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Correio Braziliense PETS

Conheça a raça boiadeiro australiano

Saiba mais sobre um tipo de cão amável e cheio de energia


postado em 29/07/2018 08:00 / atualizado em 27/07/2018 19:29


Naiara Barbosa Silva com a cachorrinha Mayla: sapeca(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Naiara Barbosa Silva com a cachorrinha Mayla: sapeca (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 
Muitos têm dúvidas ao decidir criar um cachorro. É preciso pesquisar para saber qual é mais indicado ao perfil do tutor. Cada raça exige cuidados diferenciados e, por isso, a Revista do Correio, mensalmente, fará pelo menos uma reportagem para explicá-las. Esta edição será dedicada ao boiadeiro australiano que vem ganhando o gosto de apreciadores de cães resistentes.

O blue heeler, australian cattle dog (ACD) ou, como é mais conhecido aqui no Brasil, boiadeiro australiano, é uma raça de cachorro para lá de interessante.

Foi apresentado no filme Mad Max 2 — a caçada continua (1981), como Woody, o companheiro do solitário Max Rockatansky, protagonizado por Mel Gibson. Segundo registros, a raça foi criada por pastoreiros na Austrália, no século 19, e veio com o intuito de auxiliar no manejo do gado selvagem.

Há divergências sobre a origem e o cruzamento de raças. O Kennel Club (clube de cinofilia que padroniza cães de raças puras), porém, considera que é o resultado do cruzamento do blue smooth highland collies com o dingo (cão selvagem australiano). Além de uma posterior introdução de sangue de dálmatas e kelpies preto e castanho.

A ideia era desenvolver um cão forte, mordedor e com bastante energia.

Extremamente inteligente, de fácil adestramento, dócil, rústico (tem bastante resistência à mudança climática), superfiel ao dono e corajoso, a raça vem ganhando o gosto por tutores mundo afora.

O boiadeiro australiano é uma raça para quem gosta de fazer atividades físicas com a companhia dos bichinhos, que adoram desafios mentais, pois se entediam facilmente sem ter o que fazer e buscam suprir essa necessidade de outra forma, como “destruir” as coisas de casa.

É uma raça de porte médio, que precisa viver em lugares com espaço. Dócil, porém, desconfiado com estranhos. Segundo a veterinária Tatiana Almeida Pignataro, clínica médica e especialista em reprodução animal, a socialização enquanto filhote é importante para facilitar o convívio com pessoas de fora da família e com outros animais. “Eles têm muita energia; então, exige prática diária de exercício físico, tornando complicada a criação em apartamentos.”

De acordo com Tatiana, em questões clínicas, essa raça é super-resistente, mas, exige cuidados em relação aos problemas genéticos. Além disso, correm mais risco de serem vítimas de acidentes.

Por serem cães corajosos e de muita energia, se colocam em situações de perigo. Em casa, podem se  intoxicar por ingestão de plantas venenosas, produtos de limpezas ou insetos; afogamento (em residências com piscina) e feridas em geral.

“Nas fazendas, apesar de ser um cão bastante ágil, é recorrente os casos de coice e traumas. Também são frequentes acidentes ofídicos (picada de cobra)”, destaca a veterinária.

Segundo Felipe Karol Leite, mais conhecido por Felipe KL — treinador de animais especialista em modificação comportamental e treino de animais para tevê, filmes e comerciais —, atualmente, há uma grande procura pela raça.

Ele diz que, além das vantagens comportamentais, uma das particularidades que mais chama a atenção, é a aparência exótica da pelagem, o que faz as pessoas buscarem mais informações. Nisso, acabam se encantando pelas características comportamentais e sociais. “Acredito que esses sejam os fatores que mais estão estimulando o interesse pela raça”, detalha.

Primeira vez


Às pessoas que estejam interessadas em ter um boiadeiro australiano, segundo a veterinária Tatiana, é primordial pesquisar experiências de tutores de blue heeler para ter certeza da adoção.

É necessário saber também que será preciso ter tempo para gastar a energia do animal. Como em qualquer outra raça, é importante procurar orientações veterinárias e, também, de adestradores.

A cadelinha Mayla, 3 meses, é o encanto de Naiara Barbosa Silva, 28 anos, fisioterapeuta holística e empresária. Mayla é uma filhote espoleta, brincalhona e com muita energia. Naiara conta que está babona e apaixonado por ela. “Tive a companhia de um poodle por 14 anos.”

O poodle morreu neste ano e Naiara ficou desolada com a perda. Nisso, uma amiga da empresária a convidou para participar da Associação Pet Amigo — trabalho voluntário de terapia assistida com animais em hospitais, asilos e lares idosos.

O projeto ajudou a suavizar a perda e foi aí que ela teve contato com a raça boiadeiro. A cadela da tia dessa amiga pariu 11 filhotes e mandou fotos da ninhada. Mayla foi a única a não ser doada e, ao vê-la, não deu outra: foi amor à primeira vista.

Uma característica que ela acha interessante é a questão da raça ser pastoreira. “Quando passeamos, ela vai na frente e fica batendo a patinha, como se estivesse mostrando aonde devemos ir. Ela é uma bebê, mas é engraçado como isso já é da raça mesmo”, detalha.
 
 

Adestramento

Maria Pozza com Ziggy, 1 ano e meio: parceria e inteligência(foto: Arquivo Pessoal)
Maria Pozza com Ziggy, 1 ano e meio: parceria e inteligência (foto: Arquivo Pessoal)

Para o adestrador Felipe KL, inicialmente, sempre que for adotar um cãozinho é necessário planejamento.

Ele indica a importância de saber qual é o espaço onde o animal ficará na residência, qual será a rotina de alimentação, o tempo para se dedicar ao bicho, e o principal, estar atento aos detalhes.

No treinamento, os boiadeiros têm algumas particularidades. É um cão muito intenso e de personalidade forte. Eles captam o treinamento rápido e, muitas vezes, aprendem a ignorar o adestramento também.

“Eles aprendem ‘a se desligar’ do treino quando querem.” Uma das coisas que não ajuda é forçar o animal. Isso é a receita para um desastre comportamental. Portanto, treinar com inteligência e atenção sempre é o melhor caminho.

“O que mais ajuda é estabelecer relação com a alimentação. Outra coisa é ensinar a andar com a guia corretamente”, ensina.

Depois do filme Mad Max, o servidor público Luciano Selivon, 41 anos, mostrou interesse pelo boiadeiro australiano. Woody, o companheiro do solitário Max Rockatansky, encantou o rapaz quando era novo.

As imagens com aquele cão ficaram marcadas na lembrança dele. E, desde criança também, ele sempre quis ser um criador de cachorro. Depois de casado e com filho, mudou-se para uma chácara e pôde concretizar ambos os sonhos.

“Compramos o primeiro cão. Depois de alguns meses, outros… aí o companheirismo da raça conquistou toda a família”, diz.

Hoje, são 13 boiadeiros australianos no Canil Heeler Selivon. Para ele, quem adquire um exemplar encontra um grande amigo. A raça vem sendo muito procurada pelo fato de ser companheira do tutor, adorar fazer atividades ao lado dele e está sempre disposto a agradá-lo.

A técnica de informática Maria Pozza, 28 anos, também acha o boiadeiro uma raça incrível. Ziggy, 1 ano e meio, é seu companheiro. Com ele, sai três vezes ao dia. Pela manhã, ficam 40 minutos caminhando, jogando bolinha e brincando de cabo de guerra.

Na hora do almoço, passam menos tempo, o suficiente pra ele caminhar um pouco e fazer as necessidades. “Por sinal, aprendeu bem rápido que só deve fazer lá embaixo do bloco”, orgulha-se.

 

Origem e características

Os cachorrinhos do Canil Heeler Selivon: raça cheia de energia(foto: Crédito: Luciano Selivon/Divulgação. )
Os cachorrinhos do Canil Heeler Selivon: raça cheia de energia (foto: Crédito: Luciano Selivon/Divulgação. )

Foi sendo incorporado à raça:
Dingo: pela sua rusticidade.
Smoth collie merle: pelo pastoreio.
Bull terrier: pela sua coragem e bravura.
Dálmata: pelo seu amor ao cavalo.
Kelpie: para mais pastoreio e pela rusticidade.

Vantagens
É uma raça classificada no grupo 1 (cães pastores), pelo Kennel Club. Por isso são companheiros, protetores da família, se relacionam bem com crianças, muita disposição, longevidade, poucos problemas de saúde da raça e extremamente inteligentes.

Desvantagens
São propensos à displasia coxofemural, que é a degeneração da articulação do quadril. Também podem ter surdez devido à despigmentação do pelo. Esse problema causa uma alteração genética que pode causar a surdez congênita. Além disso, são cães com muito instinto de proteção. Têm devoção ao tutor. Por isso, é importante a socialização como caminhadas ao parque frequentemente.

Informações: Adestrador Felipe KL (www.animalpensante.com.br)
* Estagiário sob supervisão de José Carlos Vieira

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