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Correio Braziliense SAÚDE

Hepatite autoimune é rara, porém curável

Geralmente assintomática, a hepatite autoimune é causada por um distúrbio no sistema imunológico, que passa a reconhecer as células do fígado como estranhas


postado em 22/04/2018 07:00

Doença rara e silenciosa, porém fácil de ser tratada, a hepatite autoimune (HAI), como todos os casos de autoimunidade, necessita de tratamento longo e, muitas vezes, por toda vida. Acomete entre 11 e 17 pessoas a cada grupo de 100.000. É mais comum em mulheres — em uma proporção de 3,6 para cada homem — e pode se manifestar em qualquer grupo étnico e faixa etária. Muitas vezes, é assintomática, mas também pode apresentar sintomas como fadiga, icterícia, náusea, dor abdominal e dores articulares.

A HAI é causada por um distúrbio do sistema imunológico, que passa a reconhecer as células do fígado (principalmente hepatócitos) como estranhas. A partir daí, o sistema imune desencadeia uma inflamação crônica, com a destruição de algumas células do órgão e formação de cicatrizes (fibrose). “Caracteriza-se pela presença de hipergamaglobulinemia, autoanticorpos circulantes e alterações histológicas”, ressalta Renata Seixas, hepatologista do Hospital de Base de Brasília.
(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)

De acordo com a hepatologista pediatra da Unidade do Fígado de Brasília, Elisa Carvalho, ela é fácil de ser controlada e o portador vive normalmente e muito bem. “Acompanho muitos casos. Quando detectada cedo, a resposta ao tratamento é ótima e a pessoa vive como se não tivesse nenhum problema no fígado”, diz. Ela explica que as medicações ideais são a prednisona (corticosteroide) associada a azatioprina (imunossupressor). “São muito eficazes”, garante.

Para Renata, o grande desafio na HAI é o diagnóstico precoce, o que, segundo ela, possibilita o início do tratamento e evita a progressão para uma cirrose hepática, pois ela está presente em 44% a 80% dos pacientes no momento do diagnóstico.“O objetivo do tratamento é reduzir ou eliminar a inflamação hepática, induzir a remissão ou o desaparecimento dos sintomas”, explica.

A médica destaca que, diferentemente dos outros casos de hepatites virais, a HAI não é transmissível. Há, porém, muito preconceito por parte de quem não entende a autoimunidade no fígado, achando que a pessoa acometida pode transmitir hepatite. Isso é um erro grave e falta de informação. Segundo as duas médicas, a HAI, como qualquer outra doença autoimune, fica restrita ao portador.

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