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Correio Braziliense BICHOS

Especialistas dizem que os pets podem comer frutas apenas como petiscos

Para especialistas, as frutas devem ser oferecidas a cães e gatos apenas como petiscos, mas nunca para substituir a alimentação regular. Algumas, porém, são vetadas


postado em 08/04/2018 07:00 / atualizado em 06/04/2018 17:24

Adeptos da alimentação natural (AN), muitos tutores acabam retirando a ração industrializada no dia a dia dos pets por acreditarem que ela sobrecarrega rins e fígado e causam problemas à saúde dos bichinhos. Outros continuam a adotar a ração como alimentação-base, mas gostam de agradar as mascotes com algo diferente. E as frutas costumam ser opção. Mas, como o organismo dos animais é diferente do dos humanos, muitos donos ficam na dúvida sobre qual tipo de fruta pode ou não fazer parte do cardápio diário.

Spike, Maria Ricota e Toddy passaram a comer frutas por indicação da veterinária(foto: Arquivo Pessoal)
Spike, Maria Ricota e Toddy passaram a comer frutas por indicação da veterinária (foto: Arquivo Pessoal)
Todos os dias, quando acorda, a nutricionista Ana Carolina Medeiros, 25 anos, abre a porta da varanda para os yorkshires Spike, 6, Maria Ricota, 10 meses, e o lhasa-apso Toddy, 8, fazerem xixi. No fim do ano passado, notou que Toddy urinava de forma diferente: pausadamente e aparentando sentir dor. “Ele nunca tinha feito isso! Daí o levei ao pronto-socorro de um hospital veterinário”, relembra. Depois de vários exames, foram detectados três problemas: cistite (inflamação na bexiga), aumento do tamanho da próstata e doença renal crônica.

A veterinária que atendeu Toddy sugeriu três procedimentos para aumentar a sobrevida do animal, considerado idoso: tomar soro de vez em quando, receber suplementos alimentares e mudar a dieta para controlar o rim. Ana procurou uma especialista em nutrição que, prontamente, prescreveu a alimentação natural para Toddy — incluindo as frutas, oferecidas, diariamente, no café da manhã, para os três cães.  “Normalmente dou banana, manga, abacate ou melão. Às vezes, ofereço goiaba e melancia. Maçã e pera eles não gostam.”

Com ponderação

Especialista em nutrição clínica, funcional e preventiva de cães e gatos e membro da American Academy of Veterinary Nutrition (AAVN), a médica veterinária Sonali Rebelo explica que as frutas são alimentos muito ricos em nutrientes, porém, com alto teor de frutose (açúcar). Por isso, devem entrar como petisco e não em substituição à alimentação tradicional. “Um cão de 5kg não deve comer mais que 20g de fruta por dia. Não deve passar de 10% da alimentação diária”, alerta.

Além disso, as frutas precisam ser evitadas por animais com sobrepeso, por serem muito doces, e devem ser consumidas em pedaços. É preciso ainda evitar os sucos, porque, com a quebra da fibra, o índice glicêmico aumenta, fazendo com que o açúcar entre mais rápido na corrente sanguínea. Outro cuidado, alerta a veterinária, é com as sementes. Em algumas frutas, elas contêm uma substância chamada ácido cianídrico, tóxica para os pets. “Essa substância está presente em frutas como maçãs, pêssegos, cerejas e ameixas, por exemplo”, alerta.

Sonali não considera as frutas um alimento essencial para os animais. O organismo dos gatos, por exemplo, não é eficiente para metabolizar carboidratos e açúcar. Mesmo assim, existem bichanos que gostam. Nesse caso, o ideal é oferecer frutas que têm bastante água na composição, como melão e melancia. Assim, ajudam na hidratação.

O interessante mesmo é usar as frutas como petiscos. Sonali indica usar como forma de recompensa e de bom comportamento. Também como truques ou recheio de brinquedos. “Enfim, não existe indicação de frutas específicas de acordo com raças ou tipos de bichos, mas cães com diabetes ou sobrepeso devem evitá-las”, finaliza.

Fruto proibido

Priscila de Sousa costuma dar frutas a Lunna e Nicole: menos problemas de saúde(foto: Arquivo Pessoal)
Priscila de Sousa costuma dar frutas a Lunna e Nicole: menos problemas de saúde (foto: Arquivo Pessoal)
A dona de casa Priscila de Sousa, 35 anos, tem duas yorkshires: Lunna, 10 anos, e Nicole, 9, além de quatro calopsitas. “As duas são bem tranquilas, carinhosas e companheiras”, derrete-se. Priscila, assim como Ana Carolina, optou por dar a alimentação natural aos seus bichos. Antes, as cadelas costumavam ter problemas de saúde por conta de ração, e as idas ao consultório veterinário eram frequentes. Nicole chegou a ter pancreatite nesse período. Hoje, vão basicamente para exames anuais e para colocar as vacinas em dia.

Como lanche e em porções pequenas, Priscila costuma dar manga, banana, maçã, kiwi, mamão, caqui, abacate, morango, melancia e cereja. Até mesmo antes da mudança alimentar, ela fornecia frutas às cadelas, porque sempre gostaram. A diferença foi que Priscila começou a dar com mais frequência e  variedade. Ela conta que não podem ouvir falar em morango que as pets já se entusiasmam. “Ficam superalegres. Uma delas conhece todas. Se disser o nome, já vem correndo!”

Mas a uva está totalmente fora do cardápio, por ser associada a problemas renais e gastrointestinais. “A carambola também. Pela mesma causa”, explica Priscila.

O que pode e o que não pode

Livre acesso
  • Morango e outros berries (framboesas, mirtilos, amoras)
  • Coco
  • Maçã (sem caroço, pois contém ácido cianídrico)
  • Pera
  • Melão
  • Melancia
  • Tangerina (sem caroço)
  • Manga
  • Banana
  • Mamão
  • Ameixa
  • Pêssego

Acesso negado
  • Carambola
  • Uva e uva-passa
  • Abacate
  • Abacaxi

Fonte:  Sonali Rebelo, especialista em nutrição clínica, funcional e preventiva de cães e gatos

*Estagiário sob supervisão de Sibele Negromonte 

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