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Correio Braziliense ENCONTRO COM O CHEF

Gastronomia cheia de amor e boas histórias desembarca em Brasília

Romance iniciado no Chile faz chef mudar de planos. E restaurante que abriria na Nova Zelândia ganha novo endereço: a Asa Norte


postado em 24/06/2018 07:00 / atualizado em 21/06/2018 17:47

(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Alex Cavada já tinha todo o plano traçado. Depois de passar um ano em Buenos Aires estudando gastronomia e mais uma temporada na cidade natal, Santiago, aperfeiçoando-se na arte das panelas, voltaria para a Nova Zelândia, país onde viveu por uma década, para abrir um restaurante. Mas, no último momento, o chileno decidiu fazer uma mudança de rota. E o motivo tem nome e sobrenome: Andréa Cariello.

A brasiliense tinha reservado o mês de férias, em outubro de 2014, para fazer uma viagem sozinha pelo Chile. No dia seguinte à sua chegada, marcou para sair com um amigo do irmão — um encontro que também mudaria o rumo da vida da psicóloga. Naquela noite, Andréa conheceu Alex, que acompanhava o rapaz. A afinidade foi imediata e o início da amizade, inevitável.

Durante o tempo que Andréa passou no país andino, os dois se encontram diversas vezes até que, durante um show numa tradicional salsateca de Santiago, a Maestra Vida, começaram a namorar. “O problema é que eu estava com viagem marcada para Buenos Aires, onde passaria uma semana e voltaria para o Brasil”, relembra Andréa. “Alex disse que iria comigo. Inventou que o avô tinha morrido e conseguiu os dias de folga no restaurante onde trabalhava”, diverte-se.

Ao fim da semana curtindo a Argentina, Alex fez o anúncio: em 19 de dezembro, um dia depois do aniversário de 40 anos, seguiria para o Brasil. E assim o fez. “Ele se mudou de mala e cuia para o meu apartamento. Meus pais surtaram, queriam saber quem era aquele rapaz, mas nem eu sabia direito”, conta Andréa, aos risos.

Em terras candangas, Alex tratou logo de procurar emprego na cozinha de um restaurante, profissão que tinha abraçado havia pouco menos de dois anos. Durante o período em que viveu na Nova Zelândia, o chileno trabalhou com exportação de frutos do mar. “O emprego pagava muito bem e eu tinha bastante flexibilidade para viajar, mas era muito chato”, conta Alex. Definitivamente, aquela não era a vida com que ele tinha sonhado.

As panelas eram uma paixão, mas apenas um hobby. “Viajava muito para a Tailândia e adorava a comida de lá. Cheguei a fazer uns cursos pequenos de culinária na Ásia e acabava cozinhando para amigos”, recorda-se. Até que Alex tomou coragem e foi cursar gastronomia em Buenos Aires. “O foco das aulas era na culinária francesa e um pouco da italiana”, detalha. Com o diploma em mãos, o chileno teve certeza de que, dali em diante, aquela seria a sua profissão. 

Confiança

Em Brasília, o primeiro emprego de Alex foi em um restaurante chileno. “Era tudo meio amador, a cozinha muito pequena. Daí, ganhei a confiança que precisava para abrir a minha própria casa.” Assim, em outubro de 2015, exatamente um ano depois do primeiro encontro, Alex e Andréa inauguravam o Maestra Vida — uma homenagem à história de amor dos dois.

Ao contrário do que muitos possam pensar, a casa não é especializada em culinária chilena. “Muitos chegam aqui achando que vão encontrar comidas do meu país, mas decidi que esse não seria o foco do restaurante. No meu cardápio, há apenas duas opções típicas: as empanadas e o ceviche. Além disso, oferecemos um legítimo pisco sour.”

Alex justifica a escolha. Para ele, ao contrário do Peru, da Argentina e do Brasil, a gastronomia chilena não é das mais marcantes na América do Sul. “O que temos lá é uma excelente matéria-prima, com pescados de primeira, o que eleva a qualidade da cozinha”, pondera. Sem falar que, ao abrir o restaurante, o chef queria ter liberdade para criar receitas, sem ficar preso a cozinhas específicas. 

E para quem acha que as empanadas são argentinas e o ceviche, peruano, o chef explica as diferenças: “Nossas empanadas são feitas de carne ou frutos do mar; as argentinas levam queijo. Já o ceviche, no Peru, é preparado com leite de tigre; o nosso, não”. 

O cardápio do Maestra Vida segue uma linha internacional. Como um dos carros-chefe, Alex aponta o ossobuco, preparado no método francês sous vide. “O cozimento da carne dura 24 horas, em baixa temperatura”, detalha. Para a coluna, ele ensina a receita do prato, mas adaptada à panela de pressão, já que dificilmente os leitores terão a máquina de sous vide em casa. 

Após quase três anos desde a inuguração, Alex e Andréa fazem planos para o Maestra Vida e celebram a mudança de rota na vida dos dois, que, além de um casamento e um restaurante, rendeu um filho, Lucas, de 1 ano e 2 meses. 
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

Ossobuco com nhoque parisienne

O ossobuco

Ingredientes
  • 250g de ossobuco (escolha um pedaço grosso para que não se desmanche no cozimento)
  • 1/2 cebola
  • 1/2 cenoura
  • 1/4 de xícara de vinho do Porto
  • Alho
  • Páprica doce
  • Alecrim
  • Sal
  • Pimenta-do-reino

Modo de fazer
  • Passe o ossobuco em uma frigideira com óleo até que os dois lados fiquem dourados por igual.
  • Acrescente a cebola, a cenoura e o alho picados grosseiramente e dê uma mexida.
  • Transfira-os para uma panela de pressão e cubra a carne com água. Deixe cozinhar por cerca de uma hora e meia. 
  • Acrescente ao caldo da carne, o alecrim, a páprica doce e a pimenta e passe em um triturador.
  • Leve ao fogo para reduzir e acrescente ¼ de xícara de vinho do Porto. Acerte o sal.

O nhoque

Ingredientes
  • 300g de farinha de trigo
  • 450ml de leite integral
  • 4 ovos
  • 100g de manteiga
  • 250g de queijo parmesão
  • 1 colher pequena de sal
  • Pimenta-do-reino a gosto

Modo de fazer
  • Em uma panela, coloque o leite, a manteiga, o sal e a pimenta. Misture bem e, quando começar a subir a fervura, tire do fogo.
  • Incorpore a farinha de trigo de uma só vez. Mexa e volte ao fogo até a massa grudar na panela.
  • Coloque a massa em uma tigela e, ainda quente, vá incorporando os ovos um a um. Misture bem e acrescente o queijo. Quando toda a massa estiver homogênea, faça os bolinhos (com a mão ou com a ajuda de um bico de confeiteiro).
  • Cozinhe os bolinhos por um minuto em água fervente. 
  • Na hora de servir, passe o nhoque na manteiga até que fique dourado. 

Serviço

Maestra Vida
CLN 107, Bloco C, Loja 57
Telefone: 3034-4466

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