do buldogue com assuntos que não tinham a ver com a raça, acabamos criando um menor, só nosso”, lembra.

O grupo menor, que hoje tem cerca de 15 pessoas, foi criado há cerca de quatro anos e hoje se fala todos os dias e se reúne pelo menos uma vez por mês. O advogado Thiago Vasconcelos, 30, afirma que todos são amigos íntimos. “Começamos a conversar e a ver que tínhamos afinidades. Logo, estávamos indo para bares e frequentando as casas uns dos outros, independentemente dos nossos cachorros. Alguns deles nem se dão tão bem quantos nós”, brinca.

Os amigos passam aniversários, feriados, ano-novo e até Natal juntos. Qualquer momento em que possam estar reunidos com quem se ama, eles garantem estar juntos. Além das boas lembranças, o grupo compartilha as dificuldades. Um dos momentos mais difíceis foi quando perderam, em um acidente, um amigo que os acompanhava desde o início. Eles afirmam que o fato de estarem juntos fez com que o momento fosse mais suportável.

Outra oportunidade que tiveram de mostrar que estão ali para o que der e vier foi quando a cachorrinha Malu, da consultora Lígia Andrade, 27 anos, ficou paraplégica. Os amigos se organizaram e resolveram usar a cachorrinha como pretexto para fazer uma festa surpresa de aniversário para Thiago. “A gente organizou tudo como se fosse um chá de fraldas para a Malu, porque ela usa muitas. Mas era só para o Thiago não desconfiar. No fim, todos levaram fraldas, mesmo assim, e a Malu foi a mais presenteada”, lembra Lígia.

Bichos cupidos

Além de ótimos parceiros e facilitadores sociais, uma pesquisa feita por um site de relacionamento, o Elite Singles, mostrou que os bichos podem ser ótimos cupidos. O grupo entrevistou 600 canadenses solteiros e, desses, 60% afirmam que ter um cachorro torna a pessoa mais atraente.

E não para por aí. Setenta e nove por cento dos participantes da pesquisa acreditam que a forma como os possíveis parceiros tratam os animais pode dar dicas do quão carinhosos eles podem ser em um relacionamento.

Os números aumentam mais ainda quando se trata de pessoas que gostam de animais. Noventa por cento dos autodescritos como amantes de cães dizem que são mais atraídos por pessoas que têm cachorros. Porém, levar o animal para o primeiro encontro pode não ser uma boa ideia. 68% dos entrevistados afirmaram que seria “uma distração” o bicho presente no primeiro encontro e só 32% acham que seria “encantador”.

De acordo com a pesquisa, os cães também podem ser decisivos no desenrolar do relacionamento. 83% dos amantes de cães e 42% dos apaixonados por gatos afirmaram que terminariam um namoro, caso o parceiro não gostasse do seu animal de estimação. 


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