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Correio Braziliense BICHOS

Preparados para o frio

Fique atento aos cuidados com os pets no inverno. Algumas doenças tendem a se espalhar neste período


postado em 17/06/2018 08:00 / atualizado em 14/06/2018 18:16

Depois de perceber que Kyra estava sofrendo com o frio, Aline Castelo pôs a companheira para dormir no seu quarto(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Depois de perceber que Kyra estava sofrendo com o frio, Aline Castelo pôs a companheira para dormir no seu quarto (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Os dias frios chegaram e, assim como os humanos, os bichos sentem a queda da temperatura, só que de forma diferente. Muitos tutores enchem os bichos de roupinhas, colocam mantas, cobertores e afins. Mas especialistas advertem que, como o tecido adiposo dos animais tem características específicas, a sensação de frio neles não é igual à nossa. Sem falar que eles contam com um sistema de regulação térmica.

Cães de raças como pinscher e chihuahua, por outro lado, têm a temperatura corpórea um pouco diferente das outras raças. Para eles e os filhotes, é importante colocar roupinhas em determinados períodos do dia, quando está mais frio.

Para Francielle Borges Kuchminski, médica veterinária especialista em clínica médica e cirurgia em pequenos animais, a hidratação, muita vezes, passa despercebida nesta época do ano, mas deve ser encarada como uma das principais precauções. “No frio, a tendência é consumir menos água. É importante estimulá-los.”

Ela aponta, ainda, como outros cuidados primordiais, a quantidade e a frequência de alimento do animal e a atualização das vacinas que previnem determinadas doenças, como a rinotraqueíte e a traqueobronquite (veja quadro). “São vacinas anuais que evitam problemas respiratórios mais comuns. Mas, para saber a necessidade disso, é preciso levar ao médico veterinário. Só o profissional vai examinar e avaliar se o animal pode receber a imunização.”

Banho

No inverno, um outro cuidado que precisa se ter é com os banhos dos pets. Para Hingrid Jubilhana Siqueira Moro, médica veterinária especialista em dermatologia em animais de companhia, a temperatura da água deve ser adequada ao clima. Em casa ou no pet shop, nos dias frios, a água deve ser morna.

Além disso, a pele do animal tende a ficar ressecada. Nesse caso, é importante estar atento à fórmula do xampu e condicionador. “Em animais de pelos longos, é importante que o tutor dê preferência por tosas mais altas para ajudar a proteger o animal do frio”, aconselha. É importante também a tosa higiênica, que tira pelos das partes íntimas e regiões como patas e abdômen. “Essa tosa é fundamental em qualquer época do ano, pois evita que os pelos das patas fiquem úmidos por muito tempo” ressalta.

Já para quem opta por banhos em pet shops, a médica veterinária e gerente de serviços técnicos da MSD Saúde Animal, Tatiana Braganholo, aconselha que o maior cuidado é ficar atento para que o animal não seja exposto a correntes de ar. “Confirme também se a temperatura da água é adequada e evite deixá-los expostos a ventos na saída do local”, orienta. “Deve-se proteger o ouvido deles para evitar otite. E, se possível, opte pelo banho seco quando o animal apresentar pouca sujeira.”

Alimentação

Em geral, há um gasto energético maior durante os dias frios. Mas se o pet mantém uma alimentação balanceada, de acordo com o porte e a idade, deve-se continuar com a porção habitual. A dieta só deve ser alterada caso o pet receba alguma recomendação do veterinário.

Embora algumas pessoas incrementem as refeições dos animais, alegando que eles precisam de mais calorias para manter a temperatura corporal, essa conduta, segundo Hingrid Moro, está errada. “Sem saber, os tutores estão contribuindo para um desequilíbrio alimentar, que pode levar a um quadro de sobrepeso e, até mesmo, à obesidade dos animais”, explica.

Na prática

O dia a dia solitário da coach para empreendedoras Aline Castelo, 27 anos, teve fim após a chegada da mini shih-tzu Kyra, 1 ano e 4 meses. Depois que se casou, ela ficava em casa sozinha trabalhando e decidiu ir atrás de uma companhia de quatro patas. Logo se apaixonou quando viu a filhotinha escondida e suja de xixi. “Foi amor à primeira vista”, relembra.

Kyra é braquicefálica (com focinho achatado), raça que naturalmente já apresenta dificuldade em respirar. Neste clima frio, o problema se agrava. Aline comprou uma casinha de plástico para Kyra dormir na varanda. Mas ela percebeu que a filhote ficava no cantinho da casinha, tremendo de frio. Hoje, a cadelinha dorme no pé da cama de Aline e do marido, com uma almofada e dois cobertores.

Aline já teve outros cachorros antes de Kyra. Alguns desses cães, sofreram com obesidade e sobrepeso. Por isso, ela sabe da importância da alimentação para a boa qualidade de vida dos bichinhos. Neste período frio, ela mantém a quantidade de sempre e, com a orientação da veterinária, dá três vezes ao dia a ração da cachorrinha.

Cláudia Varjão está sempre atenta à alimentação de Tuti, que não deve ser aumentada nos dias frios(foto: Arquivo pessoal)
Cláudia Varjão está sempre atenta à alimentação de Tuti, que não deve ser aumentada nos dias frios (foto: Arquivo pessoal)
A arquiteta Cláudia Varjão, 47 anos, também teve problemas com outra cadelinha anterior à sua fiel companheira atual, a yorkshire Tuti, 3 anos. Por isso, ela redobrou os cuidados com a criação de Tuti. Além das idas regulares à médica veterinária de confiança, Cláudia mantém sempre as vacinas em dia. Em períodos frios, a arquiteta deixa ainda, por todo o apartamento, caminha e tapetinhos para a yorkshire.

Nas refeições, Tuti recebe uma ração específica para cães de pequeno porte, complementada com batata-baroa, filé de frango, maçã, abóbora e, para hidratar, água de coco. Tuti se alimenta duas vezes ao dia. “Dificilmente, ela tem problemas de saúde. É muito raro. Só quando vamos ao Rio de Janeiro. Acho que é por conta do prédio onde ficamos ter outros cachorros”, diz.

*Estagiário sob supervisão de Sibele Negromonte

Males recorrentes

Conheça as doenças que mais acometem os pets no frio:

Cães
• Tosse dos canis: síndrome respiratória complexa, transmitida por vírus ou bactérias, que pode afetar animais de todas as raças e idades. Durante o outono e o inverno, quando o tempo fica mais frio e seco, o que dificulta a dispersão das partículas transmissoras da doença, a transmissão é facilitada. Por ser altamente contagiosa, a doença exige alguns cuidados dos tutores. Tosse seca, secreção, falta de apetite e febre são alguns dos sinais de alerta. Em casos mais graves, o pet pode também apresentar coriza e secreção nos olhos. Ao notar qualquer um desses sintomas, um veterinário deve ser consultado. Para os animais que ainda não foram imunizados, vale ressaltar que hoje existe uma alternativa que garante proteção mais rápida e indolor. A vacina de administração intranasal, além de indolor — já que é aplicada na narina —, oferece proteção em apenas 72 horas após a imunização.
• Gripe canina: só pode ser transmitida de um cão para o outro. O vírus responsável é o H3N8, que não é contagioso para seres humanos. Os animais podem ter a doença, não apresentar nenhum sintoma, mas seguir transmitindo os vírus. Entre os principais sintomas estão febre, tosse persistente, coriza e espirros — que são bem parecidos com a tosse dos canis. Por isso, é comum que as pessoas confundam as doenças.

Gatos
• Rinotraqueíte viral felina: doença altamente contagiosa caracterizada por secreção nasal, febre e perda de apetite. Merece atenção especial em filhotes e gatos idosos, pois pode debilitar o pet e evoluir para pneumonia e, até mesmo, morte. Também está relacionada a sinais oculares que podem levar filhotes à cegueira. Felizmente, há imunização a partir de 9 semanas de vida. A vacina deve ser reaplicada anualmente como reforço.
• Bronquite felina: doença inflamatória das vias aéreas que, em alguns casos, é alérgica, causa dificuldade respiratória e bastante tosse. Pode acometer gatos de diferentes idades, e o tratamento é feito com broncodilatadores e anti-inflamatórios.

Principais cuidados
 
• Evite passeios com o pet em horários mais frios.
• Caso o cachorro fique na área externa da casa, providencie um abrigo que o proteja do vento, principalmente durante a noite. Se o gato é criado livremente, certifique-se de que terá acesso a um abrigo protegido do frio quando voltar à casa.
• Evite choques térmicos, como exposição do animal a temperaturas baixas após um banho quente, por exemplo.
• Se tiver mais de um pet e identificar o sintoma em algum deles, mantenha-o afastado até o início do tratamento.
• Ao viajar com o pet ou sem ele (deixando-o hospedado em um hotel), procure antes um médico veterinário para que ele possa orientá-lo corretamente sobre a melhor prevenção para cada uma das situações.

Fonte: Tatiana Braganholo é veterinária e gerente de serviços técnicos da MSD Saúde Animal.

Agradecimentos
Franvet
Mimo Pet
MSD Saúde Animal

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