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Correio Braziliense BICHOS

Descubra técnicas que ajudam a melhorar o comportamento dos gatos

Ao contrário dos cães, eles não podem ser adestrados. Mas, com atividades específicas, os felinos conseguem melhorar o jeito de lidar com os humanos e com outros animais


postado em 15/07/2018 07:00

(foto: Marcelo Ferreira/CB)
(foto: Marcelo Ferreira/CB)

Truques como pegar a bolinha ou correr atrás de frisbees não sãos aprendidos pelos gatos da mesma forma que são pelos cães. Mas isso não significa que os felinos não possam ser treinados e os comportamentos negativos, corrigidos.

 

Pouco se fala sobre o treinamento dos bichanos, e muitos animais acabam sendo abandonados quando apresentam problemas comportamentais com a desculpa de que “gatos fazem o que querem e não aprendem”.

 

Humberto Martins, médico veterinário e especialista em comportamento de felinos ressalta que,  na medicina comportamental, quando se fala em treinamento de gatos, ele pode ser substituído por termos como adaptação ambiental, mudança na rotina diária ou até mesmo condicionamento.

 

“A ferramenta adestramento não é adotada em felinos para se corrigir ou resolver problemas comportamentais. Não se trata de um adestramento, mas, sim, de adaptação. Na maioria das vezes, a mudança vai partir do tutor e, assim, o comportamento do gato melhorará”, explica Humberto.

 

O adestrador e especialista em comportamento animal, proprietário da ComporPet, Cleber Santos, destaca que as principais queixas dos tutores quando se trata da conduta dos felinos são as necessidades fisiológicas feitas em locais inadequados, a briga com cães e gatos que vivem na mesma casa e a destruição de móveis. Outras situações de conflito se referem à agressividade com o tutor e visitas, e à ansiedade da separação quando eles saem, por exemplo, para trabalhar.

 

Cleber acrescenta que lidar com esses casos sem acompanhamento profissional é difícil, pois, em 80% das situações, o problema é causado pelo próprio tutor, por falta de liderança e de regras adequadas, por poucas atividades físicas e mentais para o gato e até pelo excesso de carinho. “Por mais que seja um animal independente, necessita de regras e de se exercitar. Os gatos amam desafios. Se a mente deles for ocupada, não terão tempo para apresentar mau comportamento.”

 

Os veterinários explicam ainda que o comportamento da família afeta diretamente o do animal. Segundo Cleber, os humanos são espelhos para os gatos, principalmente para os que chegaram à casa ainda filhotes.

 

Eles ressaltam, ainda, que os problemas comportamentais podem aparecer em qualquer faixa etária ou raça, mas que é possível corrigi-los na grande maioria das situações. Cleber destaca que a idade influencia na rapidez e na facilidade do aprendizado, mas que os gatos mais velhos também mudam.

 

Humberto acrescenta que questões mais importantes que a idade é o quão condicionado o gato estará e o nível do problema que ele apresenta. Se o gato tem um comportamento indesejado há muitos meses ou mesmo anos, será mais difícil de reverter.


Entre tapas e beijos 

 

O sofrimento da assessora de comunicação Natália Ribeiro Pereira, 30 anos, começou quando seus dois gatos começaram a entrar em conflito. Com quatro anos de idade, os dois não tinham problemas, mas depois da mudança de apartamento, Maluco, o primeiro a ser adotado, começou a atacar o tímido Tom.

 

Natália lembra que Tom foi resgatado 20 dias depois de Maluco e que, por mais que no início a adaptação tenha sido difícil, os dois conviviam de forma civilizada. Quando a família se mudou, processo que costuma ser difícil para os felinos, pois são animais muito territoriais, os problemas começaram.

 

“O Maluco começava a miar me chamando e pedindo atenção. Se eu não ia imediatamente ou só fizesse um carinho, ele atacava o Tom”, conta. Natália explica que o gato sabia que ao agredir o outro, ela se levantaria e daria a atenção que ele exigia. Os ataques começaram a deixar Tom, que já era tímido, ainda mais assustadiço e isolado. “Se a gente derrubava alguma coisa no chão ou tropeçava perto dele, já saía correndo e se escondia debaixo da cama.”

 

A agressividade de Maluco fez também com que Tom desenvolvesse comportamentos excessivos, como se coçar demais nos tapetes, o que começou a deixar pequenas feridas. Preocupada, Natália percebeu que precisava resolver o que estava causando todos aqueles problemas. A assessora buscou auxílio. Um profissional foi até a casa de Natália e fez uma série de perguntas sobre a rotina e o dia a dia da família. “Ele perguntou sobre os conflitos, onde eles gostavam de dormir, onde gostavam de brincar...”, recorda-se.

 

Humberto explica que é necessário fazer uma análise detalhada do que acontece com os tutores e com os felinos para determinar a melhor forma de ação. “A rotina do gato está diretamente relacionada à do lar. Se é uma casa onde os recursos são escassos ou distribuídos de forma errada, a chance de o gato apresentar problemas comportamentais é grande.”

 

Depois da análise, o especialista passou exercícios para que Natália conseguisse modificar a relação dos gatos. Ele explicou a ela que um dos maiores problemas na rotina da família era que, por mais que sempre fizesse carinho nos animais, não existia um momento dedicado a brincadeiras e atividades que ajudassem os felinos a gastar energia.

 

Com dicas de brinquedos e tipos de atividade, Natália passou a dedicar pelo menos meia hora por dia a esse momento de diversão. “Em cerca de três dias com essa nova rotina, comecei a ver diferença no comportamento deles”, afirma Natália. 

 

Tom, sempre tímido, mostrou um outro lado da personalidade e se tornou mais brincalhão e sociável. Maluco ficou mais calmo e os ataques contra o companheiro cessaram. Amigas da assessora que frequentavam a casa e não conheciam Tom, que sempre se escondia, passaram a ver o animal — algumas mais próximas até mesmo começaram a interagir com ele. Maluco, que todos os dias, às 5h da manhã, acordava a dona para brincar, passou a subir na cama e dormir com a tutora até o momento de ela se levantar.

 

Natália ressalta ainda que, durante duas semanas, nas quais não teve tempo de manter a rotina de brincadeiras com os animais, percebeu que as melhorias regrediram levemente. “Foram muitos ganhos e eu notei isso nos dias em que não brinquei. Vi o quanto aquilo faz diferença para eles e o quanto se tornaram gatos mais saudáveis.”

 

Humberto explica que, para lidar com casos como os de Natália, é fundamental criar uma rotina diária que atenda às necessidades dos felinos. “Nesses casos, o veterinário comportamentalista vai implementar exercícios e atividades específicas para cada problema. Irá orientar onde e como devem ser aplicados recursos para corrigir tal comportamento.” 

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