Publicidade

Correio Braziliense BICHOS

Pancreatite também atinge os pets, provocando dores e podendo levar a óbito

Se o animal demonstrar falta de apetite, ficar desanimado pelos cantos e sofrer diarreia, fique atento. São sinais de alerta para a pancreatite, que pode levar a óbito e, se for crônica, deixar sequelas


postado em 25/03/2018 07:00 / atualizado em 22/03/2018 15:03

Quando Cláudia Mello, 52, percebe em seus animais o abdômen duro, uma diarreia com cor diferente e a falta de fome, já corre ao veterinário. A jornalista não quer perder outro bichinho para a pancreatite, como aconteceu no ano passado, quando a poodle Vivi teve os primeiros sintomas: “A gente fez o tratamento e ela ficou bem, mas dois anos depois teve novamente e veio a óbito, com 14 anos”, conta.

O diagnóstico, comum em consultórios médicos, também toma clínicas veterinárias com casos frequentes, principalmente entre bichos obesos. Pricilla Branquinho, médica veterinária do Hospital Dr. Antônio Clemenceau, explica: “Essa doença pode se manifestar em todos os mamíferos que possuem pâncreas, e os sintomas são bem parecidos. Vão desde diarreia, vômito, perda do apetite e dor abdominal, até fraqueza, emagrecimento, desidratação e apatia”, detalha.

Cláudia já perdeu Vivi para a doença e hoje cuida de Jujuba e outros 10 cães:
Cláudia já perdeu Vivi para a doença e hoje cuida de Jujuba e outros 10 cães: "Eu já estou escolada, entendo rápido tudo quanto é sintoma" (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
Foi o que Vivi começou a sentir em 2015, quando Cláudia percebeu um comportamento diferente da poodle. “Eu já estou escolada, entendo rápido tudo quanto é sintoma. Vi que ela estava com sobrepeso e depois parou de comer, aí o veterinário fez os exames e a internou para tratar.”

Esse tratamento varia de acordo com os sintomas apresentados, citados na anamnese da consulta médica, como esclarece Pricilla: “Em quase 100% dos casos, a gente recomenda a internação do paciente, até porque o tratamento consiste na aplicação de antibioticoterapia, quando necessário, fluidoterapia, descobrir a causa e eliminá-la quando possível, fazer controle de dor, aplicar analgésicos. Mas o procedimento é bem sintomático”, diz a médica.

A jornalista tentou evitar a pancreatite da poodle controlando melhor a alimentação e dando ração low fat — de baixa gordura —, mas, no começo do ano passado, a doença se juntou ao problema da idade avançada e Vivi não resistiu. Hoje, Cláudia resgata animais de rua e faz um trabalho de castração, vacinação e procura de lar para eles, que muitas vezes ficam com ela mesma.

A casa é cheia: são 11 cachorros e dois gatos, e já abrigou outro morador com pancreatite, mas com um caso mais simples, que se resolveu com tratamento. Com todos esses pets, Cláudia não pode descuidar. E alerta: “Às vezes você está comendo e dá um pedacinho para o animal. Para você, é um pedaço pequeno. Mas para ele não é, porque ele é muito menor, então, proporcionalmente, isso impacta mais”, compara.

Apatia e dor

A comerciante Vanderleia Vieira, de 49 anos, nunca tinha ouvido falar em pancreatite nos bichos, até que Cristal recebeu o diagnóstico. A maltês começou a mostrar um estranho desânimo, até ser levada à clínica. “Ela já não saía mais do lugar, ficava o tempo todo deitada, sem comer, chorando e gemendo quando a gente pegava na barriga dela”, conta. Ao levar ao veterinário, a notícia da cirurgia que ela teria que fazer assustou, no começo, mas a possibilidade de acabar com as dores tranquilizou Vanderleia.

Mário Marcondes, veterinário e diretor clínico do Hospital Veterinário Sena Madureira, explica os primeiros passos, da consulta até o começo do tratamento. “São feitos exames clínicos e laboratoriais — como o de aumento da lipase específica. Mas ainda se deve controlar o hemograma e a função renal, hepática, eletrólitos e dosagem da glicose sanguínea”, descreve.
Vanderleia se assustou com o diagnóstico de Cristal, que precisou de cirurgia:
Vanderleia se assustou com o diagnóstico de Cristal, que precisou de cirurgia: "Ela já não saía mais do lugar, ficava o tempo todo sem comer" (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

Depois de todo esse processo e 10 dias internada no hospital, Cristal voltou a ter a fome de sempre, mas precisou controlar mais a alimentação. Mário recomenda uma dieta com baixo teor de gordura para que os pets possam se prevenir contra a pancreatite, mas essa receita também é útil para quem já teve o problema, como a cachorrinha da Vanderleia, há três anos. “Hoje, já tem mais de um ano que a Cristal não teve mais nenhum sintoma, mas ela teve que comer uma ração especial, light, depois da cirurgia.”
 
 

Fique de olho!

Quando os órgãos não funcionam bem, o corpo alerta. No caso da pancreatite nos pets, não é diferente, e os sinais podem ser:
  • Vômitos
  • Diarreias
  • Dores abdominais
  • Fraqueza
  • Apatia 


Diferença é a sequela

Apesar de registrar sintomas semelhantes, a pancreatite se divide em dois tipos:

Aguda
  • A doença é maior, então tem uma sensibilidade melhor ao ultrassom
  • Maior taxa de mortalidade
  • Não deixa sequela nos pacientes que passam pelo tratamento

Crônica
  • A doença é menor, mais difícil de se ver no ultrassom
  • Menor taxa de mortalidade
  • Deixa um prejuízo progressivo e permanente daquela função
 
 
* Estagiário sob supervisão de Valéria de Velasco, especial para o Correio 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade