Publicidade

Correio Braziliense ENTREVISTA

Segunda-dama dos EUA visita o DF e fala sobre saúde mental e arteterapia

Karen Pence veio a Brasília, cidade-irmã de Washington, e contou sobre o trabalho que desenvolve nessas áreas


postado em 01/07/2018 07:00

Por 25 anos, ela se dedicou a alunos de ensino fundamental como professora de artes. Especializada em retratar prédios e casas históricas, ganhou diversos prêmios. Até que em 2013, tornou-se primeira-dama do estado de Indiana, nos Estados Unidos, e, no governo, criou uma fundação de caridade com o objetivo de incentivar o apoio à juventude e às famílias da comunidade.

Desde 2017, Karen Pence é a segunda-dama dos Estados Unidos, um dos países mais influentes do globo. E levanta a bandeira de conscientizar as pessoas sobre o respeito à saúde mental e ao tratamento desses pacientes por meio da arteterapia. Para isso, observou o trabalho feito em países como Canadá, Japão, Alemanha, Bélgica e Austrália. Ela, inclusive, integra um programa de arte terapia para jovens pacientes com câncer.
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

No ano passado, criou a Healing with the HeART (um trocadilho com as palavras arte e coração, significando, em bom português: Cuidando com o coração e com a arte). A iniciativa pretende fazer com que os cidadãos entendam os benefícios da arteterapia e estimular os jovens a seguirem carreira na área. Outro foco do trabalho é com membros da força militar norte-americana e suas famílias. Ela faz questão de organizar e participar de eventos que honram e reconhecem essas pessoas.

No ano passado, Karen Pence foi nomeada vice-presidente honorária da Associação Internacional Cidades Irmãs e ganhou um prêmio por apoiar a missão internacional da organização sem fins lucrativos dedicada a promover cidades-irmãs/cidades-gêmeas, especialmente entre localidades nos Estados Unidos e em outros países.

Na última terça-feira, ela esteve em Brasília e, em evento com a primeira-dama do Distrito Federal, Márcia Rollemberg, plantou um ipê-branco no Bosque dos Constituintes, para renovar o acordo entre as cidades-irmãs Brasília e Washington, firmado em 2013. Ao Correio Braziliense, falou sobre a ligação entre as capitais dos dois países, sobre a importância da arteterapia e como ela pode ajudar soldados com transtornos pós-traumáticos.

É a sua primeira vez em Brasília? Quais são suas primeiras impressões e o que nossa capital e a de vocês, Washington, têm em comum?

É minha primeira vez no Brasil. E é um país lindo. Pude aproveitar o Lago Paranoá pela manhã, tive um almoço maravilhoso. São duas cidades planejadas, famosas por sua arquitetura, são lindas e são distritos, em oposição a estados.

Já há planos do que deve ser feito com essa ligação entre Brasília e Washington?

O que é muito excitante é que os Estados Unidos têm 28 relações com cidades brasileiras. Nós renovamos, agora, o acordo entre as duas capitais, plantando o ipê. Não sei o que está sendo planejado, mas sei que tem muita gente em Washington e em Brasília animada em começar essas trocas de novo.

Como sua experiência profissional anterior, como professora de artes, foi importante para suas posições de primeira-dama do estado de Indiana e, agora, de segunda-dama dos Estados Unidos?

Eu gosto de estar rodeada de pessoas e, como professora, eu estava rodeada de pessoas o dia todo, o que já me ajudou quando me tornei primeira-dama. E ser primeira-dama me ajudou a me acostumar com uma plataforma com a qual não estava habituada.
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Você tem uma preocupação especial com os membros do Exército Norte-americano e com as famílias deles. Como você e o Estado pode apoiar essas pessoas?

Honestamente, o que eu quero é conscientizar as pessoas sobre o sacrifício que as famílias fazem e não só os membros. Porque quando um pai serve, toda a família serve. E nem sempre eles ganham o reconhecimento e a gratidão que merecem. Quero elevá-los. Toda profissão tem pontos positivos e negativos, mas a oportunidade de chamar a atenção para o sacrifício que as esposas fazem lado a lado com os soldados. É algo que eu gosto de salientar.

Como a arteterapia pode ajudar soldados que voltam, muitas vezes, com traumas?

A arteterapia é muito efetiva com soldados que voltam de combate sofrendo de transtornos pós-traumáticos, pois a parte do cérebro que é prejudicada com o trauma não é a parte verbal. Então, eles não conseguem expressar alguns dos sentimentos e dificuldade pelos quais estão passando. Ter um arteterapeuta junto com eles pode guiá-los e ajudá-los a trazer para a superfície aquilo que estão sentindo.

Qual o desafio de trabalhar com arteterapia?

Um dos motivos que resolvi colocá-lo em minha plataforma é porque é tão mal-entendido. Arteterapia não é só fazer arte e artesanato. As pessoas acham que é só pegar as tintas e começar a relaxar. É uma profissão para promover saúde mental. Os profissionais são terapeutas com mestrado, doutorado, que usam arte para ajudar seus pacientes.

Você acha que saúde mental deveria ser mais valorizada?

Eu acho que é uma coisa difícil porque, na nossa sociedade, ninguém quer dizer “eu preciso de ajuda”. É um estigma, a gente tem a oportunidade de dizer “nós todos precisamos de ajuda”. A melhor coisa que acontece no meu escritório é quando saímos e encontramos gente que diz que não queria fazer arteterapia, não queria tentar, não era para elas, mas que, depois que começou, fluíram muitas emoções e salvou sua saúde mental, salvou sua vida e a de sua família.
 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade