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Correio Braziliense BICHOS

Conheça sintomas e saiba como tratar as alterações gastrointestinais do pet

Alterações, que pode ter causas diversas, podem causar até sangramento nas fezes


postado em 29/04/2018 07:00

O animal saudável brinca, apronta, faz cara de pidão para receber carinho. Facilmente sabemos quando ficam doentes. As características mais comuns são falta de apetite, sonolência e isolamento, sem fazer as peripécias usuais. Porém, há outros sinais a que os tutores devem ficar atentos, pois podem significar problemas no intestino: barriga inchada, vômitos, diarreias e sangue nas fezes — algo assustador principalmente, para tutores de primeira viagem.

Grosso modo, a função do intestino é transformar o alimento ingerido em fezes. O órgão é o processo final do sistema digestivo. É nele que proteínas são quebradas e absorvidas pelo organismo. Nos bichos, o tamanho desse órgão é menor que nos humanos. Para se ter ideia, em cães, o processo digestivo dura em torno de oito horas. Já nos humanos, são cerca de duas horas. Por isso, a importância da absorção correta dos nutrientes.

Segundo a médica veterinária clínica geral Carla Storino Bernardes, é comum o animal ter alteração gastrointestinal. Ocorre de diversas maneiras: por alimento impróprio, por intoxicação, por parasitas intestinais ou por doenças infectocontagiosas. Ela explica que, quando um animal tem algum problema do sistema digestivo, como o intestino, os sintomas mais comuns são vômitos e diarreias.

“Quando há sangue nas fezes, significa agravamento dos sintomas. É necessário levar o animal o mais rápido possível ao consultório médico”, reforça a veterinária. “Só o médico veterinário consegue definir e prescrever a medicamentação ideal em cada caso.”
Infectado com giárdia, Iron precisou fazer um longo tratamento: ele tinha parado de brincar(foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Infectado com giárdia, Iron precisou fazer um longo tratamento: ele tinha parado de brincar (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

Em fevereiro, o shih-tzu Iron, 1 ano, da secretária Danielle Trancrevi, 42, contraiu uma verminose chamada giárdia. O cãozinho, que recebeu esse nome graças à banda britânica Iron Maiden, de quem o marido de Danielle é fã, logo passou a ser tratado como um bebê. “Ele é muito bonzinho, quase não late e gosta de criança. Também ama brincar”, diz a tutora.

Por isso, ela achou estranho quando Iron ficou amuado em um canto, lambendo o focinho com frequência e sem querer brincar. Além disso, vomitava uma espuma amarelada e estava com o cocô mole. “Logo o levei à nossa veterinária de confiança”, conta.

Lá, o shih-tzu começou a tomar vitaminas para ver se isso, por si só, reconstituía o intestino do bicho. Mas não adiantou. A veterinária, então, pediu exame de fezes, que diagnosticou a giárdia. Iron fez um tratamento, no qual, primeiramente, tomou 10 dias de antibióticos e depois 10 dias de remédios para eliminar verminoses. Após esse período, fez outros exames que não constaram mais a verminose. “Hoje, voltou ao que era antes, está brincando normalmente. Mas a veterinária pediu para dar vacina contra giárdia para que crie imunidade”, comemora.

Cuidados especiais

Para Pollyana Motinha Santos, médica veterinária e clínica cirúrgica de pequenos animais, além de verminoses e outros parasitas, a presença de sangue nas fezes poderá ser problemas como colite crônica e aguda, dilatação do cólon, conhecido por megacólon e até mesmo alergia à ração por conta de alguns componentes. “Depende de cada organismo”, informa.

Pollyana adverte que é bom estar atento quando a barriga do pet estiver inchada e ele apresentar vômito, diarreia, letargia, tontura e falta de apetite. Em geral, para prevenir enfermidades, veja se as vacinas dos bichos estão em dia e se tem uma boa alimentação. “Não se deve dar comida humana aos bichos — apenas rações com ingredientes selecionados (premium e superpremium) ou a alimentação natural prescrita por um nutricionista veterinário de confiança”, ressalta.

Pollyana indica que, ao apresentar os sinais, é preciso levar imediatamente o bicho a uma clínica. Assim, o veterinário fará os exames necessários para diagnosticar o problema e fazer o tratamento mais efetivo para o caso. Normalmente, é feita uma triagem: exame de fezes, exame de sangue e ecografia. Em casos específicos, é indicada a colonoscopia.

Paixão

Quando Jackie chegou à casa de Caroline Weiprecht Freitas, estava com colite: dificuldade no diagnóstico(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Quando Jackie chegou à casa de Caroline Weiprecht Freitas, estava com colite: dificuldade no diagnóstico (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 
Fã de cães, a advogada Caroline Weiprecht Freitas, 36 anos, tem quatro mascotes: os buldogues franceses Jackie, 2 anos, e Zoe, 1; o buldogue inglês Buddha, 10 meses; e a golden retriever Malu, 1 ano. Depois do pedido constante da filha, Caroline presenteou a garota com o primeiro buldogue, que pouco tempo depois morreu. “Ficamos devastados. Resolvemos ir atrás de outro buldogue para amenizar o vazio”, relembra.

Até que, há dois anos, a família encontrou o “superleal, companheiro, amoroso e protetor” Jackie. Porém, ele veio com giárdia do canil. Jackie tinha diarreia com sangue e isso desesperou Caroline. Foram três meses de tratamento medicamentoso. Conseguiram eliminar a verminose, mas a diarreia continuava. Depois de tentarem probióticos e alguns exames, a veterinária responsável por Jackie sugeriu fazer uma ecografia. “Foi aí que descobrimos a colite aguda”, recorda-se.

Por esse motivo, a giárdia de Jackie não era tratada facilmente. O intestino estava sensível, dificultando tanto a absorção de nutrientes quanto a medicação. Foi preciso mudar a alimentação do bicho. Procuraram uma que não agredisse tanto o intestino dele e fizesse as fezes voltarem ao normal. “Tentamos a ração intestinal, mas não obtivemos sucesso. Depois, passamos para a hipoalergênica, e só aí ele estabilizou”, mostra.

Verminose
A giárdia, também chamada de giardíase, é uma zoonose causada pelo protozoário Giardia lamblia, que pode infectar seres humanos também. A transmissão dessa enfermidade, em cães e gatos, ocorre em duas formas conhecidas: a direta e a indireta. A direta é em contato com outros animais. E a indireta, por ingestão de água ou alimentos com o protozoário.

Megacólon
A dilatação do cólon, também conhecido por megacólon, causa acúmulo de resíduos nessa região. Como resultado, há “entupimento” das fezes. O principal sinal dessa patologia é o inchaço da região do abdômen do animal.

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Caroline conta toda a rotina dos bichos por meio de um perfil no instagram: @vidinha_de_cao

Agradecimentos
Cobasi
Clínica Polly Pet

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