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Correio Braziliense ESTILO

Homens plus size conquistam o mercado da moda nacional e internacional

No Brasil e no exterior, homens acima do peso conquistam as passarelas e encabeçam um movimento de moda inclusiva


postado em 15/04/2018 07:00 / atualizado em 13/04/2018 11:16

A marca LAB, reconhecida por defender a diversidade na moda brasileira, colocou modelos plus size na passarela na última edição do São Paulo Fashion Week, em agosto passado(foto: Ze Takahashi/FOTOSITE)
A marca LAB, reconhecida por defender a diversidade na moda brasileira, colocou modelos plus size na passarela na última edição do São Paulo Fashion Week, em agosto passado (foto: Ze Takahashi/FOTOSITE)
Democracia e representatividade são os termos da moda do futuro — ou da atual, para não parecer tão distante assim. O desejo de identificação do público com o que é apresentado na passarela tem se tornado obrigação no ramo, a partir da referência de corpo ideal.

O filósofo norueguês Lars Svendsen argumenta no livro Moda: uma filosofia que o corpo se tornou um objeto de moda especialmente privilegiado e que o ego é constituído em grande parte por meio da apresentação do corpo. A estilista Elsa Schiaparelli também dialogou sobre a relação entre a forma corporal e o vestuário: “As roupas não devem ser adaptadas ao corpo, é o corpo que deve ser adaptado às roupas.”

Em posicionamento contrário ao de Schiaparelli, o movimento plus size tem crescido dentro e fora do Brasil, principalmente no que tange ao público masculino. Aceitar o próprio corpo e ter acesso a peças confortáveis e atuais é lema para homens que têm dito sim à autoestima e à própria forma corporal e feito da passarela um palco para o mundo.

O modelo Zach Miko é um dos maiores sucessos internacionais pela IMG Models(foto: IMG Models/Divulgação)
O modelo Zach Miko é um dos maiores sucessos internacionais pela IMG Models (foto: IMG Models/Divulgação)
A IMG Models, uma das maiores agências de modelos do globo, presente em cinco países, incluindo Estados Unidos e França, acrescentou, recentemente, ao casting modelos plus size. O primeiro homem a se agenciar e lançar a tendência do segmento é o ator e blogueiro americano Zach Miko — considerado a versão masculina da renomada Ashley Graham, modelo norte-americana também acima do peso.

Ivan Bart, vice-presidente sênior da IMG, declarou ao portal Women’s Wear Daily que a diversidade é algo relevante e não sairá da cabeça das pessoas. “Estamos estendendo essa conversa ao segmento masculino. É horrível quando você vai a certas lojas e elas nem têm peças do seu tamanho. Todos queremos vestir roupas bonitas, e muita gente quer seguir a moda. Precisamos de mais opções”, afirmou.

Autoestima em alta

Arcadio Del Valle tem 180kg e não viu impedimentos em desfilar em uma das mais renomadas semanas de moda do mundo, a New York Fashion Week(foto: Instagram/Reprodução)
Arcadio Del Valle tem 180kg e não viu impedimentos em desfilar em uma das mais renomadas semanas de moda do mundo, a New York Fashion Week (foto: Instagram/Reprodução)
Quem compra a ideia também é o modelo plus size Arcadio Del Valle. Aos 30 anos, ele assume o sobrepeso sem medo. Com 180kg, Del Valle contou ao portal Independent que se sentia envergonhado ao olhar os números na balança. “Crescer em um mundo em que a mídia impõe ter uma certa aparência,  ter um certo peso e a seguir um certo padrão é algo que ocupa a sua cabeça. Tudo o que eu quero é promover amor-próprio e aceitação, apesar de tamanhos, gêneros ou até deficiências.”

Até então, o ápice da carreira de Del Valle foi quando ele foi convidado pela marca de streetwear Volare para desfilar nas passarelas da semana de moda de Nova York. “Andar pela passarela foi surreal. Meu coração batia muito forte, foi um dos meus melhores momentos”, relembrou. 

Talentos nacionais 

Edu Rodrigues é modelo e blogueiro de moda masculina voltada para o público plus size(foto: Adriana Libini/Divulgação)
Edu Rodrigues é modelo e blogueiro de moda masculina voltada para o público plus size (foto: Adriana Libini/Divulgação)
O paulista Edu Rodrigues é modelo plus size profissional há seis anos. Nascido no Guarujá, em São Paulo, nem sempre se deu bem com o próprio corpo. À praia, ele ia de camiseta, por vergonha. Sentia pressão da família e dos amigos em relação ao peso e não encontrava roupas que o agradassem e servissem nele.

Rodrigues se mudou para a capital de São Paulo aos 21 anos. Lá, começou a procurar lojas na cidade que atendessem ao seu corpo e tivessem peças de moda com modelagem plus. Por meio dos estabelecimentos, viu uma oportunidade de modelar. “Uma amiga me incentivou a procurar uma agência de modelos, mas não achei que servia para isso”, duvidou. Depois de convencido, ele se matriculou em um curso preparatório específico para modelos plus size e logo se jogou no mercado.

Atualmente, o carro-chefe de Rodrigues são campanhas comerciais fotográficas. Nas passarelas, ele afirma que ainda há poucas oportunidades, mas admite que o mercado plus tem crescido e influenciado clientes. “As lojas são as principais responsáveis por isso. Quando se investe em modelos plus size, o público logo se identifica.”

Além da dedicação às câmeras, Rodrigues é dono do Storm Size, blog de moda voltado para o público masculino. Com a plataforma, o modelo visa colaborar com a evolução do mercado e sanar a carência de investidores no ramo.

No mercado

Roberto Labate é modelo há oito anos, mas acredita que o mercado plus ainda tem muito a evoluir(foto: Adriana Libini/Divulgação)
Roberto Labate é modelo há oito anos, mas acredita que o mercado plus ainda tem muito a evoluir (foto: Adriana Libini/Divulgação)
O motivo de se tornar modelo plus size está na oportunidade de autoaceitação, segundo Roberto Labate, 37 anos. Ele modela desde 2010 — uns dos primeiros a atuar na área. Labate conta que começou a carreira quando uma loja, da qual era cliente, o chamou para desfilar e fazer catálogos de algumas coleções. O acaso, porém, virou profissão paralela à de empresário. “Na época, não se via muitos modelos plus size, era raro. Comecei fazendo alguns trabalhos e deslanchei, não parei mais.”

Em oito anos de atuação, ele já participou de campanhas para marcas como Marisa e Malwee. Desfilou em mais de quatro edições do Fashion Weekend Plus Size, maior evento do ramo no país. Assim como Rodrigues, Labate vê o mercado da moda crescendo em representatividade. “Acho que a maior evolução foi o entendimento de que o gordo pode e quer se vestir bem. Nesses últimos anos, acompanhei um crescimento da moda plus size masculina, com roupas mais modernas e algumas marcas se preocupando em oferecer um produto diferenciado e de qualidade.”

Contudo, ainda falta investimento. “Há muitas oportunidades para trabalhos fotográficos, mas o acesso à passarela ainda é pouco, quase nada. Nem sempre os eventos incluem o masculino e a remuneração é baixa se comparada a tempos passados.”

Para quem tem interesse em atuar como modelo plus size, Roberto aconselha: “Estude o mercado, entenda como funciona, conheça as marcas e, principalmente, tenha bom senso para saber se tem perfil. Não é só ser gordo, estar alguns manequins acima ou ter um rosto bonitinho. Hoje em dia, alguns fazem fotos e saem por aí falando que são modelos. Claro que é preciso começar de alguma forma, e fazer um book é o primeiro passo, mas existe uma enorme diferença entre o iniciante e o profissional realmente atuante no mercado.” 

Na prática 

Ainda tem dúvidas na hora de se vestir? A Revista apresenta algumas dicas para as produções do dia a dia.
  • Fique de olho no caimento e no tamanho certo das roupas. Ou seja, elas nao devem ser largas demais, ao ponto de aumentar a silhueta, nem tão apertadas.
  • Investir em cores neutras não tem erro: preto, cinza, azul-marinho e branco são tonalidades perfeitas para o cotidiano e ocasiões especiais.
  • Evite calças muito skinny ou extremamente justas na canela. Prefira shapes mais retos para dar efeito de alongamento.
  • Invista na gola V: camisas e camisetas com esse formato valorizam o colo e deixam o pescoço com aparência mais alongada.
  • A terceira peça é um truque que vale aderir. Complemente a combinação da camisa com jeans, por exemplo, com um blazer estruturado.
  • Capriche nos acessórios, como um belo relógio, cachecóis, colares discretos e pulseiras de couro. Eles não precisam ser usados todos ao mesmo tempo, mas dão um toque especial à produção.
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

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