Publicidade

Correio Braziliense BICHOS

Diabetes também é doença de cães e gatos

Assim como nos humanos, a diabetes é uma patologia que acomete esses animais. Nem sempre fácil de identificar, a doença pode ser fatal


postado em 15/04/2018 07:00

A morte de um animal querido é sempre difícil para os tutores. Marcela Marcona, 28 anos, sabe bem. A administradora perdeu a labradora Zuli há pouco mais de um mês. A vilã dessa história? A diabetes. A doença é comum entre os humanos e também tem tirado o sono de muitos donos de cachorros e gatos.

Responsável pelo Serviço de Clínica de Felinos do Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (UnB), a veterinária Christine Martins afirma que a diabetes é frequente entre os animais. E é uma das doenças endócrinas mais comuns em felinos.

“Nos gatos, é mais parecido com o ser humano. Na meia-idade e, quando obesos, eles começam a ter resistência à insulina e desenvolvem a diabetes. Nos cães, pode haver uma predisposição racial, mas, também, está relacionado à obesidade”, explica a médica veterinária. De acordo com ela, as raças de cães de pequeno porte são as mais suscetíveis à patologia.

De acordo com Christine, que coordena o Grupo de Estudos em Medicina Felina da Universidade de Brasília, os principais sintomas são ingestão de muita água e excesso de urina, o que, às vezes, passa despercebido pelos donos, principalmente em casas com muitos animais. No caso dos gatos, esses sinais são ainda mais discretos. A perda de peso, lenta e progressiva, é o principal sintoma nos felinos.

Zuli não resistiu a diabetes e morreu em pouco tempo
Zuli não resistiu a diabetes e morreu em pouco tempo
“Isso não é tão evidente para os donos. Muitas vezes, a gente desconfia da doença pelo emagrecimento ou quando faz checape e observa a glicose alta”, ressalta a médica veterinária. Como aconteceu com Zuli. Marcela diz que em nenhum momento percebeu os sinais da diabetes na labradora.

A doença foi descoberta durante um exame. “Na quarta-feira de cinzas, ela passou por uma cirurgia de denervação, que foi um sucesso. Na quinta, ela tinha outra cirurgia agendada e, quando o médico mediu a glicose, disse que ela era diabética”, lembra a administradora.

Marcela se informou e fez de tudo para tratar a doença. “Corri e comprei as fitas de medir a glicose. O veterinário falou que ia precisar de insulina também. Começamos a medir a glicose com frequência, mudamos a alimentação e a medicação.” Mas ainda havia o problema do sobrepeso.

“Isso me deu um desespero, pois eu estava começando a fazer a transição da ração por comida.” Mas Zuli não resistiu. Morreu quatro dias depois que a diabetes foi descoberta. “Foi tudo muito rápido. Confesso que, no fundo, a gente não quer acreditar que o nosso animal pode estar doente”, lamenta Marcela.
 

Principais sintomas

  1. Ingestão de muita água e urina em excesso.
  2. Perda de peso, mesmo com alimentação normal.
  3. Infecção urinária causada por glicose na urina (nesses casos, os bichos podem apresentar sangue na urina e/ou passam a lamber com frequência a genitália).
  4. Em casos mais avançados, falta de apetite, vômito e diarreia.
Fonte: veterinária Karin Botteon
 
 
Já Pandora, de 12 anos e raça não definida, da veterinária Fernanda Radicchi, 26, convive com a diabetes há, pelo menos, dois anos. A doença do animal demorou a ser descoberta. “Não percebi os sintomas, pois ela mora com a minha mãe. Descobri por conta da cegueira”, revela a veterinária. A cadela começou a bater em objetos.

Fernanda Radicchi demorou a identificar a diabetes em Pandora: doença controlada(foto: Arquivo Pessoal)
Fernanda Radicchi demorou a identificar a diabetes em Pandora: doença controlada (foto: Arquivo Pessoal)
“Diagnostiquei a doença pela soma de hiperglicemia e glicosúria”, explica Fernanda. Hoje, com a glicemia controlada, Pandora toma insulina a cada 12 horas, após a alimentação, que também teve que passar por adequações. “Ela come ração para cães idosos, a única que aceitou.”

Checape

Uma das principais causas da diabetes, segundo especialistas, é a obesidade. “Esse é um problema não só em seres humanos, mas também em pets. As pessoas acabam colocando o animal no estilo de vida que a gente tem. Dão muitos petiscos e uma alimentação inapropriada”, analisa a veterinária Karin Botteon.

Os maus hábitos alimentares causam sérias consequências, alerta Karin. Christine concorda e destaca a importância de se fazer, ao menos, um checape por ano, principalmente nos mais idosos. “Se o animal começou a ficar velho, tem que ir uma vez por ano no veterinário.”

É no checape que os veterinários descobrem as doenças no começo, a tempo de serem tratadas e evitar danos maiores. “Hoje, os bichos têm vivido muito, e doenças como diabetes e câncer têm se tornado comuns”, afirma Christine.

Boa alimentação

A dúvida de muitos tutores em relação a diabetes é sobre o que oferecer de alimento. Christine destaca que há rações específicas para cães e gatos diabéticos. “É preciso uma dieta de baixa caloria, baixo teor de carboidrato e alto teor de fibras, que aumenta a digestão”, orienta.

Há várias marcas específicas para diabéticos. As rações de baixa caloria, que servem para perder peso, também são uma boa opção. Para Karin, o ideal é introduzir uma dieta terapêutica. Se o animal não aceitar, o importante é manter a alimentação equilibrada e não dar petiscos. “Qualquer coisa que saia do equilíbrio pode desregular o nível de glicose e fazer com que ele descompense, e a insulina não vai ser o suficiente para controlar. É fundamental manter a alimentação equilibrada”, completa.

Para tratar a doença, há casos que dependem de insulina. Outros, não. “De forma geral, uma vez diagnosticada a causa, vai precisar da insulina. Em alguns gatos, é possível o uso de medicação hipoglicemiante, mas a maior parte dos felinos acaba precisando do tratamento com a insulina”, esclarece Karin.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade